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Por Rodrigo Oliveira
Em março de 2026, foram emplacados 35.356 carros elétricos no Brasil, quase três vezes o total registrado (14.380) no mesmo mês de 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). O avanço tecnológico, a ampliação da rede de eletropostos e o aumento da geração fotovoltaica estão entre os principais fatores desse crescimento. No entanto, o impacto das crises geopolíticas sobre o preço do petróleo surge como mais um componente importante desta equação.
Com o início do recente conflito entre Estados Unidos e Irã, o preço da gasolina subiu cerca de 7,5% no Brasil, entre fevereiro e abril, gerando apreensão entre os motoristas e filas para abastecer em algumas cidades. No mesmo período, o aumento do diesel foi ainda mais drástico, com variações de 22,8% no S500 e 24% do S10, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O cenário remete ao observado no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que também pressionou o preço dos combustíveis no país e incentivou mudanças nos hábitos em relação aos veículos à combustão.
Nesse contexto, é possível observar que a instabilidade no mercado mundial de petróleo vem influenciando a decisão dos brasileiros a optarem por carros elétricos. A edição de 2025 da pesquisa “Global EV Driver Survey”, realizada pela Global EV Alliance, aponta que 62% dos proprietários de carros elétricos no Brasil indicam a economia com recargas como o principal fator de decisão de compra.
No entanto, para esse efeito significativo na escolha dos motoristas brasileiros, foi necessário um grande investimento em infraestrutura e matriz energética.
Estradas pensadas para carros elétricos
Ainda de acordo com a pesquisa da Global EV Alliance, 95% dos brasileiros entrevistados afirmam que ainda é necessário mais planejamento para realizar uma viagem com um carro elétrico do que com um movido à combustão. Por outro lado, 40% disseram que não se sentiam ansiosos em percorrer longas distâncias com seus veículos, refletindo uma consciência de que a estrutura para carregamentos ainda é deficitária, mas segue em expansão.
Outro levantamento da ABVE apurou que o Brasil contava com 21.061 eletropostos até fevereiro de 2026, um crescimento de 42% em 12 meses. Em relação aos postos de recargas rápidas, a quantidade mais do que dobrou ao longo de 2025 e agora eles representam 31% da quantidade total dessas estruturas. Ou seja, a melhoria foi tanto quantitativa quanto qualitativa.
Paralelamente, equipamentos como os wallboxes, adaptadores de tomadas para carregamento residencial, evoluíram e estão mais acessíveis ao público geral, facilitando a recarga em domicílio. Assim como no caso dos eletropostos, a ampliação do acesso exige mais atenção ao comissionamento e manutenção para garantir a segurança de usuário, veículos e infraestrutura contra riscos elétricos e potenciais incêndios, bem como, e para evitar carregamentos de baixa performance, sejam eles incompletos ou muito lentos e inconvenientes relacionados a exemplo de filas extensas.
O papel da energia solar
A expansão da matriz energética fotovoltaica também tem uma participação importante na preferência pelos carros elétricos. Ainda de acordo com a pesquisa da Global EV, 86% dos motoristas brasileiros realizam recargas diariamente ou semanalmente. Esse dado se torna ainda mais relevante quando combinado ao número de 3 milhões de residências que já produzem energia solar por meio de micro e mini sistemas no país, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica.
Apesar desse avanço, limitações estruturais ainda restringem a adoção em larga escala. Por exemplo, em ambientes urbanos e verticalizados é mais complexa a instalação de um sistema que seja capaz de alimentar toda a necessidade de um prédio e abastecer, ainda, estações de carregamento para os carros elétricos dos moradores.
O brasileiro vai se tornar independente do petróleo?
A realidade é que, mesmo com nuances e alguns déficits, a infraestrutura brasileira tem evoluído consistentemente, oferecendo maior confiança aos consumidores. A tendência é que o debate deixe de se concentrar exclusivamente na disponibilidade de eletropostos e avance para a eficiência, confiabilidade e gestão de redes de recarga capazes de atender a uma demanda crescente.
Os cenários recorrentes de instabilidade no preço do petróleo tendem a acelerar a intenção de compra de veículos elétricos, embora seus efeitos levem mais tempo para refletir na infraestrutura urbana. Por mais que as consequências da crise no Oriente Médio ainda pareçam longas para serem mensurados, a ideia de dirigir um carro elétrico e proteger-se das futuras variações do preço do petróleo tornou-se atrativa devido aos avanços tecnológicos anteriores às crises. Ou seja, é preciso ter em mente que essa mudança não se trata apenas do momento geopolítico, mas de uma tendência para o futuro.
























