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Produção de caminhões estabiliza em julho mas acumulado ainda é negativo

De janeiro a julho a produção chegou a 68 mil 907 caminhões, queda de 12,1%

07/08/2026

Por Natasha Werneck

A produção brasileira de caminhões acompanhou a melhora mensal das vendas, mas ainda apresenta queda expressiva no acumulado do ano. As empresas fabricantes produziram 12 mil 109 unidades em julho, alta de 11,2% sobre junho, quando saíram 10 mil 894 das linhas de montagem. Os dados foram divulgados pela Anfavea na sexta-feira, 7.

Na comparação com julho de 2025, porém, o volume ficou praticamente estável: foram 12 mil e 58 caminhões naquele mês, uma diferença de apenas 0,4%.

De janeiro a julho a produção chegou a 68 mil 907 caminhões, contra 78 mil 429 no mesmo período de 2025, queda de 12,1%.

Os pesados responderam por 31 mil 429 unidades da produção acumulada, queda de 20,8%. Os semipesados somaram 23 mil 824, recuo de 1,2%, e os médios chegaram a 4 mil 940, alta de 17,5%. A produção de leves avançou 11%, para 8 mil 225 unidades, e a de semileves caiu 14,8%, para 489.

Exportações

As exportações também tiveram desempenho negativo. Em julho foram embarcados 2 mil 265 caminhões, ante 2 mil 759 no mesmo mês de 2025, queda de 17,9%. Na comparação com junho, quando foram exportados 2 mil 93 caminhões, houve alta de 8,2%.

No acumulado de janeiro a julho as exportações somaram 13 mil 535 caminhões, contra 16 mil 203 no mesmo período de 2025, retração de 16,5%.

Vendas

Os emplacamentos cresceram 19,4% em julho, na comparação com junho, para 11 mil 650 unidades. Apesar da reação mensal o mercado ainda acumula queda de 7,2% no ano, com 60 mil 647 caminhões emplacados de janeiro a julho ante 65 mil 337 no mesmo período de 2025.

Na comparação com julho do ano passado, quando foram registrados 10 mil 591 caminhões, o resultado representa crescimento de 10%. O avanço também é registrado na comparação com junho deste ano, que teve 9 mil 755 unidades.

Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, a melhora mensal é positiva, mas ainda não representa recuperação completa do mercado. Segundo ele o desempenho acumulado continua negativo embora tenha melhorado com relação ao início do ano: “Se nós estamos em uma situação ruim agora, de 7%, viemos de uma outra muito pior em janeiro, de 31,5% de queda”.

Juros e custos pressionam mercado

Calvet atribui a dificuldade de recuperação do mercado de caminhões principalmente ao nível ainda elevado dos juros, aos custos de operação do transporte e às dificuldades enfrentadas por parte dos compradores.

“O que acontece neste mercado é que os juros ainda estão muito altos. Tivemos uma ligeira retração agora, na última reunião do Copom, que definiu 14% na taxa de juros básica da economia, ainda insuficientes para que o mercado de caminhões deslanche.”

O presidente da Anfavea também citou o aumento dos custos dos transportadores, incluindo diesel e logística, além das questões geopolíticas. Segundo ele uma parcela importante dos clientes de caminhões é formada por produtores rurais, que enfrentam compressão de margens e queda nos preços das commodities.

“Então o nosso mercado de caminhões continua oscilando negativamente, embora uma situação melhor do que a do começo do ano, o que não quer dizer que tenhamos uma situação muito boa.”

Move Brasil

Na avaliação da Anfavea parte da melhora observada nos emplacamentos nos últimos dois meses está diretamente relacionada ao Move Brasil 2, programa que, segundo Calvet, colocou R$ 20 bilhões na economia para a aquisição de caminhões.

A entidade, porém, prevê a desaceleração do mercado depois do encerramento do programa. Calvet afirmou que a expectativa é a de que os emplacamentos voltem a perder força nos últimos meses do ano, especialmente de outubro a dezembro: “A Anfavea fez uma projeção de que chegaremos ainda com uma queda de 6% ao fim do ano e é um número que tende a se acomodar, sobretudo em virtude do fim do Move 2”.

Segundo ele o encerramento do programa deverá afetar principalmente o fluxo de compras no fim do ano: “Então em outubro, novembro e dezembro é provável que venham a ser meses muito piores em termos de emplacamentos”.

Fonte: AutoData

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