A escassez de mão de obra qualificada está entre os principais desafios enfrentados pelo setor de reparação automotiva no Estado de São Paulo, segundo dados levantados pelo Sindirepa-SP — Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo, de cada 10 oficinas, de sete a oito relatam dificuldades recorrentes para contratar profissionais principalmente técnicos.O Estado de São paulo concentra 36.570 oficinas, sendo que 40% estão localizadas na Grande São Paulo, segundo dados do anuário da Indústria de Reparação de Veículos do Brasil edição 2025/2026.
As maiores carências de profissionais estão concentradas nos segmentos de diagnóstico eletrônico e funilaria e pintura, mas também alcançam profissionais em início de carreira. O cenário é agravado pelo envelhecimento da força de trabalho, na Grande São Paulo, a idade média dos profissionais do setor está entre 40 e 50 anos, enquanto a entrada de jovens não acompanha o ritmo de aposentadorias e desligamentos.
Diante desse quadro, a Escola SENAI Conde José Vicente de Azevedo, conhecida como SENAI Ipiranga Automobilística, e o Sindirepa-SP realizarão a última etapa do Programa Empregar SENAI, a Feira de Empregabilidade, no dia 03 de outubro, das 09h00 às 17h00 (sábado), no SENAI Ipiranga (Rua Moreira de Godoi, 226 – Ipiranga).
A iniciativa busca aproximar oficinas com ofertas de vagas e profissionais formados ou em formação interessados em ingressar na carreira, o Senai também realiza ofertas de vagas através de um canal direto que divulga aos alunos.
O evento contará com espaços para visitação e palestras com especialistas do SENAI e proprietários de oficinas e informações sobre capacitação estimulando assim a entrada de novos profissionais no setor.
Formação voltada à transformação tecnológica- O SENAI Ipiranga possui curso de formação e pós-graduação, a maior parte dos alunos é composta por trabalhadores que atuam na reparação e manutenção de veículos automotores.
A unidade oferece cursos de Formação Inicial e Continuada, aperfeiçoamento e especialização, com duração que varia, em sua maioria, entre 40 e 160 horas. Entre as áreas de formação estão:
· Diagnóstico e manutenção de baterias de alta tensão para veículos eletrificados;
· Diagnóstico eletrônico de sistemas automotivos;
· Manutenção de motores de combustão interna;
· Sistemas de transmissão;
· Funilaria e pintura;
· Martelinho de ouro;
· Estética automotiva;
· Manutenção de motocicletas, caminhões, entre outros.
A evolução tecnológica dos veículos ampliou a necessidade de profissionais capazes de trabalhar com eletrônica embarcada, sistemas digitais de diagnóstico e tecnologias de propulsão eletrificada, ao mesmo tempo, especialidades tradicionais, como funilaria e pintura, continuam entre as que apresentam maior demanda no mercado.
Entrada na profissão pode ocorrer sem experiência– A carreira de reparador automotivo pode ser iniciada sem experiência anterior. Pessoas com mais de 16 anos e que estejam cursando o ensino médio podem ingressar em cursos de aprendizagem industrial e técnicos, conforme os requisitos de cada formação.
Outra porta de entrada é o curso de Auxiliar de Mecânico, com duração de 40 horas, cuja capacitação oferece os fundamentos iniciais da profissão e pode facilitar o acesso às primeiras oportunidades no mercado de trabalho.
Em São Paulo, conforme levantamento do Sindirepa-SP, a remuneração média no setor é estimada entre R$ 3.500,00 e R$ 5.500,00, com variações de acordo com o porte da empresa, função e nível de especialização.
As faixas indicadas pelo setor são:
Perfil profissional Remuneração estimada
Auxiliar ou início de carreira R$ 1.800,00 a R$ 2.500,00
Profissional pleno ou generalista R$ 3.200,00 a R$ 4.800,00
Especialista em funilaria, pintura, eletrônica ou
veículos elétricos R$ 5.500,00 a R$ 9.000,00 ou mais
Desafio: Entre os fatores apontados para explicar a escassez estão o menor interesse dos jovens por carreiras operacionais, a defasagem entre a formação tradicional e a rápida evolução tecnológica dos veículos e a concorrência com áreas de tecnologia e serviços.
O setor também enfrenta uma percepção considerada ultrapassada sobre o ambiente das oficinas, para o Sindirepa-SP é necessário mostrar que a reparação automotiva de hoje envolve, tecnologia, diagnóstico digital, sistemas eletrônicos e atualização constante e inovação.
Medidas como bolsas de estudo, programas de treinamento, planos de carreira, melhores condições de trabalho e formação continuada são apontadas como importantes para atrair e reter novos talentos.
“A reparação automotiva está cada vez mais tecnológica e quem se qualifica no setor garante uma carreira estável, rentável com inovações constante”, afirma o Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP.
Integração entre empresas e instituições: A redução do déficit de profissionais depende de uma atuação coordenada entre empresas de reparação de veículos, instituições de ensino, entidades representativas e poder público.
As empresas são chamadas a oferecer salários competitivos, ambientes adequados e oportunidades de formação contínua, já as instituições de ensino precisam manter os cursos alinhados às novas tecnologias dos veículos.
Ao Sindirepa-SP cabe promover parcerias, promover eventos e ampliar a divulgação das oportunidades do setor. O poder público, por sua vez, pode contribuir por meio do incentivo a programas de aprendizagem profissional e do apoio técnico às micro e pequenas empresas.
Com o Programa Empregar SENAI, a expectativa é fortalecer a ligação entre Capacitação, Formação e Oferta de Empregos, ampliando acessos às oportunidades, estimulando a chegada de novos profissionais à reparação automotiva.
SERVIÇO
Feira da Empregabilidade do SENAI Ipiranga Data: 03/10/2026
Horário: 9h às 15h





























