Por Natália Scarabotto
As mudanças promovidas pelo governo federal nas regras para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) se tornaram realidade, passando a valer a partir de janeiro em todo país. Além de reduzir os custos para os futuros motoristas, a medida também pode ajudar mulheres a acessar o documento.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o Brasil ainda tem um porcentual baixo de mulheres entre as CNHs válidas. Em um total de 87 milhões de carteiras ativas, apenas 36% desse volume, ou pouco mais de 30 milhões, pertencem a uma motorista.
Na avaliação da cofundadora do centro de treinamento Mulheres Habilitadas, Grace Alves, as mudanças no processo da primeira CNH ampliam o acesso ao direito de dirigir, beneficiando principalmente pessoas de baixa renda e, claro, as mulheres.
“A redução de custos e a flexibilidade de tempo para fazer as aulas acaba sendo um grande facilitador, principalmente para encaixar na rotina de uma mulher que tem que trabalhar, cuidar da casa e dos filhos”, afirmou.
As mudanças na prova prática também ajudam a tornar a avalição menos tensa e mais acessível. “Muitas pessoas reprovam não porque não sabem fazer, mas porque o nervosismo, a ansiedade, o medo e o ambiente de tensão acabam fazendo com que a pessoa reprove. Quando você tira essa obrigatoriedade, a pessoa consegue ir mais tranquila e tem um resultado mais positivo na prova.”
Grace lembra ainda que até hoje barreiras sociais e culturais dificultam esse acesso para mulheres. “O preconceito ainda é uma realidade. Muitas mulheres que buscam o nosso treinamento vem pela falta de incentivo, de apoio, e porque sofrem com a falta de paciência de quem tenta ensinar.”
Dirigir é independência e superação para mulheres

Esses desafios foram sentidos pela influenciadora e técnica em mecânica, Vittória Gabriela, 29 anos, quando decidiu tirar sua primeira habilitação aos 19 anos.
“Eu sempre quis ser totalmente independente e dirigir representa isso, mas eu não entendia nada de carro e tinha medo da prova porque ouvia de várias amigas que tinham reprovado. Aquilo me deixava com medo e muito ansiosa, por isso adiei por um ano, até acabar a fase do cursinho e começar a faculdade.”
Quando começou a graduação, ela se mudou de Goiânia (GO) para Brasília (DF), precisou enfrentar o medo da estrada e teve que aprender sobre mecânica.
“Quando comecei a dirigir não ia para lugares longes, não pegava estrada e evitava rampas. Com a prática fui conseguindo”, contou. “Antes também tinha ajuda do meu pai para resolver qualquer problema no carro, mas quando me mudei tive que aprender para me virar sozinha.”
A partir da sua experiência e dos desafios em comum com outras mulheres, ela criou a Dona do Meu Destino, uma comunidade digital para ensinar mecânica básica e cuidados com o carro para mulheres, que hoje tem mais de 880 mil seguidoras.
“Percebi que não estava sozinha e tinham outras mulheres passando pelos mesmos medos e dúvidas que eu”, disse Vittória.
Entre suas seguidoras, as novas regas da CNH tem sido comemoradas. “Tenho recebido muitos feedbacks de mulheres animadas porque agora vão poder realizar esse objetivo.”
O que muda com a novas regras para CNH?
As novas regras para tirar a CNH foram sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de facilitar e baratear o custo para obtenção do documento.
Uma das mudanças é o curso teórico, que antes exigia 45 horas presenciais em autoescola, e agora pode ser feito de forma online e gratuita no aplicativo CNH Brasil. Para as aulas práticas, os candidatos podem escolher realizá-las em autoescolas ou com instrutores autônomos credenciados pelo Detran.
A prova prática agora pode ser feita com carro equiapado com câmbio automático. A baliza deixou de ser etapa obrigatória do percurso e não tem mais a reprovação por erros leves, como esquecimento da seta, por exemplo. Em caso de reprovação, o candidato terá direito a uma segunda tentativa gratuita.
Com todas as novas medidas, a primeira CNH fica até 80% mais barata para os brasileiros. O custo que era em média de R$ 3 mil cai para R$ 700 a R$ 800, segundo o governo.
Fonte: Automotive Business


































