A durabilidade é o atributo mais associado à qualidade das autopeças por consumidores brasileiros, mencionada por 59% dos entrevistados em uma pesquisa inédita realizada pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva em parceria com a Ipsos. O levantamento, apresentado nesta quarta-feira (14), durante o 12º Fórum IQA da Qualidade Automotiva, também identificou a segurança (50%), a garantia (36%), a certificação (34%) e o custo-benefício (33%) entre os principais fatores relacionados à percepção de qualidade no mercado de reposição automotiva.
Além da divulgação do estudo, o encontro foi marcado pelo lançamento da Plataforma LAB, ambiente digital desenvolvido para conectar laboratórios e empresas que demandam ensaios laboratoriais. O evento reuniu representantes de diferentes segmentos da cadeia automotiva para discutir os desafios da competitividade, a integração de novas tecnologias e a importância da qualidade para o futuro da mobilidade.
Pesquisa revela os atributos mais valorizados pelos consumidores
A primeira pesquisa realizada pelo IQA em parceria com a Ipsos investigou como os consumidores percebem a qualidade no mercado de reposição automotiva (aftermarket), considerando hábitos de manutenção, critérios de escolha de peças e serviços e a influência das marcas nas decisões de compra.
Os resultados mostram que a durabilidade ocupa a primeira posição entre os atributos associados à qualidade, seguida por segurança, garantia, certificação e custo-benefício. Os dados oferecem uma perspectiva sobre os fatores que influenciam a confiança dos consumidores e suas expectativas em relação aos produtos.
O levantamento mede a percepção dos entrevistados, e não a qualidade técnica das autopeças. Essa distinção é relevante porque a conformidade e o desempenho dos produtos dependem de critérios objetivos, como requisitos técnicos, ensaios e processos de avaliação da conformidade.
Durante a apresentação, Marcelo Pereira, Head Automotivo & Mobilidade da Ipsos, destacou a importância da capacitação profissional para transmitir confiança ao consumidor.
“Quando você tem equipes treinadas, quando você tem equipes que sabem o que fazer, como aplicar uma análise, como fazer um diagnóstico, como conversar com o cliente, ele traz confiança, ele transmite confiança”, afirmou.
Plataforma LAB busca aproximar laboratórios e empresas
Outro destaque do Fórum foi o lançamento da Plataforma LAB, iniciativa do IQA voltada à conexão entre a oferta e a demanda de ensaios laboratoriais no setor automotivo.
O ambiente digital foi desenvolvido para ampliar a visibilidade dos laboratórios, facilitar a consulta a informações sobre os serviços disponíveis e aproximar empresas que necessitam de ensaios de instituições capazes de realizá-los.
Ao reunir essas informações em uma única plataforma, a iniciativa busca facilitar a identificação de serviços laboratoriais e ampliar as oportunidades de conexão entre os diferentes agentes do mercado.
Lideranças discutem desafios para a competitividade automotiva
Com o tema “Inovação e Excelência Operacional na Mobilidade: Cultura, Pessoas e Processos para Competitividade Sustentável”, a 12ª edição do Fórum IQA reuniu lideranças de montadoras, fornecedores, concessionárias, aftermarket independente e órgãos governamentais para discutir o papel da qualidade diante das transformações da indústria automotiva.
Na abertura, participaram Cláudio Moysés, presidente do IQA; Douglas Palma, diretor do Sindirepa-SP; José Lewton Monteiro Junior, vice-presidente da Fenabrave; Cláudio Sahad, presidente da Abipeças-Sindipeças; e Gilberto Martins, diretor técnico da Anfavea.
“Qualidade e inovação não são forças opostas. Na nova indústria da mobilidade, qualidade é o que permite inovar com confiança e escalar com segurança”, afirmou Cláudio Moysés.
A integração entre inovação, desenvolvimento humano e eficiência operacional esteve entre os principais assuntos do encontro. Na palestra magna, Yuliya Merkwirth, Head of Training & Development da VDA-QMC, abordou a influência da cultura organizacional e da capacitação de pessoas na construção de sistemas de qualidade mais eficientes. Segundo ela, o futuro da qualidade depende não apenas de normas e ferramentas, mas também da forma como os profissionais aprendem e aplicam o conhecimento.
Ionara Lima, embaixadora D&I (Diversidade & Inclusão) do IQA e líder de Contas Internacionais da Cummins, também destacou a contribuição da diversidade, da inclusão e do desenvolvimento humano para a inovação e a competitividade empresarial.
Nos debates voltados à indústria, representantes da Bosch, da General Motors e da Volkswagen discutiram produtividade, custos e confiabilidade, com destaque para a prevenção de falhas, a resolução estruturada de problemas e o uso de dados para melhorar processos e reduzir desperdícios.
No segmento de concessionárias, as discussões abordaram a gestão de estoques, a eficiência financeira e a satisfação dos clientes. O uso estratégico de informações foi apontado como ferramenta para equilibrar a disponibilidade de peças, os custos e o capital de giro.
Já no aftermarket independente, o comércio eletrônico e a inteligência artificial estiveram no centro do debate. Os participantes destacaram as oportunidades de digitalização do mercado, mas também alertaram para desafios relacionados à procedência das autopeças, à segurança e à confiabilidade das informações técnicas disponibilizadas aos consumidores.
O encerramento contou com um painel dedicado ao papel do governo no fortalecimento da infraestrutura da qualidade. Leonardo Rocha, assistente da Diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro, e Ricardo Fermam, coordenador-geral de Acreditação substituto do órgão, discutiram a integração entre regulamentação técnica, normalização, metrologia, acreditação, avaliação da conformidade e vigilância de mercado.
Mediado por Alexandre Xavier, diretor-superintendente do IQA, o debate destacou o papel da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, na gestão da qualidade e na modernização dos processos de regulamentação e avaliação da conformidade. O painel também abordou a importância dos programas de certificação para ampliar a confiança nos produtos e sistemas, apoiar a inovação e fortalecer a competitividade do setor automotivo.
Prêmio da Qualidade Automotiva reconhece iniciativas de inovação e excelência
A programação do Fórum incluiu ainda a 6ª edição do Prêmio da Qualidade Automotiva 2026, que reconheceu projetos e trabalhos voltados ao desenvolvimento da qualidade na cadeia automotiva.
Uma das novidades desta edição foi a criação da subcategoria “Qualidade em Inovação e Novas Tecnologias – Projetos Acadêmicos”, destinada a estudantes de graduação e pós-graduação. O primeiro vencedor foi Alberto Bittencourt, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com o projeto “Aplicação das ferramentas do Lean Six Sigma na melhoria do processo de gestão de mudanças de uma fábrica automobilística”.
Na categoria Qualidade Automotiva no Jornalismo, o primeiro lugar foi conquistado por Vinicius Montoia, do Jornal do Carro/Estadão, com a reportagem “Carro elétrico pode pegar fogo? Engenheiros explicam causas, riscos e o que fazer”. Soraia Abreu, da AutoData, ficou em segundo lugar com “Grupo Sada investe R$ 200 milhões em recicladora de veículos”. A terceira colocação foi de Rodrigo Mora, do Jornal do Carro/Estadão, pela reportagem “Eletropostos podem entregar menos energia do que cobram do motorista”. O jornalista foi representado na cerimônia por Vinicius Montoia.
Em Qualidade em Processos Produtivos, Rodrigo Ramiro e sua equipe, da ZF Automotive, conquistaram a primeira colocação com o projeto “Redução de Refugo por Melhoria da Usinabilidade do Material Fundido”. O segundo lugar ficou com Alberto Bittencourt e sua equipe, da Jaguar Land Rover (JLR), pelo projeto “Torque Viewer”, enquanto a equipe de Emanuel Vitor Ceccon, da Robert Bosch, recebeu o terceiro lugar com “Ambiente+”.
Na categoria Qualidade em Inovação e Novas Tecnologias, Matheus Sumny e sua equipe, da Viemar Automotive, conquistaram o primeiro lugar com o projeto “Viemar V30 – Tecnologia elastomérica proprietária para componentes automotivos”. A segunda posição foi de Emerson Batagini e sua equipe, da Robert Bosch, com “Do vácuo ao eletromecânico: a transição do sistema de freio para eficiência energética veicular”. Em terceiro lugar ficaram Sidnei Nasser e a equipe da Therpol, com o projeto “Economia circular real no setor automotivo – O poder da borracha natural no plástico reciclado”.
Sobre o IQA
Criado em 1995 por entidades do setor e do governo, o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva é uma organização sem fins lucrativos de desenvolvimento e disseminação da Qualidade no Setor da Mobilidade, com objetivo de proporcionar mais segurança ao consumidor, a partir de produtos, sistemas e pessoas com qualidade assegurada através de certificações compulsórias ou voluntárias. Representante de órgãos internacionais e acreditado pela CGCRE – Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (www.inmetro.gov.br) como organismo de certificação, promove treinamentos presenciais e online, conteúdo em publicações/estudos técnicos, inspeções e ensaios de laboratório, com uma cultura de inovação e proximidade às necessidades das organizações e sociedade.


















