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Apenas 20% das autopeças já investem para atender demanda da eletrificação

Por Lucas Torres jornalismo@novomeio.com.br

A cadeia de produção de automóveis 0km envolve muito mais do que apenas as montadoras. Sendo assim, os fatores que determinarão o sucesso de projetos como o da eletrificação automotiva estão altamente ligados ao desenvolvimento da chamada cadeia de suprimentos composta pelos fabricantes de componentes e autopeças. Pensando nisso, a Anfavea se uniu ao Sindipeças e à consultoria BCG para promover um estudo sobre o grau de maturidade destes fornecedores no que diz respeito a necessidades ligadas à eletrificação de automóveis.

Para tanto, o levantamento ouviu 65 empresas e entrevistou 15 executivos que atuam no setor automotivo nacional. Dentre diversos apontamentos, chamou a atenção o fato de que 83% da cadeia de fornecedores está em confluência com a ideia de que as características particulares do setor automotivo brasileiro irão fazer com que a eletrificação por aqui se dê de maneira diferente daquela experimentada, por exemplo, pelos europeus.

Confiantes na força do etanol, a grande maioria dos fornecedores da amostra disseram acreditar que o modelo híbrido será protagonista nas nossas etapas de eletrificação – ao menos no que diz respeito ao médio prazo. Mais do que uma previsão do futuro, percepções como essas por parte dos fabricantes de autopeças indicam a direção em que a tomada de decisões de investimentos destes players irá caminhar – além disso, é claro, refletem o feedback que estes estão recebendo das montadoras. Afinal, como disse o presidente do Sindipeças, Cláudio Sahad, as empresas da cadeia de fornecimento são como planetas que orbitam em torno das montadoras, reagindo às suas ações e demandas.

Esta percepção de que a cadeia de fornecimento é responsiva e não proativa, aliás, ficou evidente em um dos tópicos abordados pela pesquisa. Quando questionados sobre a maneira com que conduzirão os investimentos na direção de se adaptarem à maior demanda do mercado de carros elétricos nos próximos anos, 47% dos participantes afirmaram que aguardarão os pedidos das montadoras para destinar verbas neste sentido, enquanto apenas 20% se anteciparam e já alocaram verbas para essa finalidade. Na sequência, separamos alguns outros pontos importantes identificados na pesquisa.

Principais vetores de evolução do setor durante a transição energética no Brasil

• 30% acham que o Brasil deve focar na sua infraestrutura e capacidade de desenvolver plataformas de produção de veículos híbridos.

• 28% responderam que o Brasil pode se tornar centro de exportação de peças e componentes para motores a combustão.

• 24% acreditam que o país tem condições de investir em novas tecnologias, como células de combustível a etanol.

Planos para adaptar os portfólios às novas demandas

 • 44% disseram que devem diversificar a oferta de produtos para suprir as novas tecnologias.

 • 13% afirmaram que pretendem manter o portfólio atual – mesmo que seu foco seja em motores a combustão.

Impactos das possíveis novas demandas nos investimentos em alterações nas plantas e/ou nas formas de atuação

• 56% levam em conta a conversão parcial das unidades atuais para a produção de tecnologias. • 20% recorrerão à importação.

• 15% dizem que será necessário o estabelecimento de plantas totalmente novas.

 Ser proativo ou esperar aguardar o aquecimento das demandas? Participantes responderam sobre a forma como estão abordando eletrificação no âmbito dos investimentos

 • 47% preferem aguardar a demanda dos clientes para destinar verbas nos próximos anos.

• 20% responderam que já iniciaram os investimentos.

• 14% anunciaram que têm planos de investir em um ou dois anos depois de começar tratativas com as montadoras.

Principais desafios da eletrificação à cadeia de fornecimento de autopeças

• 66% disseram que o maior deles é a previsibilidade da demanda nesse tipo de veículo, que, de certa forma, ainda está engatinhando no Brasil.

• 62% atribuem a competitividade da indústria nacional versus mercado internacional como situação a ser encarada de frente pelas empresas.

• 51% acreditam que a capacidade de investimentos é uma condição para o desenvolvimento do setor.

Fonte: Novo Varejo