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Fim da taxa das blusinhas provoca queda da confiança do empresário em setembro

Apesar da falta de isonomia tributária no ramo do vestuário, Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) cresceu em outros segmentos, em comparação a 2025

30/09/2026

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta quarta-feira (30), registrou o pessimismo do setor brasileiro em setembro de 2026, baixando para os 100 pontos, patamar que indica neutralidade nas percepções do setor. Entre os recortes da pesquisa, o segmento de bens semiduráveis – que abrange roupas, calçados, tecidos e acessórios – apresentou uma readequação em suas expectativas. Esse movimento coincide com o período em que o mercado interno observa os efeitos do fim do imposto de importação sobre remessas internacionais (a chamada “Taxa das Blusinhas”), fator que tem incentivado uma maior participação do comércio exterior no consumo.

A pesquisa aponta que a confiança no comércio desses bens semiduráveis registrou queda de 1,3% na comparação mensal. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o segmento é o único a apresentar variação negativa, recuando -1,7% em 12 meses. Segundo dados da Receita Federal, as remessas internacionais declaradas passaram de 15,2 milhões em agosto de 2025 para 26,5 milhões no mesmo mês de 2026, um crescimento de 74%.

Em termos financeiros, o montante dessas importações avançou 79% no período, alcançando a marca de R$ 526 milhões. Diante desse cenário, a expectativa econômica específica do segmento de semiduráveis recuou 4,6% em setembro. O subíndice Expectativas para os empresários de roupas e calçados anotou variações de -4% no comparativo mensal e de -1,4% no comparativo anual.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, aponta o lado inovador e empreendedor do comerciante como ferramenta para superar as adversidades mostradas pela pesquisa. “Os dados observados refletem a adaptação do setor varejista nacional à atual conjuntura tributária e concorrencial, continuamente questionada pela CNC ao longo do debate em torno da isenção da “Taxa das Blusinhas”.

Apesar deste cenário de pessimismo recente no setor de vestuário, o levantamento demonstra estabilidade e avanços em outras áreas do varejo, demonstrando a resiliência e capacidade de adaptação que o empresário brasileiro desempenha para manter seu negócio em atividade em um momento de tantas incertezas”, comenta Tadros.

Leia mais: CNC volta a defender isonomia tributária após sanção da lei que extingue a taxa das blusinhas

Recuo de um lado, esperança do outro

Numa perspectiva mais ampla, o levantamento demonstra que a visão de longo prazo do setor preserva alguns indicadores favoráveis. Apesar da readequação receosa do setor têxtil observada no mês, o índice geral do Icec registrou um crescimento de 1,7% em relação a setembro de 2025, sinalizando que os empresários avaliam o ambiente de negócios como mais favorável do que o verificado no mesmo período do ano passado.

Essa resiliência também se reflete na visão prospectiva do varejo: mesmo com o recuo de 1,9% no Índice de Expectativas em setembro, a maioria dos dirigentes (59,5%) segue projetando melhora econômica para os próximos meses. Além disso, a gestão operacional aponta um cenário de equilíbrio, com a percepção sobre o nível de estoques configurando-se como o único componente de investimentos a apresentar alta mensal (+0,3%), alcançando, ainda, um avanço de 1,3% na comparação anual.

O comércio de bens duráveis (como eletrônicos e eletrodomésticos), por exemplo, obteve o maior avanço na comparação anual (+3,9%), beneficiado por um nível de preços que tem favorecido a comercialização desses itens. Além disso, no quadro geral do comércio, as intenções de contratação de funcionários mantiveram trajetória positiva, com crescimento de 4,2% no ano, indicando resiliência no mercado de trabalho varejista.

• Acesse a íntegra da pesquisa e a série histórica aqui.

Fonte: CNC

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