Termômetro do varejo: Em todo o País, destaca-se quem tem estoque


O mês de março foi bom para os varejistas, mas a dificuldade no fornecimento de peças persiste em um mercado que tem alta demanda (Por Karin Fuchs)
Termômetro do varejo: Em todo o País, destaca-se quem tem estoque

Em um giro pelas cinco regiões do País, os varejistas fazem um balanço do mês de março, as oportunidades e os desafios. A demanda por manutenção aumentou em consequência da postergação da troca do veículo pela alta dos preços dos novos e usados, enquanto para muitos a falta de peças continua sendo um problema. O diferencial tem sido para quem tem estoque.

César Naves, da Jaicar Autopeças, de Goiânia (GO)

E quem bem diz isso é César Naves, diretor Comercial da Jaicar, destacando que esse foi um dos motivos para o mês de março ter sido recorde de vendas na história da Jaicar. “Foi um aumento significante. O mercado dá muitas oportunidades e o estoque da Jaicar é um dos motivos para termos crescimento em 2022 em relação ao mesmo período de 2021”.

De acordo com ele, “ainda não foi resolvida a falta de peças, mas trabalhamos muito bem o estoque, essa é uma oportunidade para nós. A falta de mercadoria é ruim, mas por outro lado, o mercado se volta para nós. Um dos segredos é termos estoque e habilidade, o que faz a gente crescer. Com a pandemia, todo mundo tirou o pé do acelerador e nós fizemos o contrário, quem acelera não para e tem benefícios”, afirma.

Naves diz também que o primeiro trimestre deste ano foi muito bom para a Jaicar e que deverá ser melhor ainda neste terceiro trimestre. “Não tenho dúvida de que só irá melhorar e nem penso muito em retração, eu acredito no mercado e ele vai reagir. O mercado ainda não está bom, o consumidor perdeu muito o seu poder de compra, os salários não acompanharam os aumentos de combustíveis e das peças. Mas acredito que vai melhorar”.

Poderia ser melhor

Sidney Campos, da Campos Auto Peças, de São Paulo (SP)

Na Campos Auto Peças, em São Paulo (SP), Sidney Campos informa que março foi um mês bom, mas poderia ter sido melhor. “Nós tivemos um bom faturamento em março, conseguimos superar as expectativas. Porém, a falta de peças é um desafio ainda muito forte para nós, estamos tendo muito problema com a reposição de peças, e parte do faturamento do mês foi impactada por esse motivo, por termos perdido vendas”.

A falta de peças mudou também a forma como as compras são feitas na Campos. “Nós elegíamos uma marca e trabalhávamos unicamente com ela. Hoje, quando vamos fazer uma cotação, abrimos o leque para mais fabricantes e distribuidores para poder suprir essa falta de mercadorias. E mesmo com uma lista com uma redundância de tentativa de compra de mais ou menos 150 itens, nós não encontramos de nenhuma marca e percebemos que isso está longe de acabar”, lamenta.

Ele conta que essa falta não é só de peças tecnológicas ou que têm semicondutores em sua fabricação e que dependem de manufatura externa. “Outra questão é o aumento de preços. Quando um produto está vendendo muito, a gente já fica em alerta, pois ele pode estar com o preço defasado”.

Segundo ele, a principal oportunidade é a idade da frota. “Ela está ficando mais velha, forçando os proprietários a fazer uma manutenção mais apurada, do que não era feito antes. Isso é um dos fatores para o aumento de demanda no mês de março”, explica.

Inflação e reajuste de preços

Bruno Reginatto, da BL Auto Peças, de Novo Hamburgo (RS) e região

Bruno Reginatto, da BL AutoPeças, em Novo Hamburgo (RS) e região, acredita que os principais desafios neste ano serão driblar a inflação e os reajustes constantes de preços dos fabricantes de autopeças. “Todos os meses, em cada novo pedido, recebemos ajustes de boa parte dos fornecedores. Repassá-los ao consumidor e ao reparador é uma parte bem delicada do nosso negócio, mas seguimos sempre na luta para trazer o melhor preço e qualidade a quem nos procura”, afirma.

A grande oportunidade também para este ano, destaca ele, é a vida voltar ao normal. “Com certeza, será a volta da circulação do povo nas ruas, as aulas presencias em escolas e universidades, os comércios de rua, as grandes indústrias e todos que voltarão a circular novamente com seu meio de transporte e, assim, fazendo reparos e manutenções em um número maior do que nos anos de 2022 e 2021, anos os quais a circulação foi bem reduzida”.

Reginatto conta que os resultados foram positivos nas vendas em março. “Podemos notar que a circulação aumentou bastante nas ruas após o Carnaval e com o fim de diversas restrições que ainda tínhamos na região desde o início da pandemia. As duas primeiras semanas de março foram bem impactantes positivamente no resultado, e o restante do mês foi dentro do esperado”.

De maneira geral, ele diz que o primeiro trimestre do ano foi bom. “Algumas lojas se destacaram mais do que as outras, mas no geral, não foi o que esperávamos para o início de 2022, mas um trimestre de bons números para o varejo”. Para o próximo trimestre, Reginatto comenta que ele deverá ser muito bom para todo o varejo “Acreditamos que há muita demanda reprimida em diversas áreas e que esse próximo trimestre possa voltar a aquecer o comércio, em diversas áreas além das autopeças”.

Gestão

Kleybson Lucena, da Lucena Auto Service, de Recife (PE)

Na Lucena Auto Service, em Recife (PE), Kleybson Lucena pontua que o crescimento foi de 5% em março em relação ao mês anterior. “Consideramos que as vendas ficaram estáveis, tendo em vista que o Carnaval foi imprensado entre o final de fevereiro e início de março. Com isso, percebemos um final de fevereiro e um início de março fraco nas vendas”.

E ele coloca outros números. “No balanço do primeiro trimestre, o crescimento foi de 6%, o que consideramos um bom resultado. Entretanto, fazendo um histórico de vendas antes da pandemia, ficamos 10% abaixo de nossas meta. Historicamente, a nossa empresa sempre tem melhores resultados a partir do segundo semestre em diante. Tem um ditado que aponta que o brasileiro só inicia suas atividades após o Carnaval. Parece que é verdade, pois sempre temos resultados mais satisfatórios após o Carnaval. Estamos bem otimistas”.

Lucena destaca que a frase principal para 2022 é uma boa gestão. “As oportunidades estão na visibilidade da empresa, em sempre conquistar novos clientes e a fidelização, oferecendo serviço de qualidade, bom atendimento e preços justos. Os desafios são enormes, como a guerra, pandemia e eleição. Esses fatores mexem com o mercado e uma boa gestão será a palavra-chave”.

Sazonalidade

Edmilson Begatti, da Norte Auto Peças, de Manaus (AM)

Edmilson Begatti, da Norte Auto Peças, Manaus (AM), diz que o mês de março não foi tão ruim em relação a fevereiro. “Mas, não chegamos ao volume que tínhamos em mente, tivemos uma melhora referente ao mês de janeiro, uma crescente pequena. Normalmente, o primeiro trimestre em Manaus é um pouco fraco devido ao alto índice de chuva. Geralmente, para nós, o pico de vendas no comércio de autopeças é nos meses de junho e julho”.

Assim como na Jaicar, Begatti diz que o diferencial deles está no volume de estoque. “No Amazonas e nos outros estados em que temos loja, a Norte Autopeças é considerada a maior no ramo de estoque. Nós temos um estoque muito forte e essa é a principal oportunidade, ter mercadoria a pronta entrega”. O grupo é composto pela Norte Auto Peças e Sudeste Auto Peças. Ao todo são 31 lojas nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Acre, Amapá, Maranhão e Bahia.

Mesmo assim, ele diz que o grande desafio está nas prateleiras. “O maior desafio de meados do ano passado e ainda presente, é conseguir fazer com que cheguem mercadorias nas nossas prateleiras. As indústrias ainda estão muito fracas no atendimento, elas não estão conseguindo atender todas as demandas. Hoje, esse é o principal desafio no ramo de autopeças”.

Fonte: Balcão Automotivo

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