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Intenção de consumo das famílias recua pelo quinto mês seguido 

Emprego e renda ainda sustentam cenário, mas piora nas expectativas, juros altos e endividamento limitam compras de maior valor

24/09/2026

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador mensurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), recuou 1,2% em agosto. O índice caiu para 110,9 pontos, registrando a quinta queda mensal consecutiva e a mais intensa da sequência iniciada em abril. Ainda assim, o indicador permaneceu acima da linha de satisfação (100 pontos) e cresceu 4,4% em comparação com o mesmo período do ano passado [gráfico 1].

[GRÁFICO 1]
Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP

Emprego sustenta consumo, mas lares ficam mais cautelosos

Na análise da FecomercioSP, o mercado de trabalho ainda aquecido continua sendo o principal fator de sustentação do ICF. O componente emprego atual variou apenas -0,4% no mês, para 141,3 pontos, mas avançou 6,3% em um ano e segue como o item de maior pontuação do indicador. A força do emprego ajuda a preservar a renda e a capacidade de pagamento familiar, evitando uma queda mais acentuada da intenção de consumo [tabela 1].

O principal sinal de cautela surge nas perspectivas para o futuro. A perspectiva profissional caiu 4,5%, no mês, e 10,5%, em um ano, ampliando a distância para o emprego atual. O resultado indica que, embora as famílias avaliem positivamente a sua situação profissional hoje, estão menos confiantes em relação a promoções, aumentos salariais e estabilidade no futuro, o que pode estimular a poupança por precaução e o adiamento de compromissos financeiros mais longos.

A renda atual recuou 1,3%, na terceira queda mensal seguida, embora ainda esteja 2,8% acima de agosto de 2025. O acesso ao crédito, por sua vez, foi o único componente a avançar no mês (0,8%), mas a melhoria na percepção de crédito disponível não significa que o custo dos financiamentos tenha diminuído. 

[Tabela 1]
Intenção de Consumo das Famílias — componentes
Fonte: FecomercioSP

Os resultados mostram que emprego e renda ainda funcionam como amortecedores, mas os juros altos, o endividamento e a cautela das famílias continuam limitando compras de valor mais alto.

Melhor avaliação do presente 

Também avaliado pela FecomercioSP, O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) variou -0,6% em relação a julho, para 120,8 pontos, indicando que o consumidor paulistano segue relativamente confiante com o futuro, mas já começa a dar sinais de que as contas domésticas estão mais pressionadas no presente. 

Ainda assim, a retração foi menor do que a queda de 2% registrada no mês anterior e manteve o indicador na zona de otimismo. Na comparação com agosto do ano passado, o avanço foi de 8%, sinalizando que a confiança permanece em nível elevado, embora com sinais de acomodação no ciclo do consumo [gráfico 2].

[GRÁFICO 2]
Índice de Confiança do Consumidor (ICC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP

Na leitura da FecomercioSP, o emprego e o alívio recente da inflação ajudaram a melhorar a percepção sobre o momento presente. Já a cautela em relação ao futuro reflete os pesos dos juros ainda altos e do maior comprometimento da renda familiar com dívidas, fatores que tornam o consumidor mais seletivo frente a compromissos de médio e longo prazos. Portanto, ele não para de consumir, mas começa a planejar melhor, comparar preços com mais frequência e adiar compras de valor mais alto.

O ICC é formado por dois subíndices, cujas leituras foram divergentes em agosto.  O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que mede como o consumidor avalia a situação econômica presente, avançou 0,5%, para 114,5 pontos, com melhoria entre famílias das duas faixas de renda, mulheres e consumidores com menos de 35 anos. 

Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que capta as perspectivas para o futuro próximo, caiu 1,3%, para 125 pontos. O resultado indica que o paulistano está mais cauteloso quanto ao futuro [gráfico 3].

[GRÁFICO 3]
Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) 
e de Expectativas do Consumidor (IEC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP

Pessimismo entre os consumidores mais velhos

A queda do ICC foi mais intensa entre consumidores com 35 anos ou mais (-3%), enquanto os mais jovens variaram 0,8% no mês, com o maior resultado entre as faixas etárias. A diferença entre os grupos aumentou de 6 para 10,6 pontos. Entre os consumidores com mais idade, a confiança está mais sustentada pelas expectativas para o futuro do que pela percepção sobre o presente, o que sugere mais sensibilidade às mudanças econômicas e uma eventual piora da renda, do emprego ou do custo de vida [tabela 2].

Por renda, a confiança recuou entre os lares com até dez salários mínimos (-1,2%) e avançou entre as de maior renda (0,6%). O contraste aparece principalmente na avaliação das condições atuais, indicando que, embora as famílias de menor renda mantenham expectativas relativamente favoráveis, ainda sofrem mais pressão no orçamento diante dos preços, dos juros e das despesas essenciais.

Entre os homens, o ICC caiu 1,8%, enquanto entre as mulheres variou 0,6%. Apesar de a confiança masculina continuar mais alta, a diferença entre os grupos diminuiu de forma significativa. No campo das expectativas, porém, o IEC dos homens cresceu 11,3% em um ano, maior alta entre os segmentos, sinalizando que a cautela observada em agosto ocorre mesmo com uma percepção mais positiva sobre o futuro.

[Tabela 2]
Índice de Confiança do Consumidor (ICC) – segmentos
Fonte: FecomercioSP

A FecomercioSP observa que, apesar da piora pontual em agosto, todas as segmentações registraram alta no comparativo anual. O resultado mostra uma acomodação de curto prazo da confiança, sem caracterizar uma reversão da melhoria observada nos últimos 12 meses.

Impactos sobre o varejo
 

O resultado de agosto constata que o consumidor paulistano segue otimista, mas mais seletivo e cauteloso, principalmente em relação ao futuro profissional e às compras de alto valor. O mercado de trabalho ainda sustenta emprego, renda e capacidade de pagamento, mas já não é suficiente para manter o consumo no mesmo ritmo, diante do crédito caro, do maior comprometimento da renda com dívidas e da pressão das despesas essenciais.

Para o varejo, esse quadro reforça um comportamento de consumo mais planejado, marcado por pesquisa de preços, comparação entre canais e mais seletividade. Segmentos que dependam de crédito e parcelamento tendem a enfrentar mais resistência. Nesse ambiente, também ganha importância a gestão prudente de estoques e de caixa, além da adaptação da oferta aos diferentes perfis de renda e idade.

O varejista que compreender esse consumidor mais cauteloso e apresentar uma proposta de valor clara estará mais preparado para passar por período de acomodação. Mais do que apostar apenas em descontos, o momento exige acompanhar de perto a capacidade financeira das famílias e a evolução da confiança, especialmente das expectativas profissionais, que podem antecipar mudanças mais amplas no comportamento de consumo.

O Panorama do Comércio de setembro traz algumas orientações sobre como adotar estratégias para esse momento. Clique aqui para fazer o download

Nota metodológica 

ICC

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados com aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura. Esses dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, se apresenta como: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

ICF

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente pela FecomercioSP, desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo; e Momento para Duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, sendo que abaixo de cem pontos é considerado insatisfatório, e acima de cem pontos, satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível — a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos — que seja uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias, assim como para as instituições financeiras.

Sobre a FecomercioSP

Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que impactam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

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