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Vendas de pneus recuam 3,2% no ano; queda na reposição é de 6,7%

Indústria segue com o desafio de concorrência desleal de importados, que impactam o mercado de reposição, aponta ANIP

28/11/2025

As vendas totais de pneus no mercado brasileiro em outubro registraram queda de 7,4% frente ao mesmo mês do ano anterior, com 3,4 milhões de unidades comercializadas (saldo negativo de mais de 280.000 unidades). No acumulado do ano, foram vendidas 33,5 milhões de unidades, um recuo de 3,2% frente ao mesmo período do ano anterior, consolidando, uma redução de mais de 1 milhão de pneus. O desempenho foi impactado principalmente pela contração de 6,7% no mercado de reposição.

“O retrato do ano é muito ruim para a indústria, especialmente pelo acirramento da concorrência com pneus importados, que seguem entrando no país a valores muitas vezes inferiores ao custo de produção”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP. “Seguimos trabalhando de forma propositiva para enfrentar as ameaças de perda de investimentos, empregos e de desorganização do ecossistema produtivo no Brasil”, aponta o executivo.

Segundo o dirigente, “buscamos o que o mercado internacional está fazendo, como México, EUA e Europa, que é exigir condições isonômicas de atuação no Brasil, seja por parte de fabricantes ou importadores – e isso tem a ver não só com questões fundamentais envolvendo custos e preços, mas também de cumprimento de normas ambientais e de conformidade técnica”.

No acumulado do ano, o desempenho foi impactado principalmente pelo recuo de 6,7% no mercado de reposição. O segmento de montadoras, por outro lado, apresentou alta de 4,1% no período, insuficiente para compensar as perdas acumuladas do setor.

Na categoria passeio, as vendas totais de pneus apresentaram retração de 2,7% nos dez primeiros meses do ano, enquanto o mercado de reposição recuou 6,6%. As vendas para montadoras, as únicas que apresentarem alguma alta, avançaram 4,9%.

No segmento de carga, as vendas totais no acumulado do ano diminuíram 5,5%. As vendas para montadoras registraram queda de 0,6%, e o mercado de reposição caiu 7,4%.

As vendas de pneus para motocicletas para o mercado de reposição seguiram em queda no acumulado do ano, com recuo de 11,7% no comparativo com o mesmo período de 2024.

Quadro geral das vendas no acumulado do ano:

Retração e Cadeia produtiva
A retração no ano já começa a impactar a cadeia de produção, que envolve produtores de borracha e fabricantes de químicos, têxteis e aço, ecossistema que gera mais de 500 mil indiretos no Brasil. “As dificuldades enfrentadas estão criando um problema sistêmico no Brasil e podem levar à desindustrialização e perda de empregos”, avalia Navarro.

Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), José Fernando Benesi, o setor produtivo da borracha natural brasileira vive um momento de profunda preocupação. “A forte entrada de pneus importados que tem chegado ao nosso país, em condições por vezes desleais, conforme atestado pelas ações antidumping estabelecidas pelo governo, está impactando a indústria e refletindo no produtor”, diz. “Esse desafio representa perda de espaço da indústria nacional e, consequentemente, uma significativa queda na demanda pela borracha natural brasileira”, alerta.

Na avaliação do presidente da Abrabor “quando a indústria nacional de pneus é afetada desta forma, toda a cadeia fica comprometida. O produtor rural, que vive do cultivo da seringueira e do manejo sustentável da floresta, já sente os efeitos da retração do mercado e se preocupa com a viabilidade da manutenção dessas indústrias no país. Precisamos de ações urgentes, e estamos ao lado da indústria nacional para construirmos juntos”, aponta.

Outubro x setembro Desempenho mensal
As vendas de pneus em outubro registram queda de 7,4% no comparativo com o mesmo mês do ano anterior. Segundo o balanço da ANIP, houve perda de volume em reposição, com queda de 4% e recuo de 13,4% no segmento montadoras.

Em contraste com o cenário do ano, frente a setembro, as vendas totais cresceram 8,7%, puxadas pelo desempenho do mercado de reposição, que registrou alta de 15,3%. As vendas para montadoras, por outro lado, tiveram leve queda de 2,3%.

“Tivemos algum alívio frente a setembro, mas o quadro geral do ano é de muita dificuldade para os fabricantes nacionais, que enfrentam concorrência desleal dos importados”, diz Navarro.

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Sobre a ANIP
Fundada em 1960, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende 11 empresas (Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga) e 20 fábricas instaladas no Brasil, em 7 estados. O setor emprega diretamente 32 mil pessoas e mais de 500 mil de forma indireta. 

A ANIP trabalha na gestão da coleta e destinação de pneus inservíveis desde 1999, e criou em 2007 a Reciclanip, entidade voltada exclusivamente para a realização deste trabalho no país. A Reciclanip é uma referência em logística reversa, sendo a maior da América Latina e a 3ª maior do mundo no setor de pneus.

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