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Venda de pneu nacional cai no primeiro bimestre e entidades apoiam manifesto ANIP

• 40 entidades já assinaram manifesto em apoio ao setor• No mercado de reposição, vendas caem 10,1% no bimestre• No mesmo período, pneus de carga tem queda de14,9% e pneus de passeio tem queda de 9,8%

01/04/2026

A indústria brasileira de pneus fechou os dois primeiros meses do ano com vendas em baixa, pressionada por importações de países asiáticos. A venda total de pneus produzidos no país em janeiro e fevereiro somou 5,5 milhões de unidades, volume 10,6% menor que os 6,1 milhões de unidades comercializadas no mesmo período de 2025. Os dados são da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).

No primeiro bimestre as vendas para o mercado de reposição encolheram 10,1%. No mesmo intervalo, as vendas para montadoras encolheram 11, 5%, passando de 2,1 milhão de unidades no primeiro bimestre de 2025 para 1,9 milhão este ano.

No total acumulado, o 1º bimestre de 2026 registrou o menor volume de vendas desde 2019, saindo de 7,5 milhões de unidades para 5,5 milhões, uma queda de 27,5%.

“Os resultados seguem extremamente preocupantes para a indústria nacional, colocando em risco a operação das fabricantes, os empregos e a própria soberania nacional para este insumo estratégico para o país que é o pneu e a borracha”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.

De acordo com o levantamento da ANIP, as vendas totais para pneus de carga foram os mais afetados pela retração, com queda de 14,9%. No segmento de passeio a queda foi de 9,8%. No segmento de pneus para motocicletas houve estabilidade.

O market share dos pneus nacionais fechou o primeiro bimestre em 31%, menos que os 41% verificados no primeiro bimestre de 2025. Em 2021, o índice era de 63%.

“Seguimos em diálogo com o governo e já contamos com o apoio de entidades do nosso ecossistema para que sejam tomadas medidas contra a concorrência desleal”, diz Navarro.

“No manifesto que enviamos no início de março ao Governo Federal, assinado por 40 entidades, nós pedimos medidas urgentes para trazer maior equilíbrio ao mercado”, explica Navarro. Entre as medidas apresentadas pela ANIP e signatários estão:

  1. Estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados; em análise documental detalhada (antifraude); e de comprovação de cumprimento de metas ambientais estabelecidas; além destas, medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo Governo.
  2. Celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.
  3. Estímulo para compras governamentais e em linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo e que efetivamente cumpram com a legislação ambiental e de conformidade técnica vigente.
  4. Adoção pelo Brasil de medidas tarifárias alinhadas com aquelas praticadas por outros países com base industrial forte.
  5. Implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração por parte do Governo Federal.

“Este é um pacote de medidas para buscar reestabelecer as condições de isonomia para preservar a indústria nacional e seu ecossistema, que atualmente emprega 35 mil pessoas diretamente e mais de 500 mil indiretamente. Sem medidas de contenção, empregos estão em risco, além de queda de investimentos, desindustrialização e sérios problemas de soberania nacional neste que é um insumo estratégico para o Brasil”, diz Navarro.

Entidades que apoiam o Manifesto da ANIP
O manifesto, que foi apresentado ao governo tem o apoio da ABBRASP (Associação Borracha Brasileira de Seringueiros Produtores), ABICALÇADOS (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), ABIMETAL (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço), ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química), ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), ABR (Associação Brasileira da Reforma de Pneus), ABRABOR (Associação Brasileira de Produtores e beneficiadores de Borracha Natural), Acirp (Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto), ALAPA (Associação Latino Americano de Pneus e Aros), AMNPS (Associação do Movimento Nacional de Produtores e Sangradores), APABOR (Associação Paulista de Produtores Beneficiadores de Borracha), APROB (Associação de Produtores de Borracha Natural de Goiás e Tocantins), ARESP (Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo), ASSOBAN (Associação Brasileira das Distribuidoras Bridgestone Bandag), CBIP (Cooperativa de Borracha do Interior Paulista), Cooperativa Casul PeanutsCOOPBORES (Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo), COOPER Latex (Cooperativa dos Heveicultores do Centro-Oeste), Coopermata (Cooperativa Cacau Mata Atlântica da Bahia), COOSEF (Cooperativa dos Produtores Rurais de Seringueira da Região de Fernandópolis), COOPAFBASUL (Cooperativa dos Agricultores Familiares do Baixo Sul), COOPBOR (Cooperativa dos Produtores de Borracha Natural), COOPHEVEA (Cooperativa de Heveicultores de Guaraçi/SP e Região), Cooperativa HEVEAFORTE (Cooperativa dos Produtores de Borracha HEVEAFORTE), COOPERVERDE (Cooperativa Ouro Verde Bahia), EMDAPI (Empresa de Destinação Adequada de Pneumáticos Inservíveis), FENABOR (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex), FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), HEVEACOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Espírito Santo), Instituto PNRS (Instituto Brasileiro de Resíduos Sólidos), Natural Rubber Cooperativa, Reciclanip, SERCOOP (Cooperativa dos Seringueiros de Novo Horizonte e Região), SERINCOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Estado de Minas Gerais), SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), SINDIAÇO (Sindicato Nacional da Indústria do Aço), SINPEC (Sindicato Nacional da Indústria de Pneumáticos, Câmaras de Ar e Camelback) e UniHevea (Cooperativa dos Produtores de Látex).

Sobre a ANIP
Fundada em 1960, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, que compreende 11 empresas (Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga) e 19 fábricas instaladas no Brasil, em 7 estados. O setor emprega diretamente 35 mil pessoas e mais de 500 mil de forma indireta.

A ANIP trabalha na gestão da coleta e destinação de pneus inservíveis desde 1999 e criou, em 2007, a Reciclanip, entidade voltada exclusivamente para a realização deste trabalho no país. A Reciclanip é uma referência em logística reversa, sendo a maior da América Latina e a 3ª maior do mundo no setor de pneus.

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