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Vendas do Comércio Varejista de SP registraram queda de 4,5% no primeiro trimestre 

• Em cenário de juros elevados e famílias endividadas, atividades que comercializam bens duráveis foram impactadas negativamente, aponta FecomercioSP • Autopeças e acessórios registra queda de 6% no ano

16/06/2026

As vendas do Comércio varejista paulista atingiram R$ 127,7 bilhões em março, queda de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP). No acumulado do primeiro trimestre, o faturamento real caiu 4,5%, o que representa R$ 16,8 bilhões a menos, mas no acumulado dos últimos 12 meses, ainda apresenta variação positiva de 0,9% [tabela 1].

[TABELA 1]
Faturamento Comércio Varejista — Estado de São Paulo
Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP

Segundo a FecomercioSP, a pesquisa indica que os elevados níveis de endividamento das famílias e a restrição do crédito decorrente dos juros altos seguem impactando negativamente o setor varejista. Desse modo, os segmentos que comercializam bens duráveis, cuja compra normalmente depende de financiamento, foram os que registraram as maiores quedas. Contudo, é importante mencionar que o varejo paulista vem de uma base forte de comparação, de maneira que essa desaceleração já era esperada. 

Mesmo com quadro desafiador, Estado registra 2º maior resultado da série

Embora tenha recuado 2,7% em março, o faturamento de R$ 127,7 bilhões foi o segundo maior da história para o mês, indicando que fatores como aumento da renda e desemprego baixo seguem sustentando o consumo.

Das nove atividades da pesquisa, quatro apresentaram aumento em seu faturamento real: concessionárias de veículos (16,3%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (2,5%); lojas de móveis e decoração (2,3%); e farmácias e perfumarias (0,9%). Já as retrações foram observadas nos grupos de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (-22%); materiais de construção (-8,2%); outras atividades (-5,2%); supermercados (-5%); e autopeças e acessórios (-2,4%) [tabela 2].

[TABELA 2]
Faturamento Comércio Varejista — Estado de São Paulo
Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP

Em edições anteriores da pesquisa, a Entidade já alertava para o cenário de desaceleração frente a uma conjuntura de juros elevados, inflação em patamar desconfortável e famílias endividadas, além de uma forte base de comparação, já que o setor atingiu o maior faturamento da história em 2025. A chegada de datas comemorativas, aliada ao aumento da renda e à resiliência do mercado de trabalho, pode trazer um novo fôlego para as vendas nos próximos meses. 

Nota metodológica

A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) utiliza dados da receita mensal informados pelas empresas varejistas ao governo paulista por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). As informações, segmentadas em 16 Delegacias Regionais Tributárias da Secretaria, englobam todos os municípios paulistas e nove setores (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; materiais de construção; supermercados; e outras atividades). Os dados brutos são tratados tecnicamente de forma a se apurar o valor real das vendas em cada atividade e o seu volume total em cada região. Após a consolidação dessas informações, são obtidos os resultados de desempenho de todo o Estado.

Sobre a FecomercioSP

Reúne líderes empresariais, especialistas e consultores para fomentar o desenvolvimento do empreendedorismo. Em conjunto com o governo, mobiliza-se pela desburocratização e pela modernização, desenvolve soluções, elabora pesquisas e disponibiliza conteúdo prático sobre as questões que afetam a vida do empreendedor. Representa 1,8 milhão de empresários, que respondem por quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e geram em torno de 10 milhões de empregos.

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