Por Karen Sousa
Nos últimos dias a China se mostrou preocupada a respeito de como estão sendo conduzidas as operações comerciais das marcas nativas no mercado externo, sobretudo no que diz respeito a produção e qualidade do produto. A angústia tem razão de existir: se hoje os veículos são desenvolvidos e produzidos em tempo cada vez menor, estariam comprometidos os cuidados em torno do projeto e da manufatura?
Para Cláudio Moysés, presidente do Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), a rapidez com a qual um veículo é desenvolvido é uma consequência da transformação da indústria. Não seguir esse ritmo seria sinônimo de ficar em desvantagem competitiva em relação à concorrência.
“A indústria tem toda essa interação com software e isso muda completamente o contexto. Se a gente trabalhar exatamente da mesma forma como trabalhou no passado, a gente não vai conseguir acompanhar essa velocidade, esse é um risco”, disse o representante.
Montadoras chinesas aceleram ciclos de desenvolvimento
A velocidade a ser acompanhada, no caso, é justamente a das empresas chinesas, que conseguiram nos últimos anos desenvolver veículos mais rapidamente na comparação com montadoras ocidentais, por exemplo. Não é raro um interlocutor da indústria afirmar que uma fabricante chinesa consiga, hoje, desenvolver um veículo utilizando um terço do tempo que uma ocidental despende para isso.
Para Moysés, a “pressa” não afeta a qualidade do produto desde que o processo de produção conte com ferramentas e tecnologias de alta qualidade. “A gente pode assegurar qualidade em todo esse processo garantindo essa velocidade usando as boas ferramentas, tendo todo o planejamento, antecipando todos os riscos e usando ferramentas de simulação”, explicou.
“A tecnologia vem junto da velocidade e propicia também uma evolução da qualidade dos veículos. Se por um lado você tem um desenvolvimento mais veloz, as possibilidades da tecnologia ajudam até a reduzir os problemas potenciais que podem acontecer. Isso vem sendo muito explorado por todas as montadoras”, acrescentou Alexandre Xavier, diretor superintendente do instituto.
Um exemplo disso, seguiu Xavier, é o uso da inteligência artificial (IA), que permite otimizar linhas de produção principalmente em montadoras chinesas, que avançam na sua integração nos processos de desenvolvimento dos veículos e nos próprios produtos.
Fonte: Automotive Business



























