Com a evolução das tecnologias de pintura automotiva, as tintas utilizadas na fabricação dos veículos passaram a apresentar acabamentos cada vez mais translúcidos. Essa característica faz com que a tonalidade das camadas inferiores, especialmente a do primer, interfira diretamente na cor percebida após a aplicação da tinta. Por isso, a escolha do fundo tornou-se parte importante do processo de igualação entre a área reparada e a pintura original.
“Na repintura, um dos desafios é reproduzir não apenas a tonalidade da tinta, mas também o comportamento dela sobre a superfície. Como os acabamentos mais translúcidos deixam a camada de fundo interferir no resultado, a escolha do primer precisa acompanhar as características de cada cor e suas variantes”, explica Ricardo Vettorazzi, gerente técnico de Repintura Automotiva da PPG.
Na prática, isso significa que o profissional precisa ajustar a tonalidade do primer à cor que pretende reproduzir. Para atender a essa necessidade, a linha PPG Deltron Greymatic reúne três produtos (D8010, D8015 e D8017) que, combinados, permitem obter cinco tonalidades de cinza. Com essa correspondência entre o primer e a tinta, é possível reduzir ajustes nas etapas de acabamento e evitar o consumo desnecessário de material.
O que um bom primer precisa entregar
Além de contribuir para a reprodução da cor, o primer tem funções essenciais na preparação da carroceria. O produto deve promover a ancoragem das camadas seguintes, nivelar a superfície e, dependendo de sua formulação, oferecer proteção contra a corrosão e resistência à umidade. A escolha também deve considerar o substrato que receberá a aplicação, como pintura original, chapa nua ou massa de poliéster, já que cada superfície apresenta necessidades específicas.
“Um cuidado importante é respeitar a espessura de filme seco indicada para cada produto. Aplicar uma camada mais espessa ou mais fina do que a recomendada pode comprometer o desempenho previsto para aquele sistema. Por isso, não existe uma orientação única: é preciso seguir os parâmetros definidos no boletim técnico de cada primer”, explica Vettorazzi.

Tecnologia para identificação dos tons
Nas oficinas, a digitalização também tem mudado bastante a rotina dos profissionais. Equipamentos de leitura eletrônica, softwares de gerenciamento e bancos de dados com milhões de fórmulas ampliam os recursos disponíveis para identificar e reproduzir cores, reduzindo a dependência exclusiva da avaliação visual do profissional.
Nesse contexto, o PaintManager, software de gerenciamento de cores da PPG, auxilia na identificação de tonalidades e na consulta de fórmulas para reproduzir a pintura original dos veículos. A ferramenta também indica qual tonalidade de primer utilizar em cada aplicação, considerando a influência do fundo no resultado final.
“Hoje, o profissional precisa lidar com uma variedade maior de cores, efeitos e acabamentos. Ter acesso a um banco de fórmulas e a ferramentas que orientam a identificação das tonalidades ajuda a tornar esse trabalho mais preciso. A tecnologia amplia sim os recursos disponíveis na oficina, mas o conhecimento técnico continua fundamental para interpretar as informações e conduzir o processo de repintura”, conclui Vettorazzi.





















