“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Nova picape Tukan aumentará competitividade da Volkswagen

Coluna Fernando Calmon nº 1.392

11/03/2026

A informação chega em conta-gotas. De acordo com a fabricante alemã, trata-se do primeiro modelo híbrido flex básico produzido no Brasil com a marca VW. Contudo, nada adiantou se utilizará bateria de 12 V ou 48 V. Muito menos o porte da picape, embora tenha confirmado que o índice de conteúdo local será de 76%. Chegará às concessionárias apenas em 2027 e tudo indica no primeiro trimestre. Lançamento está previsto para o último trimestre deste ano. Terá a companhia da nova Amarok produzida na Argentina. Tukan, fabricada em São José dos Pinhais (PR), trará de volta o amarelo que esteve na paleta de cores de vários produtos da marca desde o Fusca, na década de 1970.

Claro, que isso provoca investigações, especulações e já se sabe pelo menos o seu porte, pois terá a mesma arquitetura do T-Cross. Haverá versão de entrada, cabine simples, voltado ao uso comercial preponderante, sucessora da Saveiro e suspensão traseira por molas semielípticas, como a Strada (ainda desconhecido o tipo de mola, se em feixe ou parabólica). Tukan também terá cabine dupla e tamanho muito próximo (algumas fontes informam dimensões praticamente iguais) da Toro, inclusive com molas helicoidais na suspensão traseira. Neste porte outras concorrentes seriam Maverick, Rampage e futura Niagara, da Renault. Montana é menor na distância entre eixos, apesar de volume razoável na caçamba.

Tukan será um produto inteiramente desenvolvido pela engenharia brasileira da marca de Wolfsburg. Versões de topo receberão rodas de liga leve, no mínimo de aro de 18 pol. e interior com materiais de melhor aspecto. Além do conhecido três-cilindros, turbo de 1 L e 128 cv com etanol, caberá aos modelos de maior preço a estreia do híbrido flex de quatro-cilindros, turbo, 1,4 L e provável potência maior que os atuais 150 cv (etanol) com bateria de 48 V. Consumo de combustível menor está garantido. Distância entre eixos deverá chegar, segundo especulações, aos três metros, ou seja, apenas 1 cm superior à Toro.

Queda de exportações afeta produção no bimestre

Embora o mercado interno de veículos leves e pesados tenha registrado, no mês passado, a segunda melhor média diária de vendas dos últimos 10 anos, a produção nos dois primeiros meses de 2026 recuou 8,9% para 368.000 unidades. Este resultado foi reflexo da queda de 28% nas exportações, especialmente para a Argentina.

Vendas no primeiro bimestre (nacionais e importados) tiveram leve recuo de 0,1%. Nível de estoques na soma dos pátios de fabricantes e concessionárias de todo o Brasil caiu de 57 dias em janeiro para 50 dias em fevereiro, um pouco acima do considerado normal. Nas estatísticas da Anfavea, os estoques de produtos nacionais no mês passado eram de apenas 26 dias e os importados representavam 182 dias de vendas.

Por trás destes 182 dias muito acima do razoável, está a estratégia da BYD que importou milhares de carros a fim de aproveitar a janela de imposto de importação (I.I.) mais baixo para incentivar a comercialização de elétricos e híbridos. Nenhum outro importador pôde bancar financeiramente esta ação clara de dumping (tática comercial desleal). A partir de julho próximo, o I.I. subirá para a alíquota histórica de 35%, mas a marca chinesa ainda terá milhares de modelos estocados com alíquotas menores.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, chamou atenção para possíveis impactos logísticos e econômicos (leia-se preço do petróleo) como reflexo da guerra (mais uma…) no Oriente Médio. “São desafios para manter crescimento de produção, vendas e exportações observados nos últimos anos”, acrescentou. A comercialização tem subido de forma muito discreta e ainda está longe do recorde de 2013, quando se venderam 3,767 milhões de unidades com incentivos fiscais, deve-se ressaltar. Para 2026 o crescimento previsto é de apenas 2,7% para 2,762 milhões de veículos leves e pesados ou 26,7% e um milhão de unidades abaixo do recorde de 13 anos atrás.

Distribuição das vendas de automóveis e comerciais leves no primeiro bimestre de 2026 (%): gasolina, 3,6; híbrido, 6,5; híbrido plugável, 4,8; diesel, 10,5; flex, 69,6; elétricos, 5. Elétricos representam apenas 5% das vendas totais, um nicho portanto. De fato, ainda muito longe dos comentários exageradamente otimistas. Haverá crescimento, porém em ritmo difícil de prever. Badalação excessiva não vai melhorar este cenário.

GAC Hyptec HT: grande, porém bem ágil

Imponência do SUV elétrico grande, topo de linha, da chinesa GAC chama logo a atenção. Mais ainda as portas traseiras elétricas no estilo asa-de-gaivota, um opcional que custa R$ 50.000. Estas permitem os passageiros entrar e sair em vagas tão apertadas que nem o motorista e seu eventual acompanhante conseguem. Isso se dá pela largura do veículo, de quase dois metros.

O interior espaçoso, inclusive para os três passageiros do banco de trás, é um dos destaques. Motorista e seu acompanhante dispõem de ajustes elétricos nos bancos. Central multimídia de 14,6 pol. só permite integração com Apple CarPlay, mas em breve também Android Auto. Regulagem dos espelhos externos exige comando pela tela e dois botões no aro central do volante, nada prático.

Dimensões (mm): comprimento, 4.395; entre-eixos, 2.935; largura, 1.920; altura, 1.700; Volumes (L): porta-malas, 432; Massa: 2.140 kg. Motor traseiro, 245 cv; 31,5 kgf·m; Alcance (padrão Inmetro, km): 362.

Essas referências, ao longo da avaliação em cidade e estrada, mostraram que o desempenho, apesar da massa muito elevada (mais de duas toneladas), ainda proporciona agilidade que chega a surpreender. Ultrapassagens rápidas em estradas e respostas ao acelerador bastante diretas em ambientes urbanos passam confiança. Incomoda, na mudança de faixa, uma certa resistência da direção mesmo ao ligar a seta.

Com carga máxima, no entanto, é preciso diminuir o entusiasmo. Em rodovias de pista única, por exemplo, deve-se ficar ainda mais atento nas ultrapassagens. Agilidade precisa ser relativizada porque se torna comum a sensação de superioridade. Também há seguidos avisos (em inglês) de que carros adentram na estrada pela pista direita.

Preço: R$ 359.990.

Ranger XL foca em picapes de trabalho

Proposta é cobrir todas as opções: cabine simples, chassi-cabine e cabine dupla, além de câmbio manual ou automático de seis marchas. Motor turbodiesel 2-L, quatro cilindros, 170 cv e 41,3 kgf·m, calibrado para entregar força em rotações mais baixas e trabalho pesado, além de menor custo operacional. Consumo médio de 10,7 km/l (padrão Inmetro) e tanque de 80 litros. Assim, a Ranger XL pode superar 860 km de alcance.

A Ford passa a disputar com mais força segmento que representa fatia importante das picapes médias de trabalho. Capacidade de carga de 1.223 kg, na versão manual, a 1.170 kg, na automática. Além de versatilidade, a exemplo de ambulância ou baú. Chassi recebeu longarinas e travessas de aço especial, 30% mais resistente a torções em comparação à geração anterior. Suspensões também aprimoradas, de maior curso e amortecedores externos à longarina. Solução rara no segmento, a fim de melhorar estabilidade e comportamento dinâmico.

Oferece sete airbags, assistente de partida em rampas, controle automático em descidas, limitador de velocidade, direção de assistência elétrica ativa, controles automáticos de velocidade e estabilidade, central multimídia de 10 pol., conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, ajustes de altura e profundidade do volante e faróis de acendimento automático.

Preços: R$ 248.600 a R$ 282.600.

* Coluna Fernando Calmon aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Começou em 1º de maio de 1999.
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