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Diante de incertezas fiscais e inflacionárias, pausa nos cortes da Selic é necessária

Entidade defende manutenção dos juros até que o governo apresente sinais claros de compromisso com o equilíbrio fiscal

04/11/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciará, hoje (4), sua primeira decisão sobre a taxa básica de juros após o segundo turno das eleições presidenciais. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o cenário econômico mudou substancialmente desde a reunião de setembro, quando a Selic foi reduzida para 13,75% ao ano (a.a.). Frente às incertezas fiscais, à pressão cambial e à piora das expectativas de inflação, a Entidade avalia que o mais prudente seria interromper o ciclo de flexibilização monetária e manter a taxa inalterada.

Os indicadores mais recentes de preços reforçam a necessidade de cautela. O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,62%, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. A composição do índice também merece atenção, especialmente pelas altas em alimentação e bebidas (0,88%) e combustíveis (1,2%). Parte do alívio observado veio de componentes mais voláteis, como energia elétrica e passagens aéreas, o que torna menos consistente a desaceleração dos preços.

Além disso, o resultado das eleições provocou uma mudança importante nas expectativas do mercado. Após o segundo turno, o dólar registrou forte valorização, encerrando a R$ 5,40, enquanto os juros futuros avançaram expressivamente. Esse movimento amplia as preocupações com a inflação, uma vez que a desvalorização cambial encarece combustíveis e produtos importados, pressionando os preços internos e dificultando a convergência para a meta.

As projeções do boletim Focus também apontam para uma deterioração das expectativas. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,19% para 5,22%, enquanto a de 2027 avançou de 4,34% para 4,76%, afastando-se ainda mais do centro da meta, de 3%. No mesmo levantamento, a projeção para a Selic ao fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,5%. Esse movimento indica que o mercado passou a incorporar um cenário mais desafiador para a política monetária, justamente em um momento em que a credibilidade do BC é fundamental para ancorar as expectativas.

No ambiente externo, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos acrescentam dúvidas sobre os rumos das políticas fiscal e comercial americanas. Os possíveis desdobramentos, inclusive em relação às tarifas impostas ao Brasil, podem influenciar o comportamento do dólar e os fluxos internacionais de capital destinados às economias emergentes, ampliando os riscos para a conjuntura econômica doméstica. 

Embora os juros menores sejam desejáveis para estimular a atividade econômica, favorecer os investimentos e reduzir o custo do crédito, a FecomercioSP entende que a conjuntura atual não oferece condições seguras para a continuidade dos cortes. Uma redução adicional de 0,25 ponto porcentual (p.p.) teria efeito limitado sobre a atividade, mas poderia ser interpretada pelo mercado como um sinal de tolerância maior com os riscos inflacionários, pressionando ainda mais o câmbio e os juros de longo prazo, que determinam boa parte do custo dos financiamentos para empresas e famílias.

Desta forma, a Federação avalia que a manutenção da Selic preservaria a credibilidade da autoridade monetária e permitiria aguardar sinais mais consistentes sobre os rumos da política econômica. Nesse contexto, o principal fator para viabilizar uma trajetória sustentável de redução dos juros continua sendo o equilíbrio fiscal. É fundamental que o governo reeleito defina a composição da equipe econômica e apresente medidas concretas de contenção das despesas obrigatórias e estabilização da dívida pública. Sem esse compromisso, o prêmio de risco tende a permanecer elevado, limitando o espaço para cortes mais consistentes da taxa básica.

Fonte: FecomercioSP

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