“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Renova Ecopeças abre novo espaço com capacidade para desmontar 10 mil carros por ano

Com investimentos de R$ 5 milhões só na obra, projeção é que local, vizinho ao atual, em Osasco, seja inaugurado em meados de abril

26/03/2026

Por Soraia Abreu Pedrozo

A Renova Ecopeças, uma das pioneiras no segmento de desmontagem veicular no País, registrou uma virada de chave nos últimos dois anos, com resultados recordes, o que motivou investimento em novo espaço para estabelecer capacidade de desmantelar até 10 mil carros por ano. Foi o que contou à Agência AutoData Daniel Morroni, diretor da Porto Serviço, unidade de negócios do Grupo Porto Seguro em que está inserida a Renova Ecopeças.

O surgimento recente de empresas concorrentes pavimentou este segmento e estimulou a maior procura, tanto por mecânicos quanto por pessoas físicas, em busca de peças usadas de carros. Prova disso é que, em 2024, a empresa desmontou 2,5 mil veículos e reinseriu no mercado 62 mil peças. E, no ano seguinte, os números foram ampliados em 32% e 13%, respectivamente, para 3,3 mil veículos e 70 mil peças. O faturamento expandiu 23% no ano passado, para R$ 70 milhões. 

Diante da crescente demanda a empresa anunciou, no ano passado, que em outubro iniciaria as obras de um novo espaço no lote vizinho, em Osasco, SP, capaz de abrigar o novo cenário. Morroni contou que estão sendo aportados, somente na construção R$ 5 milhões – fora equipamentos, aluguel e manutenção, valores que preferiu não divulgar.

“A desmontagem de 3 mil carros por ano já estava no limite. Então, no espaço que deverá ficar pronto até o fim do mês, sendo apresentado em meados de abril, esperamos trabalhar com até 4 mil veículos este ano, sendo que nossa capacidade total será de 10 mil unidades.”

Na história da Renova, que nasceu vendendo itens usados tanto para segurados quanto para não segurados da Porto, mais de 30 mil veículos já foram desmantelados e 1 milhão de peças reinseridas no mercado: “Há 13 anos praticamos a economia circular do berço ao túmulo”.

Plano é que estoque armazene 40 mil peças usadas

A matéria-prima, que tem como fonte majoritária automóveis, comerciais leves, utilitários e motocicletas de clientes que deram perda total, também recebe outras unidades não seguradas. Quanto às peças, que têm selo de rastreabilidade, hoje há 20 mil delas em estoque, e o plano é, até o fim do ano, armazenar 40 mil, com oferta mais diversificada tanto de veículos populares quanto de premium.

Os itens são comercializados por meio do site próprio, em marketplaces e também na unidade física da Renova e, geralmente, têm preços até 70% menor se comparados a um novo. 

Borracha vira grama sintética

O que sobra é vendido como resíduo a outras indústrias. “Damos a destinação correta a tudo. Por exemplo, quando desmontamos o chicote do carro separamos o plástico do cobre e vendemos como sucata. A borracha, por vezes, é comercializada para empresas de grama sintética e, quanto aos metais ferrosos, temos grandes parceiros que os utilizam como matéria-prima para fazer vergalhões.”

Em 2024 foram endereçadas a estas finalidades 2,9 mil toneladas de sucata, e 3,3 mil no ano passado, avanço de 13,8%. Para 2026 a perspectiva é alcançar 3,6 mil toneladas, ou seja, alta de 9%.

Mover ajuda a tornar a atividade mais popular

Hoje a Renova Ecopeças emprega 104 funcionários, e o plano é ampliar o quadro em 15%, para dois turnos, com a inauguração do novo espaço e o aumento do volume de trabalho.

“Com maior escala e mais eficiência ampliamos o uso de IA para ajudar a identificar qual carro é mais relevante para o negócio e também para precificar o serviço, uma vez que concorro com várias empresas em um segmento que só cresce.”

Morroni reconheceu que o Mover, Programa de Mobilidade Verde e Inovação, tem contribuído com a maior popularidade da atividade, o que deve ser expandido assim que o decreto que prevê as normas de reciclabilidade for publicado: “O Mover incentiva a cadeia da economia circular, recicladoras e desmontadoras. Vem ajudar as empresas a se estruturarem melhor. E com as montadoras tornando-se parceiras só temos a ganhar. Conseguiremos reinserir mais peças por preços menores”.

Para 2026 os planos são de continuidade no ritmo de crescimento orgânico do faturamento, na casa de 20% a 25% ao ano. 

Fonte: AutoData

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