A primeira preocupação é justamente o momento em que essa mudança ocorrerá. A partir de 17 de dezembro de 2026, a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais, com a previsão de dois descansos semanais remunerados e manutenção dos salários. Isso acontecerá exatamente na semana que antecede o Natal, um dos períodos mais importantes para o faturamento do comércio.
E aqui existe uma particularidade importante: a jornada dos empregados será reduzida, mas a necessidade de atendimento ao consumidor não diminui necessariamente na mesma proporção. Pelo contrário, nessa época do ano, muitas lojas precisam ampliar seus horários de funcionamento, reforçar o atendimento, organizar estoques e atender a um fluxo maior de clientes.
Portanto, o desafio para o empresário não será apenas absorver o aumento do custo da hora trabalhada, mas reorganizar sua operação em um período estratégico para as vendas, evitando que a menor disponibilidade de empregados resulte em filas, demora no atendimento e perda de oportunidades comerciais.
Essa preocupação é especialmente relevante para os pequenos estabelecimentos, que normalmente trabalham com equipes enxutas. Uma loja com três ou quatro empregados, por exemplo, pode enfrentar dificuldades para distribuir as novas folgas sem comprometer funções essenciais, como caixa, vendas, reposição de mercadorias e recebimento de produtos.
Por isso, a primeira orientação é antecipar o planejamento das escalas, e não deixar essa reorganização para dezembro.
O empresário precisa analisar o movimento da loja por dia da semana e por faixa de horário, utilizando, inclusive, o histórico de vendas do Natal anterior. O objetivo é identificar os momentos de maior demanda e garantir que haja trabalhadores suficientes nas funções essenciais.
Outra questão fundamental é a organização dos descansos semanais. A nova regra não exige necessariamente que as duas folgas sejam consecutivas. A Emenda também prevê a possibilidade de regimes compensatórios por negociação coletiva, respeitadas as condições constitucionais. A FecomercioSP vem discutindo alternativas de distribuição das folgas, inclusive escalas diferenciadas, para atividades que precisam funcionar aos fins de semana. Essas possibilidades, entretanto, precisam de respaldo jurídico e coletivo adequado.
Do ponto de vista econômico, também é importante que a empresa avalie a necessidade de reforçar temporariamente sua equipe. A legislação admite o trabalho temporário para atender à demanda complementar de natureza sazonal, desde que observadas as exigências legais. Outras formas de contratação, como jornadas parciais, também podem ser examinadas conforme as regras aplicáveis.
Mas essa decisão deve estar acompanhada de uma análise de custos. A empresa precisa comparar quanto gastará com uma contratação adicional, incluindo encargos e benefícios, e quanto poderá deixar de faturar caso não tenha funcionários suficientes para atender os consumidores.
Também existem oportunidades de melhorar a organização interna. Processos mais eficientes de reposição de mercadorias, controle de estoques, sistemas de pagamento e distribuição de tarefas podem liberar tempo para o atendimento, sem que isso signifique simplesmente exigir mais esforço dos empregados.
Há ainda uma preocupação financeira: dezembro é um mês que concentra despesas importantes para o empresário, incluindo décimo terceiro salário, fornecedores, estoques e outros compromissos. Portanto, qualquer custo adicional com a reorganização das escalas precisa ser considerado no fluxo de caixa.
A principal orientação é que o empresário trabalhe com três frentes simultaneamente: planejamento das escalas, dimensionamento da equipe e controle financeiro. Essas decisões precisam considerar as exigências legais, as particularidades da atividade e a demanda efetiva dos consumidores.
A FecomercioSP também tem destacado a importância da revisão antecipada das convenções coletivas e da orientação dos sindicatos patronais para apoiar as empresas nessa transição.
Por fim, o grande desafio do varejo neste fim de ano será conciliar a nova organização da jornada com a necessidade de manter as lojas funcionando e atender bem o consumidor. O Natal representa uma parcela importante das vendas anuais de muitos estabelecimentos, e perder oportunidades de faturamento nesse período pode comprometer o resultado financeiro do negócio. Por isso, mais do que simplesmente ajustar as folgas, o empresário precisa planejar suas escalas, avaliar os custos e organizar sua operação com antecedência. A preocupação é cumprir as novas regras, preservar a qualidade do atendimento e não comprometer as oportunidades de vendas justamente no momento mais importante do ano para grande parte do comércio.
Fonte: FecomercioSP





















