Por Victor Fagarassi
A NTC&Logística divulgou seu levantamento anual sobre roubo de cargas no Brasil, reforçando seu papel como referência nacional na análise desse tipo de crime desde 1998 e na formulação de políticas públicas para o setor.
Segundo o estudo, 2025 registrou 8.570 ocorrências, uma queda de 16,7% em comparação com 2024. Apesar da redução, o impacto financeiro segue alto: o prejuízo direto é estimado em cerca de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar custos indiretos, como seguros mais caros, aumento operacional e repasse ao consumidor.
O presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, afirma que os números indicam avanço, mas reforçam que o problema ainda exige atenção constante. Segundo ele, a redução está ligada à atuação conjunta entre setor produtivo e poder público, além de avanços institucionais recentes.
Rebuzzi destaca a importância da Lei nº 15.358/2026, que fortalece o combate às organizações criminosas, amplia mecanismos de investigação e endurece punições. Para o executivo, combater a receptação é essencial para enfraquecer economicamente esse tipo de crime.
O levantamento também aponta forte concentração regional: o Sudeste responde por 86,8% dos casos, com maior incidência nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, o perfil das ações criminosas tem evoluído. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, adotando estratégias mais complexas — incluindo interceptações em movimento, abordagens durante entregas e atuação em áreas urbanas e corredores logísticos.
Para o vice-presidente extraordinário de Segurança da entidade, Roberto Mira, o cenário exige respostas mais coordenadas. Ele destaca que as organizações criminosas estão mais estruturadas e utilizam inteligência, o que demanda maior integração entre empresas, autoridades e uso de tecnologia.
O roubo de cargas segue como um fator que impacta diretamente a competitividade do transporte rodoviário, a eficiência logística e o chamado custo Brasil. O estudo também aponta desafios como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre os sistemas de segurança pública.
Diante desse cenário, a NTC&Logística reforça sua atuação na produção de dados, articulação institucional e promoção de iniciativas voltadas à segurança no transporte de cargas, defendendo uma abordagem integrada em toda a cadeia logística.
Fonte: Frota&Cia
























