Programas de recomposição de renda ajudam varejo a driblar piora das condições de consumo


CNC estima que, apesar corrosão do poder de compra, volume de vendas no setor deve crescer 1,5% apoiado pela disponibilização de recursos extraordinários (Por Felipe Melo)
Programas de recomposição de renda ajudam varejo a driblar piora das condições de consumo

Apesar da corrosão no poder de compra, a disponibilização de recursos extraordinários deverá contribuir para acelerar as vendas no segundo trimestre de 2022, na comparação com o primeiro. É o que projeta a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base nos dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de março, divulgados hoje (10/05), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo análise da entidade, a expectativa é que as vendas deste ano apresentem crescimento de 1,5% em relação a 2021.

De acordo com a PMC, no encerramento do primeiro trimestre, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 1,0%, representando o terceiro aumento seguido (janeiro e fevereiro registraram altas de 2,3% e 1,3%, respectivamente) e superando, assim, a expectativa da CNC, que projetava alta de 0,3% sobre fevereiro. No acumulado, os três primeiros meses de 2022 apresentaram avanço de 1,3% na comparação com o mesmo período de 2021 e de 4,8% ante o último trimestre do mesmo ano.

Na análise da CNC, o cenário econômico corrente não tem sido favorável para um avanço mais robusto do comércio, com inflação ao consumidor anualizada acima de 12%, juros em elevação, preços no atacado girando na casa dos 20% e a queda de 6,2% no rendimento real médio do trabalho nos 12 meses encerrados em março de 2022. No entanto, a retomada do fluxo de consumidores em estabelecimentos comerciais e a desaceleração dos preços do atacado têm contribuído para um cenário um pouco mais positivo.

Na média, os preços dos produtos comercializados pelo varejo ampliado, medidos por meio do deflator da PMC, foram reajustados em 14,2%, nos 12 meses encerrados em março deste ano. Por sua vez, os preços no atacado, avaliados pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) do IBGE, avançaram 18,4% no mesmo período, revelando um grau de repasse de 77% aos preços finais aos consumidores. “Embora o quadro atual esteja longe de se revelar confortável para a formação de preços, principalmente no varejo, as pressões advindas do atacado sugerem perda de força nos reajustes ao longo dos últimos meses, na medida em que a inflação no atacado chegou a superar os 35% em maio de 2021”, observa o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Preços no atacado e recursos extraordinários melhoram as expectativas

O economista da CNC responsável pela análise, Fabio Bentes, estima que, confirmada a tendência de desaceleração dos preços no atacado, os preços no varejo tenderão também a perder força, tornando menos acentuado o processo de avanço da taxa básica de juros nos meses subsequentes, o que explica o fato de a CNC ter revisado a projeção inicial, que antes era de +1,1%.

Bentes observa que o segundo trimestre deste ano deverá ser “irrigado” pela disponibilização de recursos extraordinários, como a antecipação do 13º salário a aposentados e pensionistas do INSS; saques do FGTS; e, principalmente, recursos decorrentes do Auxílio Brasil. “Se por um lado, essas iniciativas prolongam pressões inflacionárias, por outro, ajudam a recompor a renda das famílias no curto prazo, dando fôlego às vendas no varejo”, avalia o economista. A CNC projeta que o Auxílio Brasil e os saques do FGTS devam injetar no varejo R$ 39 bilhões ao longo de 2022.

Acesse a análise completa da Divisão Econômica da CNC

Fonte: CNC

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