“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Recuo do mercado de ônibus expõe dependência de políticas públicas

Recuperação pontual em março não reverte queda no trimestre, enquanto exportações despencam e setor reforça dependência de programas públicos como Caminho da Escola

08/04/2026

Por Natasha Werneck

O mercado de ônibus iniciou 2026 em retração, apesar de uma recuperação pontual em março, segundo dados apresentados pela Anfavea nesta quarta-feira, 8. A entidade destacou a dependência do segmento de programas públicos para sustentar a demanda.

Os emplacamentos somaram 1 mil 959 unidades em março, alta de 50% sobre fevereiro, 1 mil 306 unidades, e crescimento de 9,3% na comparação com março de 2025, 1 mil 793 unidades. Ainda assim, o desempenho não reverte a queda no acumulado do ano: de janeiro a março foram licenciadas 4 mil 445 unidades, recuo de 19% frente às 5 mil 528 do mesmo período do ano passado.

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, é um cenário que começa a preocupar. “O que temos hoje no mercado de ônibus é que projetávamos uma queda de 3% para 2026 e, até março, já estamos com retração de 19%.”

Ele ressaltou que o desempenho do segmento está diretamente ligado ao ritmo das compras públicas. “Grande parte do mercado depende de política pública, especialmente do programa Caminho da Escola, que tem um peso muito grande.”

No comércio exterior, o cenário é ainda mais adverso. As exportações de ônibus caíram 12,6% na passagem de fevereiro para março, de 342 para 299 unidades, e despencaram 53,4% na comparação com março de 2025, quando haviam somado 642 unidades. No acumulado do trimestre, os embarques totalizam 950 unidades, queda de 33,5% frente às 1 mil 428 do mesmo período do ano passado.

Por outro lado, a produção apresenta trajetória positiva. Em março, foram fabricadas 3 mil 074 unidades, alta de 13,7% sobre fevereiro, 2 mil 703, e de 6,7% na comparação anual. No acumulado de janeiro a março, a produção alcança 7 mil 597 unidades, avanço de 5,9% sobre as 7 mil 172 registradas um ano antes,

Para a Anfavea o quadro reforça um desequilíbrio estrutural no segmento. Enquanto a produção cresce e os emplacamentos ensaiam reação pontual, a demanda segue enfraquecida no acumulado e altamente dependente de iniciativas governamentais. “É importante essa demanda pública, mas também precisamos desenvolver mecanismos para reduzir essa dependência.”

Com a abertura de novos editais do programa Caminho da Escola, com o leilão previsto para 14 de abril, a expectativa do setor é de alguma recomposição ao longo do ano.

Fonte: AutoData

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