Por Karin Fuchs
A remanufatura vem ganhando espaço no mercado de reposição automotiva. Segundo Fernando Piton, diretor da Unidade de Negócios de Aftermarket do Grupo Mobility na América do Sul da Eaton, “ela deixou de ser alternativa de nicho e passou a ser um nível de oferta estruturado dentro do portfólio”.
Para o executivo, a tendência é que esse mercado continue crescendo, por três razões. “A primeira é que o benefício é mensurável e auditável. A metodologia ACV (Análise de Ciclo de Vida), baseada em normas ISO, dá transparência aos números, algo cada vez mais exigido por montadoras, frotistas e grandes clientes com metas próprias de descarbonização. A segunda é a equação econômica favorável ao cliente, sem comprometer desempenho ou garantia. A terceira é que o modelo pode ser replicado. A Eaton estruturou o EcoBox como referência para outras famílias de produtos e mercados, e o próprio setor de autopeças pode aplicar os mesmos princípios de logística reversa e eficiência no uso de recursos”, afirma.

Na Eaton, o portfólio de aftermarket na América do Sul trabalha com três linhas: genuína (premium), ECOBox (remanufaturada) e EAP (economy). “A linha remanufaturada é voltada ao cliente que busca equilíbrio entre preço, qualidade e sustentabilidade. Essa opção também protege distribuidores e usuários diante das peças paralelas, oferecendo procedência e garantia de fábrica onde antes havia apenas o recondicionamento informal”, explica.
Programa de remanufatura
O programa de remanufatura de transmissões da Eaton, na planta de Valinhos (SP), começou em 2007 e, posteriormente, deu origem à marca ECOBox®, que hoje reúne as famílias de transmissões e embreagens remanufaturadas.
Entre os principais benefícios, Fernando Piton destaca a redução do consumo de matérias-primas. “A remanufatura substitui a lógica linear de extrair, produzir e descartar pela economia circular. Componentes aprovados retornam ao ciclo produtivo, reduzindo o consumo de matéria-prima virgem e a exposição da cadeia às oscilações de preços do aço e do alumínio”, afirma.
Os resultados foram quantificados por meio de Avaliação do Ciclo de Vida, conforme as normas ISO 14040 e ISO 14044. Segundo a empresa, o processo proporciona uma redução de 25% a 43% na pegada de carbono em comparação com um produto novo.
“Entre 2019 e 2026, o projeto evitou a emissão de 272 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), e o reaproveitamento de materiais metálicos já superou 130 toneladas, entre aço, ferro fundido e alumínio. Além do ganho ambiental, a linha amplia a competitividade da Eaton no mercado de reposição e fortalece o posicionamento ESG da companhia”, acrescenta.
Produto genuíno e remanufaturado
Peças remanufaturadas não significam, necessariamente, menor durabilidade. De acordo com Fernando Piton, os componentes de desgaste são substituídos por peças novas genuínas da Eaton, enquanto os itens em boas condições são reaproveitados após avaliação técnica.
“O produto passa por testes individuais de componentes, teste de vazamento e teste funcional, além de inspeção de 100% dos itens na etapa final, para atender aos padrões de produção OE”, explica.
Outro diferencial, segundo o executivo, é a aplicação das melhorias e atualizações de engenharia durante o processo de remanufatura. “Ou seja, a transmissão sai da fábrica com a versão técnica mais atualizada do produto. Por isso, a ECOBox oferece o mesmo período de garantia do produto novo. Vale distinguir: a remanufatura é feita pelo próprio fabricante original, com procedência e suporte técnico, diferentemente do recondicionamento realizado por empresas não autorizadas”, ressalta.
Vantagens para transportadores e frotistas
O principal benefício para transportadores e frotistas está na redução de custos e no menor tempo de parada dos veículos.
“A ECOBox entrega uma transmissão com os mesmos padrões de qualidade, desempenho e garantia de um produto novo, por aproximadamente 30% menos. Como o produto chega pronto e testado, não é necessário abrir a caixa de câmbio na oficina, o que reduz o tempo de parada do veículo e a necessidade de intervenções de manutenção. Para o mecânico, significa liberar o veículo mais rapidamente, com garantia de fábrica e sem investimento em ferramentas especiais”, afirma.
O executivo também destaca o modelo de troca de casco, no qual o cliente devolve a transmissão usada e paga um valor que varia conforme o nível de desgaste da peça devolvida. “Isso torna o custo ainda mais acessível”, conclui.
Fonte: Balcão Automotivo


















