“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Crescimento baixo, déficit fiscal crônico e alta dívida devem marcar 2027

Na Plenária da FecomercioSP, Fernando Schüler critica o populismo eleitoral e a falta de compromisso do presidente reeleito com o equilíbrio fiscal

28/10/2026

Convidado para analisar os resultados das eleições de 2026 na Plenária das Diretorias da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e do Centro do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Cecomercio), o filósofo e cientista político Fernando Schüler traçou um cenário pessimista para a economia brasileira no ano que vem. A perspectiva é fruto da política fiscal adotada pelo governo e de problemas acumulados, como juros altos, aumento da dívida pública, baixo crescimento e endividamento das famílias. Segundo ele, no processo eleitoral, os candidatos não discutiram as principais questões que interessam ao País.

Na abertura da reunião, o presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua, mencionou os entraves que afetam o ambiente de negócios, afirmando que a Entidade cobrará o enfretamento de questões estruturais. “É importante deixar claro que a FecomercioSP não estabelece alinhamento automático com governo algum, independentemente de sua orientação política.
Podemos ter afinidades (e é natural que existam), mas jamais subserviência. Nossa atuação seguirá fundamentada na defesa dos interesses legítimos do setor produtivo”.

Confira, a seguir, a principais considerações de Schüler a respeito das eleições e suas consequências à política e à economia.

Controle dos gastos públicos

O déficit crônico e a alta dívida pública são problemas que não foram abordados durante a campanha eleitoral. Há duas maneiras de fazer um ajuste fiscal: pelo lado da receita ou pelo lado da despesa. O governo reeleito tende a buscar o ajuste pela receita. Lula não considera que o Brasil tenha um problema fiscal ou de juros. Pode haver algum enxugamento ou contenção de gastos, mas não serão realizadas reformas estruturais, como a Administrativa e a da Previdência, tampouco privatizações.

Carga tributária

Lula fez promessas na campanha eleitoral sem previsão orçamentária. Caso nada seja feito e não haja reformas estruturais, a carga tributária poderá chegar a 42,8% em 2050, segundo estimativa baseada em parâmetros internacionais e demográficos. “Se o Brasil já é pouco viável com uma carga atual de 33% a 34%, imagine com 42,8%.”

Papel do empresariado

O setor empresarial deve seguir alertando para a inviabilidade da carga tributária e da necessidade de reformas. Também é insustentável manter a produtividade estagnada por mais 10 ou 20 anos, uma vez que o País está envelhecendo. Os empresários devem fortalecer a atuação em Brasília, trabalhando com parlamentares de centro e da oposição para barrar iniciativas populistas.

Reformas política e eleitoral

Há reformas que deveriam ser feitas para melhorar a governança nacional, como a política e a eleitoral. O voto distrital pode melhorar a qualidade da representação. Também deveriam ser discutidos o fim do fundo eleitoral, da reeleição e do horário eleitoral, além de mais equilíbrio na representação parlamentar. Hoje, por exemplo, o voto de um cidadão de São Paulo vale sete vezes menos que um cidadão do Acre ou do Amapá. São Paulo, que deveria ter 120 deputados federais, tem 70.

Segurança jurídica

Nos últimos anos, o Brasil se afastou das regras do jogo, da lei e da Constituição, comprometendo a estabilidade jurídica. Essa estabilidade é fundamental tanto para a democracia quanto para os negócios. No Brasil, a lei virou uma hipótese: eventualmente se cumpre, eventualmente não se cumpre. Haverá risco de aparelhamento do Supremo Tribunal Federal (STF) com novos indicados do Partido dos Trabalhadores (PT) durante o novo mandato de Lula, e isso poderá impactar as decisões sobre temas de interesse dos empresários.

Lula e Trump

Trump é, hoje, um presidente relativamente enfraquecido internamente. Ele não gosta de perdedores. Pode até gostar da família Bolsonaro, mas, frente à vitória de Lula, tenderá a reconhecer quem venceu.

Fonte: FecomercioSP

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