“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Semana Nacional do Trânsito tem bem pouco a comemorar

Coluna Fernando Calmon nº 1.420

23/09/2026

Realizada sempre de 18 a 25 de setembro, é uma inciativa de mérito do Sistema Nacional de Trânsito. Este ano há ações da Secretaria Nacional de Trânsito, Polícia Rodoviária Federal, prefeituras, escolas e concessionárias de rodovias voltadas à educação para o trânsito e respeito às normas de circulação. Destaque para o Observatório Nacional de Segurança Viária pela campanha educativa “O que a pressa não deixa você ver”. Foca em diferentes atores do trânsito e reforça atitudes de cuidado, respeito e responsabilidade, como manter distância segura, respeitar os pontos cegos e ter paciência.

No entanto, há assuntos que se arrastam sem solução efetiva. Um deles o uso indiscriminado de películas escurecedoras nos vidros dianteiros, que muitos motoristas utilizam por medo de assaltos e da onda atual de gangues quebra-vidros. Difícil achar uma solução, pois a falta de fiscalização contínua com medidores de transmitância luminosa acaba por reconhecer indiretamente que existe grave problema de segurança pública.

Outra situação embaraçosa é sobre leis municipais que proíbem a atuação de guardadores de carros (conhecidos como “flanelinhas”) para achacar motoristas em estacionamentos nas vias públicas. Contudo, há uma regulamentação federal desde 1975 que permite a atuação de guardadores registrados. Um destes “flanelinhas” apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Desde meados do ano passado, a prefeitura de Porto Alegre defendeu sua competência neste assunto e até agora não houve uma decisão final. Esse tipo de impasse desvia atenção da segurança de trânsito, que realmente importa.

Uma boa comemoração vem do exterior. União Europeia (UE) celebra agora 30 anos de legislação sobre segurança veicular. Normas rigorosas de testes de colisão entraram em vigor em 1998. O número anual de mortes no trânsito foi reduzido em mais de dois terços: passou de 64.000 para 19.400, em 2025. Feridos graves caíram de meio milhão para cerca de 100.000. Foram quase 900.000 vidas poupadas ao longo de 28 anos.

Vanguarda elétrica do Porsche Cayenne

A fabricante alemã inicia no Brasil um novo posicionamento de mercado do Cayenne ao lançar sua versão 100% elétrica. O modelo de quarta geração chega ao mercado em três configurações: Electric, S Electric e Turbo Electric, nas variações de carroceria SUV e SUV Cupê. Todas com tração integral e gerenciamento eletrônico PTM (Porsche Traction Management). As opções a combustão (V-6 e V-8) e híbridas continuam em produção, mantendo a estratégia de convivência entre diferentes tecnologias de propulsão ao longo da próxima década.

A linha começa com 442 cv e 85,1 kgf·m, na opção de entrada. Na intermediária, os números sobem para 666 cv e 110,1 kgf·m. Já a versão de topo entrega estonteantes 1.156 cv (mais de 1.000 cv pela primeira vez em modelo de rua da marca) e incríveis 153 kgf·m, quando acionado o controle de arrancada. Apesar de sua massa impressionante de 2.700 kg, acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 s (mesmo tempo do 911 Turbo S).

Bateria tem capacidade de 113 kW⋅h com arquitetura elétrica de 800 volts. Alcance médio padrão Inmetro: de 481 a 493 km. Em estações de recarga rápida de corrente contínua de até 390 kW (ainda bem raras), repõe de 10% a 80% da carga em menos de 16 minutos. Os dois motores elétricos dão conta de quase todas as frenagens do dia a dia.

Suspensão pneumática adaptativa inclui esterçamento do eixo traseiro e diferencial vetorizado. Na cabine, destacam-se o painel curvo, central multimídia de 14,9 pol., quadro de instrumentos digital de 14,25 pol. e projeção de dados no para-brisa com realidade aumentada.

Avaliação da linha completa foi no Velocità (Mogi Guaçu, SP), em circuito fora de estrada no próprio autódromo e em trechos rodoviários. Destaques para agilidade e comportamento neutro em curvas, acima da média, atípicos para a massa e porte de um SUV. No trecho fora de estrada, assistentes eletrônicos, controle automático de descida e variação da altura das suspensões destacam-se em superfícies de baixa aderência. Em uso rodoviário, sobressaem desempenho, conforto de rodagem e silêncio de todo carro elétrico.

Preços: R$ 900.000 a R$ 1.460.000

Cadillac volta com importação oficial da GM

Depois de ausência de forma oficial por quase 70 anos, a Cadillac será comercializada no Brasil. Iniciativa faz parte da expansão internacional da marca premium da GM, que inclui até equipe na F-1 e no FIA WEC categoria Hypercars. Pré-venda já iniciada com dois SUVs elétricos: médio-grande Lyriq e o grande Vistiq (com três fileiras de bancos). O terceiro modelo, Optiq, está em fase final de homologação.

Foco é no segmento de alto luxo. A estratégia combina veículos 100% elétricos, tração integral e alto nível de conectividade. Concessionárias exclusivas concentram-se, inicialmente, em São Paulo, Curitiba e Brasília. Entregas programadas para novembro próximo.

No Lyriq destacam-se iluminação vertical de LED e rodas de 22 pol. No interior, tela curva de 33 pol., som AKG de 19 alto-falantes e bancos com massagem. São dois motores elétricos, tração 4×4, 500 cv, 62,2 kgf·m e aceleração 0 a 100 km/h em 5,3 s, apesar de sua impressionante massa de 2.648 kg. Bateria de 95,7 kW⋅h para alcance de até 405 km (padrão Inmetro). Em corrente contínua, recarga de 20% a 80% leva cerca de 40 minutos. Porta-malas enorme: 600 L.

Projetado para seis ocupantes na configuração 2+2+2, o Vistiq é o topo da gama. Entrega 604 cv de potência combinada e torque combinado de 89,7 kgf·m. Aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 s. Alcance declarado de até 395 km (referência Inmetro). Comportamento dinâmico favorecido pela suspensão pneumática com amortecimento adaptativo e esterçamento das rodas traseiras, o que reduz diâmetro de giro e aprimora o comportamento em curvas de alta velocidade.

A GM pretende importar também o SUV Escalade com motor V-8 de aspiração natural, 6,2 L, 426 cv, 63,6 kgf·m e 0 a 100 km/h em 6,2 s, versão “mansa”. No entanto, há dificuldades por diferenças nas normas de segurança americanas e brasileiras. No Brasil é obrigatório encosto de cabeça para todos os ocupantes. Nos EUA, na terceira fileira, não se exige o encosto da posição central, possivelmente por ser uma legislação antiga.

O futuro totalmente elétrico da Cadillac terá de esperar, segundo o site Automotive News, pois a marca adia mudanças importantes em sua linha de veículos desse tipo. Portanto, dá nova vida a sedãs e crossovers a gasolina, que estavam prestes a ser descontinuados.

Preços estimados: R$ 820.00 (Lyriq) e R$ 900.000 (Vistiq).

Caoa Changan CS55 chega em três versões

Apenas a versão intermediária Infinity já está disponível nas concessionárias da marca, mas a quinta geração completa do SUV médio chinês CS55 chega até o fim do ano. Maior novidade está no topo de linha PHEV, primeira aplicação mundial da Changan de um sistema híbrido plug-in com motor flex. Este conjunto integra motor 1,5 L TGDI Flex e outro elétrico com potência combinada de 286 cv e 47 kgf·m para acelerar de 0 a 100 km/h em ótimos 7,2 s. Registra no padrão Inmetro alcances de 536 km (cidade) e 464 km (estrada) com etanol e 785 km e 663 km, respectivamente, com gasolina. Segundo a Caoa, consegue até 42,4 km/l (gasolina sem etanol), tanque de 51 L, no bastante otimista ciclo chinês.

Na versão PHEV, isolamento acústico é ampliado com vidros laminados também nas janelas dianteiras. Outro destaque é o iE-M, tecnologia baseada em IA. Este aprende o padrão de condução do motorista e, a partir das informações coletadas durante a utilização do veículo, o classifica automaticamente em uma das seis diferentes possibilidades. Há ainda tela integrada de 24,9 pol. e o pacote de assistência Adas Nível 2+.

Primeiras impressões foi com o CS55 Infinity produzido em Anápolis (GO). Motor TGDI turbo flex 1,5 L entrega 180 cv 29,2 kgf·m, o mesmo utilizado no crossover Uni-T. Câmbio automatizado DCT de sete marchas com dupla embreagem tem seletor de marchas por meio de alavanca na coluna de direção. A tração é dianteira e há três modos de condução: Eco, Normal e Sport. Aceleração de 0 a 100 km/h, na média do segmento, em 8,1 s.

Além do acabamento muito bom, a maioria dos comandos centraliza-se na tela do multimídia, mantendo teclas apenas para o ar-condicionado. Só fica difícil achar alguns comandos básicos, como regulagem dos espelhos retrovisores, que vários modelos chineses teimam em deixar fora das portas. Por meio de aplicativo no celular é possível ligar o motor à distância e, através de comando na chave, o SUV pode entrar e sair de vagas apertadas sem ninguém sentado ao volante. Porta-malas tem 525 litros, mas sem especificar se segue padrão VDA.

Preço de lançamento: R$ 154.990.

* Coluna Fernando Calmon aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Começou em 1º de maio de 1999.
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