O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou, nesta quarta-feira, 20/08, às 10h, que os contribuintes brasileiros já pagaram R$ 2,5 trilhões em tributos. Esse valor representa o total de impostos, taxas e contribuições pagos aos governos federal, estaduais e municipais desde o início do ano, incluindo multas, juros e correção monetária.
No ano passado, igual valor foi alcançado 23 dias mais tarde. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, explica que a aceleração da arrecadação ocorreu por uma combinação de fatores, entre eles, destaca-se o aquecimento da atividade econômica.
“A inflação também desempenhou um papel relevante, uma vez que o sistema tributário brasileiro é majoritariamente baseado em impostos sobre o consumo, que incidem diretamente sobre os preços dos bens e serviços”, completou Ruiz de Gamboa.
O economista também aponta outros fatores que explicam o crescimento da arrecadação: a tributação de fundos exclusivos e offshores; mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; retomada da tributação sobre combustíveis; a tributação das apostas (Bets); impostos sobre encomendas internacionais (como a taxa sobre as “blusinhas”); a reoneração gradual da folha de pagamentos; o fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (PERSE); o aumento das alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Gasto Brasil
As associações comerciais também monitoram os gastos dos governos por meio da plataforma Gasto Brasil, ferramenta que compartilha o painel físico com o Impostômetro na fachada da sede da ACSP, na Rua Boa Vista, Centro da capital paulista.
O objetivo é mostrar, de forma clara e acessível, como o governo utiliza o dinheiro público. Até o momento, o Gasto Brasil aponta que já foram gastos mais de R$ 3,3 trilhões.
Enquanto a arrecadação tributária soma cerca de R$ 2,5 trilhões, os gastos não financeiros (primários) do setor público, em todas as esferas de governo, já ultrapassam R$ 3,3 trilhões no mesmo período, segundo dados da plataforma.
“Esse desequilíbrio entre arrecadação e despesas primárias é preocupante, porque mostra que o Brasil está operando no vermelho mesmo antes de pagar os juros da dívida. Isso compromete a sustentabilidade fiscal e pressiona ainda mais a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas”, avalia Ruiz de Gamboa.
Fonte: Diário do Comércio – Imagem: Paulo Pampolin/DC