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Carros populares sustentam alta de 0,15% em outubro, enquanto modelos de maior valor recuam

Valorização dos usados desacelera para 4,91% em 12 meses; diferenças entre segmentos refletem a concorrência com veículos novos e ajudam a explicar os resultados regionais

06/11/2026

Os preços dos automóveis leves usados continuam desacelerando no Brasil, mas o movimento ocorre de forma diferente entre os segmentos. Enquanto modelos populares mais antigos sustentam a valorização dos preços, veículos de maior valor apresentam quedas, em um ambiente de maior concorrência com os novos. É o que mostra o IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos preços dos automóveis leves usados no país. Em outubro, o indicador avançou 0,15%, metade da alta de 0,30% registrada em setembro.

No acumulado do ano, o índice registra alta de 4,02%, abaixo dos 4,42% observados no mesmo período de 2025. Considerando os últimos 12 meses, a variação foi de 4,91%, também inferior aos 5,12% registrados em setembro, indicando uma desaceleração gradual da inflação dos automóveis usados.

Entre os modelos que mais contribuíram positivamente para o resultado de outubro do IBV Auto estão o Ford Fiesta (+4,83%), Fiat Uno (+3,37%) e Volkswagen Fox (+2,92%). Na outra ponta, Toyota Corolla (-1,33%), Jeep Renegade (-1,74%) e Chevrolet Tracker (-2,01%) foram os destaques negativos para o índice do último mês.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, a desaceleração da inflação dos usados combina fatores econômicos e setoriais. “O ritmo mais moderado da atividade e a concorrência com os veículos novos ajudam a conter os reajustes no mercado de usados. Mas esse movimento não é uniforme: os modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da alta, enquanto os de maior valor enfrentam maior pressão competitiva. O resultado é uma inflação mais baixa nesse mercado, embora os preços ainda avancem no agregado”.

Norte registra maior alta regional, enquanto Sul tem queda

No recorte regional da variação de preços dos usados, o Norte apresentou a maior alta em outubro, de 0,54%. Já o Sul teve a maior retração entre as regiões, com recuo de 0,33%. Ao todo, 19 das 27 unidades da Federação registraram aumento nos preços dos veículos usados em outubro. Mato Grosso liderou as altas, com avanço de 1,09%, enquanto Minas Gerais apresentou a maior retração, de 0,82%.

Na análise dos últimos 12 meses, as maiores altas foram registradas no Rio de Janeiro (+6,24%), em Alagoas (+6,12%) e em Sergipe (+5,98%). As menores variações ficaram com os estados do Espírito Santo (+2,89%), São Paulo (+2,91%) e Pará (+3,09%).

“O mercado de usados reúne veículos de diferentes faixas de preço, com condições de oferta e concorrência próprias. A composição das negociações em cada região ajuda a explicar as diferenças nos resultados”, destaca Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV. “A expectativa é que a acomodação dos preços continue até o fim do ano, com comportamentos distintos conforme o modelo e o segmento.”

Elétricos seguem com maior desvalorização entre os usados

Os veículos elétricos continuam apresentando as maiores perdas de valor de revenda. Entre os modelos ano 2023, a desvalorização acumulada até outubro de 2026 chegou a 47,24%, ante 29,12% dos híbridos e 23,34% dos veículos a combustão comparáveis. Embora os elétricos mantenham a maior desvalorização acumulada, a piora recente entre híbridos e veículos a combustão indica que essa pressão também começa a atingir outros tipos de propulsão.

Metodologia IBV Auto

O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão – combustão, híbrido ou elétrico

A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.

O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.

Além disso, o IBV Auto busca medir a evolução das taxas de desvalorização de cestas comparáveis de automóveis híbridos (HEV), elétricos (BEV) e a combustão (ICE) mensalmente. O objetivo principal é permitir a comparação da desvalorização de automóveis com diferentes tipos de propulsão (a combustão, híbridos e elétricos), tomando como base veículos de mesma idade e características gerais comparáveis (preço quando novo, tamanho, categoria, país de origem, entre outros).

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