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Librelato reestiliza todos os implementos na nova Série Avant

Com R$ 65 milhões, fabricante reestiliza todo o portfólio na Série Avant, amplia solda robotizada e projeta 10,5 mil unidades

28/10/2026

Por Gustavo Queiroz

A Librelato está conduzindo um ciclo de investimentos de aproximadamente R$ 65 milhões voltado à robotização, ao desenvolvimento de produtos, à qualificação de pessoal e à ampliação da capacidade de resposta industrial. O movimento, apresentado por Rodrigo Corso, diretor de Operações da Librelato, combina a reestilização de todo o portfólio na Série Avant com a expansão de células robotizadas de solda, testes de campo, simulação computacional e treinamento interno. A companhia projeta fechar o ano com 10,5 mil unidades produzidas e cerca de 1 mil produtos exportados, resultado puxado principalmente pelo mercado externo.

Segundo Corso, o investimento não se limita à compra de robôs ou dispositivos e envolve também melhoria da condição econômica dos profissionais, testes de campo, software de simulação e desenvolvimento de mão de obra. “Não adianta investir em tecnologia e trazer um projeto excelente se a mão de obra não está qualificada”, destaca.

Na área industrial, a Librelato já opera com solda robotizada em partes estratégicas da produção. A estrutura da graneleira é 100% soldada por robôs, incluindo chassi, vigas e caixa de carga. Na linha de basculantes, o processo de solda de frontais e portas traseiras está em operação há cerca de seis meses, com ganhos de qualidade, redução de custo e melhoria ergonômica. A empresa também instalou uma célula robotizada para alimentação e desalimentação de uma prensa de 1.500 toneladas, dedicada a travessas passantes da graneleira, com o objetivo de retirar do operador o esforço repetitivo no manuseio de peças pesadas.

“O objetivo é tirar essa operação da mão das pessoas e colocar o equipamento na movimentação, porque isso elimina esforço repetitivo. As pessoas têm de usar mais a cabeça para pensar e desenvolver”, defende o diretor. Ele lembrou que a evolução das funções já transforma soldadores em operadores e programadores de robôs, com impacto direto na renda e na qualificação da equipe.

No desenvolvimento de produtos, a Librelato realizou entrevistas com clientes, análise de elementos finitos com mais de 1.700 horas de simulação, testes de campo e fabricação de protótipos antes da consolidação comercial. O sistema de iluminação, por exemplo, passou de 330 milímetros para 450 milímetros de comprimento, ampliando visibilidade e segurança.

Librelato Série Avant Tanque
Librelato Série Avant Tanque | Foto: Divulgação

Na basculante, a caixa de carga foi encurtada e ligeiramente elevada, o Dolly foi alongado e o produto passou a alcançar 83 graus de inclinação para descarga sem necessidade de desengate. A caixa também passou a ser 100% soldada, substituindo a solda intermitente, além de receber nova geometria de cordas, alteração da coluna do para-choque, corrente de óleo reposicionada e proteção de mangueiras.

A graneleira, por sua vez, incorporou ajustes no sistema de lona, com esquadrejamento e revitalização do conjunto, além de mudanças nos fechamentos para permitir o transporte de contêineres de 20 e 40 pés sem retirada das tampas. A vedação recebeu atenção específica para reduzir perdas de grãos, item crítico de competitividade no transporte. A companhia destaca que a graneleira conta com mais de 9.300 configurações diferentes e que o portfólio total supera 40 mil versões possíveis, incluindo graneleira, basculante, tanque, carrega-tudo, porta-container, carga seca, frigorífico e linha florestal.

Na linha de furgão de alumínio, lançada há cerca de dois anos, a empresa dobrou o volume de um ano para o outro. O produto oferece comprimentos de 14,60 a 15,350 metros e alturas de 2,90 a 3,05 metros. Entre as mudanças estão a inclusão de um batente de borracha com contorno de aço, guia para acoplamento, frontal reforçado, chassi inferior mais estruturado para entrada de paleteiras, perfil lateral com transpasse duplo de 78 milímetros e rebitagem dupla, teto 100% com ômegas, alinhamento entre ômegas laterais e de teto, rodapé metálico e reforço de união entre lateral e teto. Uma máquina automatizada recém-adquirida reduz o tempo de montagem de um painel lateral de cerca de 20 horas para aproximadamente duas horas.

Rodrigo Corso
Corso: Frontal de todos os implementos foram ainda mais
reforçados na Série Avant | Foto: Divulgação

A versão HD do furgão permite escoramento de pneus em toda a lateral e altura do produto, enquanto kits opcionais possibilitam carga fracionada e double deck. No furgão monobloco, a Librelato informa participação superior a 20% do segmento, com sistema de fixação independente que permite cargas em alturas diferentes. Já a linha frigorífica, iniciada recentemente, utiliza painel lateral com estrutura em X, injeção de polietileno, revestimento interno em chapa pré-pintada ou fibra, quadro traseiro em aço inox, termômetro, portinholas dianteira e traseira e piso em sistema T com 1.400 milímetros para distribuição de temperatura. A empresa projeta 140 unidades vendidas no ano.

Na linha de tanques, o investimento incluiu a internalização do recuperador de vapor, nova proteção da boca superior, escada lateral revista e melhorias de segurança para trabalho em altura. A produção passou a contar com simulação de layout via Plant Simulation e três robôs para solda do corpo do tanque, incluindo emenda de cabeçote, emenda final do corpo e berço. A empresa vendeu 80 tanques no primeiro semestre e projeta entregar 420 no segundo, encerrando o ano com cerca de 500 unidades, ante previsão inicial de 150.

Na linha porta-container, a companhia afirma ter o produto mais leve do mercado, com sistema de agrupamento e sinaleiras recortáveis para reduzir danos em operação. Na linha florestal, a empresa revitalizou estrutura e tara, oferece amarração pneumática ou manual e reforçou malhais dianteiro e traseiro para conter a carga em frenagens bruscas.

Mercado

João Librelato: "A expectativa é vender 3.000 implementos na Fenatran 2026" | Foto: GQ/Frota&Cia
João Librelato

Em termos de mercado, João Librelato, diretor Comercial e de Marketing da Librelato, projetou fechamento de 2026 com 10,5 mil unidades produzidas, crescimento de 6,5% sobre o ano anterior, puxado pela exportação, já que o mercado interno deve ficar praticamente estável. “O mercado exportador cresceu 20% e a Librelato avançou 45%, chegando perto de 1.000 produtos exportados”, afirmou. A Argentina deve encerrar o ano com cerca de 280 equipamentos, ante 100 no primeiro ano de operação, enquanto o Paraguai mantém volume de 450 a 500 unidades anuais. A empresa diz ser líder no Paraguai e no Uruguai e busca avançar no Chile.

Para a Fenatran, a expectativa é vender 3.000 unidades, com cerca de 1.500 já negociadas em pré-venda entre clientes fiéis à marca e cancelamento histórico de 15%. O volume estimado de vendas na feira é de aproximadamente R$ 450 milhões. “Mesmo com o aumento de custo, a Série Avant entrega cerca de 7% de ganho no TCO. Na condição de pré-venda até a Fenatran, o diferencial chega a 15% mantendo o preço da Evolut. Após a feira, o reajuste será em torno de 1%”, explica Librelato.

A empresa opera com capacidade instalada de 70 unidades por dia e produz atualmente entre 45 e 50 unidades diárias. A estratégia para os próximos anos inclui ampliar a proximidade com o cliente por meio dos 115 pontos de concessionárias e estudar postos avançados de remontagem, especialmente no exterior (Paraguai), para reduzir custo logístico. Hoje, a Librelato tem cerca de 4.000 clientes ativos, com 22% de participação no segmento de autônomos, contra 12% no geral. “O grande desafio é crescer em market share sem perder a base de clientes menores, que construiu a empresa”, finaliza o executivo.

Fonte: Frota&Cia

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