Por Agência EY
Até o último dia de 2032, as empresas vão conviver com dois sistemas paralelos de tributos indiretos, o que traz ainda mais desafios de conformidade. “A reforma tributária prevê período extenso de transição com a retirada gradual dos incentivos fiscais. Os regulamentos publicados no dia 30 de abril marcaram o início da operacionalização”, disse Patrick Seixas, sócio-líder de tributos indiretos da EY Brasil, que participou do 17º International Tax Seminar realizado pela EY em São Paulo na quarta-feira (20/05).
Essa característica de longa transição faz com que o cenário tributário no Brasil seja de otimismo com o futuro por causa da promessa de simplificação da reforma e de adequação do país às melhores práticas internacionais – o que deve trazer mais investimentos produtivos -, mas também de apreensão com um presente marcado por incertezas próprias do regime de transição que podem afetar a competitividade e fluxo de caixa das empresas. Há ainda o receio de que a alíquota final do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que reúne a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) na reforma, atinja nível próximo ou mesmo superior a 28%, bem acima da média global de 18%.
“Não há dúvida de que a reforma tributária vai no sentido de melhorar o ambiente de negócios, especialmente para quem adiciona valor à cadeia produtiva. Mas temos o período de transição que se mostra desafiador para as empresas e até mesmo perigoso se regras adicionais forem criadas que prejudiquem a simplificação trazida pela reforma ou criem obrigações adicionais para as empresas”, disse Dan Ioschpe, presidente do Conselho de Administração da Iochpe-Maxion, que também participou do evento.
Ainda segundo o executivo, em um ambiente complexo como esse da transição, a dimensão competitiva da tributação adquire maior relevância. “Isso significa saber como a tributação vai afetar a competitividade da empresa e sua condição de fazer negócios. Essa análise pode estar restrita a uma determinada geografia, como a nossa, que ainda tem diferenças tributárias significativas entre estados ou regiões, como é o caso da Zona Franca de Manaus em relação ao restante do país para o setor automotivo, ou ainda na comparação do Brasil com outros países”, explicou.
Na sua visão, o profissional tributário é cada vez mais relevante nas organizações, precisando fazer parte da estratégia de negócios desde o início. “Além de conhecimento técnico significativo, ele deve saber, caso trabalhe para uma multinacional, o que está acontecendo ao redor do mundo por causa dessa necessidade de a empresa ser competitiva, apontando o melhor lugar para fazer cada tipo de operação”, observou.
Por fim, Dan ressaltou que esse profissional precisa falar a mesma língua dos outros ao sentar à mesa. “Não adianta usar linguajar espantoso, extremamente técnico, porque dessa forma não há construção conjunta com o time”, complementou.
Para Tatiana Campos, CFO da Serasa Experian no Brasil, que também palestrou no Tax Seminar, o desafio das empresas é entender como a reforma tributária vai impactar sua cadeia como um todo. “Para isso, temos que analisar o impacto da reforma na cadeia de valor, precificação, margens, fluxo de caixa, pensando sempre no ecossistema em que estamos inseridos, e não apenas na minha empresa”, destacou.
Nesse contexto, a executiva afirmou que o profissional tributário precisa ter duas características principais: entregar o dia a dia, executando o compliance com precisão técnica, e ter visão estratégica voltada para o negócio. “Ele não fará nada sozinho, motivo pelo qual precisa estar realmente integrado com as outras equipes ou unidades de negócio”, observou.
Automação e IA
A sócia-líder de Assurance da EY Brasil, Catliane Tomiyama, que também participou do evento da EY, destacou o papel indispensável da tecnologia para a conformidade tributária das empresas. “Com a evolução tecnológica, o perfil do profissional de Tax se transforma rapidamente, já que a automação vem assumindo tarefas do dia a dia, como apuração de impostos, liberando tempo dele para uma atuação mais estratégica que contribua para o ganho de competitividade do negócio”, disse.
Tatiana e Dan concordaram com Catliane. “Vejo processos básicos de conformidade como apuração e controles sendo altamente automatizados. Mas o último estágio, que é analisar as informações para tomada de decisão, acho que por um bom tempo ainda será humano, já que isso envolve intuição e sensibilidade, que precisam fazer parte do processo”, observou a CFO da Serasa Brasil.
Para Dan, a expectativa com o uso da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, é aumentar muito a produtividade nas atividades que não mais precisarão de interação humana relevante. “Nos conselhos, a pergunta que fazemos é como a tecnologia está alterando o modelo de negócios da empresa. Mais do que isso: como os setores econômicos estão sendo impactados. Essas respostas não são fáceis e exigem envolvimento de toda organização”, finalizou.
Fonte: Diário do Comércio – Imagem: Freepik (https://dcomercio.com.br/publicacao/s/transicao-na-reforma-tributaria-desafia-empresas-e-reforca-busca-por-eficiencia)























