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Crédito tributário também é dinheiro

O estoque de créditos existente hoje pode ter importância financeira durante os próximos anos

24/09/2026

A discussão sobre a tributação das empresas costuma se concentrar no quanto se paga de impostos. Existe, porém, outro lado dessa equação que merece atenção: quanto de crédito tributário a empresa possui e quanto ainda pode recuperar.

Essa questão ganha especial relevância para empresas tributadas pelo Lucro Presumido e pelo Lucro Real, especialmente aquelas que possuem operações sujeitas ao ICMS e movimentam volumes relevantes de mercadorias.

Ao longo dos anos, muitas empresas acumulam créditos em diferentes situações: ICMS, ICMS-ST, PIS e Cofins, pagamentos indevidos ou a maior, mudanças de interpretação da legislação, benefícios fiscais e créditos reconhecidos em processos administrativos ou judiciais.

Parte desses valores pode estar contabilizada. Outra parte pode depender de uma revisão das apurações, dos documentos fiscais e das operações realizadas pela empresa.

É justamente nessa análise que pode existir uma oportunidade financeira relevante.

Crédito tributário também é dinheiro

É importante mudar a forma de enxergar o crédito tributário.

Ele não deveria ser tratado apenas como uma questão técnica do departamento fiscal ou como um assunto para ser discutido quando surge uma fiscalização ou uma ação judicial.

Crédito tributário também é dinheiro. Pode representar redução de desembolso, recuperação de caixa e melhoria do capital de giro.

Por isso, a revisão tributária não deveria se limitar a verificar se a empresa está cumprindo corretamente suas obrigações atuais. É preciso também olhar para o histórico e identificar se existem valores que poderiam ter sido aproveitados e ainda não foram.

A hora de olhar para trás é agora

A mudança do sistema tributário cria uma situação peculiar: enquanto as empresas precisam se preparar para o futuro, ainda existe uma janela para revisar o passado.

Para muitas empresas, especialmente aquelas que apuram ICMS de forma recorrente, a rotina fiscal acaba concentrando a atenção no cumprimento das obrigações do período: apurar, escriturar, recolher e entregar as declarações.

Com isso, oportunidades acumuladas ao longo dos anos podem não receber a mesma atenção.

Uma revisão estruturada do histórico tributário permite verificar se todos os créditos passíveis de aproveitamento foram efetivamente identificados e utilizados.

O trabalho pode envolver a análise de apurações, documentos fiscais, operações de entrada e saída, estoques, composição dos custos, contratos e demais informações que permitam confrontar o que foi efetivamente aproveitado com aquilo que poderia ter sido creditado.

No caso de empresas submetidas à substituição tributária, essa revisão pode ganhar ainda mais importância diante das mudanças que já estão ocorrendo em determinados setores e estados.

A retirada de produtos da sistemática de ICMS-ST, por exemplo, exige atenção não apenas à apuração futura, mas também aos estoques existentes, aos eventuais créditos e à forma como a mudança pode afetar o fluxo financeiro da operação.

O objetivo, portanto, não deve ser simplesmente encontrar uma tese tributária.

É preciso transformar a oportunidade em um ativo efetivamente utilizável: identificar, quantificar, validar, documentar e definir a estratégia de aproveitamento.

O momento de agir é agora

A implementação do novo modelo tributário já começou. Em 2026, CBS e IBS estão em fase de teste, enquanto a transição do ICMS e do ISS para o IBS ocorrerá gradualmente entre 2029 e 2032.

Isso significa que a empresa não precisa esperar os próximos anos para começar a se preparar. É justamente agora que existe uma oportunidade para fazer um diagnóstico mais amplo.

Esse diagnóstico pode identificar créditos ainda não aproveitados, revisar créditos de ICMS e ICMS-ST, avaliar estoques, verificar oportunidades relacionadas a PIS e Cofins, analisar benefícios fiscais e entender como a estrutura atual da empresa poderá ser afetada pela nova lógica tributária.

Também permite que a companhia organize seus dados, processos e sistemas antes que a complexidade da transição aumente.

Para empresas do Lucro Presumido e, especialmente, do Lucro Real com operações relevantes sujeitas ao ICMS, esse movimento pode ser ainda mais importante. A análise não deve considerar apenas o que já está registrado como crédito, mas também oportunidades que podem estar escondidas na própria operação.

O novo cenário pode transformar crédito em vantagem financeira

A mudança para IBS e CBS também traz uma nova lógica para a apropriação de créditos, baseada em uma não cumulatividade mais ampla.

Ao mesmo tempo, os créditos acumulados dos tributos atuais não desaparecem simplesmente com a transição. Existem regras específicas para a utilização de determinados saldos, incluindo créditos acumulados de PIS e Cofins e créditos homologados de ICMS.

Por isso, o estoque de créditos existente hoje pode ter importância financeira durante os próximos anos.

A questão passa a ser identificar quais valores existem, qual é sua natureza, quais requisitos precisam ser cumpridos e qual é a melhor estratégia para seu aproveitamento.

Essa análise ganha ainda mais importância quando se considera que mudanças na tributação podem afetar não apenas a apuração dos impostos, mas também decisões relacionadas a estoque, compras, vendas, distribuição, formação de preços e capital de giro.

O patrimônio tributário que pode estar escondido

A tributação é, inevitavelmente, um dos principais custos das empresas. Mas o sistema tributário também pode gerar direitos que, quando corretamente identificados e documentados, representam um ativo para a companhia.

Para empresas do Lucro Presumido e, especialmente, do Lucro Real, com operações relevantes sujeitas ao ICMS, essa análise pode revelar oportunidades que permanecem escondidas na rotina fiscal.

Pode haver créditos reconhecidos e não utilizados. Pode haver créditos de ICMS ou ICMS-ST que precisam ser revisados. Pode haver oportunidades relacionadas a estoques, operações interestaduais, benefícios fiscais, PIS e Cofins e outras situações específicas da atividade empresarial.

E, diante da transformação do sistema tributário, pode haver também decisões operacionais que precisam ser revistas antes que percam relevância.

Por isso, uma das perguntas que as empresas deveriam fazer neste momento não é apenas quanto estão pagando de impostos.

É também:

quanto de crédito tributário existe hoje dentro da empresa, quanto ainda pode ser recuperado e quais oportunidades podem ser capturadas antes que as regras atuais deixem de existir?

A resposta pode revelar um patrimônio financeiro relevante — e transformar o período de transição de um desafio meramente operacional em uma oportunidade de recuperar valores, melhorar o fluxo de caixa e preparar a empresa para uma nova realidade fiscal.

O presente texto possui caráter meramente informativo e reflete uma análise geral do tema, não substituindo a avaliação individualizada de cada caso concreto. Assim, recomenda-se que eventuais decisões sejam tomadas com o acompanhamento de profissional especializado e de confiança.
Renato Paladino Consultoria Empresarial atua em várias áreas do Direito, especialmente cível e empresarial, tributária buscando as melhores soluções com rapidez e eficiência. E-mail: renato@renatopaladino.com.br Whatsapp: (11) 9.7347-4545

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