Por Soraia Abreu Pedrozo
Saíram das linhas de montagem 4,5 mil chassis de ônibus no primeiro bimestre, 5,4% acima dos dois meses iniciais de 2025, quando foram produzidas 4,2 mil unidades. Somente em fevereiro foram 2,7 mil unidades, acréscimo de 48,5% frente aos 1,8 mil de janeiro e 8,8% acima dos 2,4 mil de igual mês no ano passado, apontam dados da Anfavea.
Ao mesmo tempo em que é vista reação por parte das fabricantes de chassis o segmento está com o pé no freio dos emplacamentos, à espera do andamento de licitações públicas. As vendas diminuíram 33,4% no acumulado de 2026, com 2,4 mil veículos contra 3,7 mil no mesmo período em 2025.
No mês passado, o comércio de ônibus, de 1,3 mil unidades, ficou 33,1% abaixo dos 1,9 mil de fevereiro do ano passado, mas, em comparação com janeiro, em que os emplacamentos somaram 1,1 mil unidades, houve crescimento de 10,7%.
E, com base no cenário previsto para este segmento, que tem parcela expressiva fiada no programa do governo federal Caminho da Escola, as dificuldades deverão continuar: o FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, confirmou a suspensão temporária, mais uma vez, da licitação de 7 mil 470 ônibus, aguardada para o início deste mês, o que foi noticiado por reportagem da Agência AutoData um dia antes da publicação no Diário Oficial da União.
A medida foi tomada, conforme o órgão, em razão de recentes alterações no marco legal e tributário que incidem sobre a aquisição de ônibus: “O novo contexto normativo impacta diretamente a composição de custos, a formação de preços e as condições de contratação, exigindo análise criteriosa para assegurar segurança jurídica, economicidade e isonomia aos participantes do certame”.
O governo federal decidiu voltar a cobrar, a partir de 1º de abril, impostos como PIS/Cofins e IPI, que destrava a isenção do ICMS, desde 2007, e onera de forma significativa a indústria, tanto fabricantes de chassis como encarroçadores. O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, admitiu que este é assunto que traz grandes preocupações à entidade, por desencadear forte impacto sobre o setor.
“Há produtos que foram vendidos com uma regra tributária e agora serão entregues com outra, o que não foi computado em seu preço. Este é um problema extremamente grave. A Anfavea não só está ciente como está trabalhando junto do Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária] e de secretários da Fazenda para que esta alteração não venha a incidir sobre nós.”
De acordo com Calvet na próxima semana há reuniões agendadas com o governo para debater o assunto. E, recentemente, a Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, ingressou com ação no Confaz pedindo a retirada da cobrança do ICMS, que é o que mais pesará sobre os custos dos veículos.
O FNDE informou que já mantém diálogo com os órgãos competentes e com as instâncias responsáveis pela política tributária, “com o objetivo de identificar os caminhos possíveis e viabilizar a republicação do certame no menor prazo possível, preservando a regularidade do processo e o interesse público”.
Fonte: AutoData
























