Reposição automotiva no Brasil deve preservar seu mercado de pós-vendas

Nem toda internacionalização é saudável para o mercado brasileiro, assim como nenhuma concentração é sadia
Reposição automotiva no Brasil deve preservar seu mercado de pós-vendas

É evidente como uma instituição privada e que representa os interesses de empresas privadas, somos favoráveis ao livre mercado e a concorrência saudável, no entanto é importante que a cadeia de reposição automotiva brasileira fique atenta a movimentos que embora pareçam estabelecer concorrência para melhor opção do mercado, o que é extremamente sadio, sinalizam uma forma de impor sua cultura, cuja evolução resulta em conquista, o que é sem dúvida prejudicial ao mercado e a sociedade.

Vamos lá, esclarecer este imbróglio que sorrateiramente vem se desenvolvendo na América do Sul e com mais dificuldade no Brasil por sermos em termos de cultura e mercado um híbrido de europeu, norte-americano e o mais forte “brasileiro”, isto é, temos nosso DNA, face sua grande mistura de raças, de história, de tamanho geográfico entre outros atributos.

Os norte-americanos a algum tempo desenvolveram o projeto de padrão de dados de autopeças chamado “ACES e PIES” que usam vários bancos de dados relacionais que contém informações padronizadas e codificadas ,também conhecidas como dados de referência , e entre os últimos desenvolvimentos o VCdb – Banco de dados de configurações de veículos que foi expandido para agora oferecer veículos vendidos nos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Panamá, Peru. Estes são sinais claros de conquistas de novos mercados com possível intenção de domínio de padrão, e não de oferta de concorrência para ajudar o mercado local em questão. Estas situações já são mais transparentes hoje em dia quando lemos notícias de padrão americano, padrão europeu, ocidente em detrimento do oriente e por aí vai.

Por outro lado, temos os europeus através da TecAlliance chamado “TECDOC”, cujo slogan em sua página pública na Internet no Brasil já diz tudo, “Seu parceiro global no processo de digitalização e padronização no mercado de reposição automotiva”, ou seja, um tom de impulsionar sua cultura de padrão ao invés de dar opções de livre escolha ao mercado, não que este e o modelo norte-americano não estejam fazendo isto, mas toda esta configuração e entendendo o jogo mundial do pós-vendas faz-se necessário refletir.

E não menos importante ou talvez por não ter uma grife internacional, temos o produto genuinamente brasileiro e feito para o mercado brasileiro da empresa FRAGA, cujo diferencial é ter nascido da base, com um árduo trabalho de campo, que culminou no que podemos chamar com orgulho da nossa multinacional de origem brasileira neste assunto com tentáculos em inúmeras indústrias de autopeças e atendendo suas necessidades internacionais sem com isto impor seu modelo em outro país ou continente. Além disto entende e atende a distribuição de autopeças com maestria, passando por varejos de autopeças e recentemente se tornando o catálogo oficial de autopeças do SINDIREPA BRASIL para consultas das empresas de reparação de veículos em todo o Brasil.

Não obstante e seguindo o mesmo raciocínio, a cadeia de valor de reparo por colisão, entendido como Aftermarket gerado pelas seguradoras também enfrentam situações similares, ou seja, empresas de tecnologia que mantém o sistema conhecido internacionalmente como DRP – Direct Repair Program e popularmente conhecido no Brasil como “orçamentação eletrônica”, dispositivo que é utilizado por seguradoras e oficinas para realizar o orçamento do veículo sinistrado. No Brasil temos a empresa internacional SOLERA com o produto chamado “AUDATEX” que seguiu a mesma linha de raciocínio do modelo citado anteriormente e que deixou o mercado em apuros por falta de competição e possibilidade de escolha. Apenas para não ficar uma novela, tivemos neste assunto empresas internacionais como a norte-americana “MITCHELL” e a espanhola “CESVIMAP” com seu produto “ORION” que por fim foi absorvida pela “AUDATEX”, enquanto a “MITCHELL” saiu do mercado brasileiro.

Surpreendente, a criatividade do povo brasileiro fez acontecer a empresa “CÍLIA TECNOLOGIA S.A.”, através de seu sistema chamado “CÍLIA”, que permitiu arrefecer o mercado, fortalecendo a direção da livre escolha, situação que entendemos a ideal para o mercado que é a concorrência perfeita. No entanto, observa-se que apenas a competição com apenas duas empresas ainda deixa o mercado inseguro e vulnerável, dificultando o equilíbrio de forças e com isto prejudicando o bom funcionamento da engrenagem.

Poderíamos ilustrar mais na área de comércio eletrônico, onde o risco ronda a cadeia produtiva do Aftermarket pela perda de relacionamento com o nascedouro da demanda e seus elos seguintes, além de fragilizar a criatividade que temos presenciado de maneira brilhante no nosso querido Brasil, então ficamos por aqui e que todo os leitores tenham uma boa reflexão.

Fonte: Sindirepa Brasil

Programa EMPRESA AMIGO DO VAREJO