A expectativa de crescimento da produção automotiva brasileira em 2026 está acelerando uma mudança estrutural na cadeia de fornecedores do setor. Segundo projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o país deve produzir cerca de 2,74 milhões de veículos neste ano, alta de 3,7% em relação a aproximadamente 2,64 milhões de unidades fabricadas em 2025. Ao mesmo tempo, o avanço da eletrificação, a consolidação do nearshoring (movimento de aproximação estratégica de fornecedores e produção aos mercados consumidores) e o aumento das exigências internacionais de rastreabilidade e conformidade vêm redefinindo a relação entre montadoras, sistemistas e fabricantes de componentes.
Nesse novo cenário, fornecedores deixam de ser apenas prestadores de serviços para assumir um papel cada vez mais integrado à estratégia de competitividade da indústria. A capacidade de garantir qualidade, rastreabilidade e melhoria contínua ao longo de toda a cadeia produtiva passa a influenciar diretamente a permanência das empresas em programas de fornecimento e o acesso a novos mercados.
Os números reforçam a importância desse movimento. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o setor automotivo representa cerca de 4% da indústria de transformação brasileira e movimenta aproximadamente R$ 222,6 bilhões por ano. O setor também se destaca pelo investimento em pesquisa e desenvolvimento, equivalente a 1,06% da receita líquida, percentual superior à média da indústria nacional, de 0,62%.
Nearshoring e eletrificação elevam a exigência sobre fornecedores
O movimento de relocalização de fornecedores para mercados mais próximos dos centros consumidores, conhecido como nearshoring, ganhou força após a pandemia e as mudanças nas cadeias globais de suprimentos. Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que essa estratégia pode gerar até US$ 78 bilhões anuais em oportunidades para a América Latina, com o setor automotivo entre os principais beneficiados.
No Brasil, esse cenário é reforçado pelo Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER), que prevê R$ 19 bilhões em créditos financeiros até 2028 para incentivar a descarbonização, a inovação tecnológica e o fortalecimento da cadeia automotiva nacional. A combinação desses fatores amplia a pressão para que fornecedores adotem processos mais robustos de gestão da qualidade, conformidade e desenvolvimento tecnológico.
Ao mesmo tempo, a expansão dos veículos eletrificados introduz novos materiais, componentes e processos produtivos, exigindo níveis mais elevados de controle em toda a cadeia. Soma-se a isso o fortalecimento das regras de rastreabilidade e sustentabilidade em mercados como a União Europeia e a América do Norte, tornando a qualidade um fator estratégico para atender aos requisitos de exportação e fornecimento.
Nesse contexto, ferramentas tradicionalmente associadas às auditorias da indústria automotiva, como APQP, FMEA, MSA, PPAP e CEP, conhecidas como Core Tools, deixam de ser apenas instrumentos de conformidade e passam a apoiar decisões relacionadas à competitividade, redução de riscos e desenvolvimento de novos negócios.
“O crescimento da produção automotiva e os investimentos previstos para os próximos anos ampliam a responsabilidade de toda a cadeia de fornecedores. Em um ambiente marcado pela transformação digital, pela inteligência artificial e pela crescente complexidade dos produtos, qualidade e rastreabilidade deixaram de ser apenas requisitos técnicos e passaram a influenciar diretamente a competitividade das empresas. A digitalização potencializa a tomada de decisão, a prevenção de falhas, a rastreabilidade e a inovação, mas tecnologia sozinha não garante resultados. As empresas que mais se destacarão serão aquelas capazes de combinar pessoas preparadas, governança clara, responsabilidade na execução e fundamentos sólidos de Qualidade, suportados por APQP, FMEA, PPAP e Plano de Controle. Quem consegue demonstrar processos consistentes, capacidade de inovação, conformidade regulatória e disciplina na execução fortalece sua posição junto às montadoras e sistemistas em um ambiente de negócios cada vez mais exigente”, afirma Cláudio Moysés, presidente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva.
Sobre o IQA
Criado em 1995 por entidades do setor e do governo, o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva é uma organização sem fins lucrativos de desenvolvimento e disseminação da Qualidade no Setor da Mobilidade, com objetivo de proporcionar mais segurança ao consumidor, a partir de produtos, sistemas e pessoas com qualidade assegurada através de certificações compulsórias ou voluntárias. Representante de órgãos internacionais e acreditado pela CGCRE – Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (www.inmetro.gov.br) como organismo de certificação, promove treinamentos presenciais e online, conteúdo em publicações/estudos técnicos, inspeções e ensaios de laboratório, com uma cultura de inovação e proximidade às necessidades das organizações e sociedade.



























