Por Natália Scarabotto
As vendas e a produção de caminhões caíram em 2025, confirmando a tendência de queda sinalizada desde o início do ano passado. Os dados são do balanço anual da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, divulgado na quinta-feira, 15.
Entre 2024 e 2025, as vendas de caminhões recuaram 9,2%, com 113.479 unidades. A categoria de pesados teve o pior resultado do setor, com queda de 20,5% nos emplacamentos em 2025 (49.981 unidades).
Os ônibus e caminhões elétricos ganharam mais espaço no mercado. Em 2025, foram emplacadas 1.255 unidades, o que representa participação de 0,9% no mercado total, ante 0,6% de 2024.
Já as vendas de veículos pesados a gás registraram 669 unidades, o que representou alta de 0,2% para 0,5% de market share entre os anos.
Produção de caminhões recua dois dígitos
A produção de caminhões teve recuo de 12,1%, com 124.100 unidades fabricadas em 2025.
No recorte de dezembro, a queda foi ainda mais significativa. Foram 5,7 mil unidades fabricadas, recuo de 46,4% em relação ao mesmo mês de 2024.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o resultado foi impactado por fatores como a redução dos dias úteis, férias coletivas e questões econômicas.
Mercado de ônibus cresce
O mercado de ônibus, por sua vez, não tem do que reclamar, com leve alta nos licenciamentos e produção. De janeiro a dezembro de 2025 foram vendidos 23.954 chassis, alta de 6,8% na comparação com o acumulado do ano anterior.
Já a produção de ônibus teve leve crescimento de 1,6% em relação a 2024, com 28.191 unidades montadas no ano passado.
Exportações de pesados ficam em alta em 2025
As exportações de caminhões tiveram alta de 50,8% em 2025, com 27 mil unidades enviadas para fora do país. Enquanto os ônibus tiveram 6.452 unidades exportadas em 2025, crescimento de 33,8% em relação ao ano anterior.
Anfavea projeta estabilidade do mercado de caminhões e ônibus para 2026
A Anfavea apresentou também suas projeções para 2026. Segundo Calvet, a expectativa é de “otimismo contido”, com estabilidade no mercado de veículos pesados e ajuda do Programa Move Brasil, lançado pelo governo federal neste mês.
Com isso, a entidade prevê crescimento de 1,4% da produção de caminhões e ônibus. Os emplacamentos devem cair 0,5%, enquanto a exportação deve recuar 1,1%.
“Em 2026 estamos com um otimismo contido porque é um ano que traz bastantes dúvidas e instabilidades em questões geopolíticas, definições da reforma tributária, o resultado do programa Move Brasil, se os juros vão cair, entre outros fatores”, disse o presidente da Anfavea.
Para Calvet, o programa Move Brasil terá um papel importante no início do ano para frear a queda do mercado de pesados. Com ele, serão destinados R$ 10 bilhões para autônomos e frotistas financiarem a compra de caminhões e ônibus novos e seminovos.
“O programa destrava o mercado de caminhões, que estava vindo em um processo bastante ruim, tendo como principal problema as altas taxas de juros. Com o Move Brasil os juros devem variar de 11% a 13,9% (sem contar o IOF), enquanto antes os juros estavam em cerca de 18%”, disse ele.
“Temos expectativas de que isso resulte em um bom volume de vendas de caminhões.”

































