Por Soraia Abreu Pedrozo
Saíram das linhas de montagem, em janeiro, 6,8 mil caminhões, recuo de 15,6% com relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram produzidos 8 mil veículos. Na comparação com dezembro, 5,7 mil unidades, houve crescimento de 18,6%, de acordo com dados da Anfavea divulgados na sexta-feira, dia 6.
O resultado se dá em meio ao início da vigência do programa do governo federal de socorro à indústria de caminhões Move Brasil, 8 de janeiro. A proposta é oferecer crédito com recursos do BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, e do Tesouro, com juros de 13% a 14% ano, seis meses de carência e até cinco anos para pagar.
Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a queda já era esperada pois “deveu-se, em grande parte, às férias coletivas que, em alguns casos, estenderam-se até a terceira semana de janeiro”. As vendas, no entanto, também tiveram um desempenho ruim: foram emplacados 6,4 mil veículos, 31,5% a menos do que em janeiro do ano passado, em que foram comercializadas 9,4 mil unidades.
“Até abril de 2025 tivemos números positivos. Depois passamos a ver queda mês a mês, que em agosto entrou em um ciclo negativo”, disse Calvet. “Quanto ao Move Brasil existe o descasamento do faturamento com o emplacamento, por isso ainda não vimos muito impacto. Mas, a partir de fevereiro e março, esperamos resultados mais vistosos.”
O presidente da Anfavea exemplificou que um caminhão demora um prazo médio de seis a sete semanas da venda à entrega. E pontuou que foram necessários ajustes operacionais envolvendo o BNDES e os bancos comerciais até que o financiamento começasse a ser oferecido efetivamente.
Balanço do BNDES apontou que, até o último dia de janeiro, foram contratados empréstimos de R$ 1,3 bilhão para a aquisição de 1,1 mil caminhões. Isto equivale a 13% do total, R$ 10 bilhões que ficarão disponíveis por seis meses.
Juros como maior entrave
O dirigente ponderou que os juros de mercado para pessoa jurídica ainda são bastante elevados, na média de 18,4% ao ano, sendo que em alguns canais bancários pode chegar a 28% ao ano, enquanto que o Move Brasil propõe taxas de 12,7% ao ano para autônomos e de 11,8% ao ano para frotistas, ambas abaixo da Selic, em 15% ao ano.
“O programa tem tudo para ser um sucesso. Tivemos relatos de aumento de 30% na procura em concessionárias e nos bancos de montadoras, por meio de cartas de interesse e busca por crédito.”
A Anfavea estima que a maior demanda pelo Move Brasil, até o momento, partiu de frotistas para a compra de caminhões novos. Quanto à entrega de caminhões mais antigos à reciclagem apontou que ainda faltam regulamento e clareza para o mercado de como isto funcionará.
“De qualquer forma o programa está se ajustando ao mercado e, ainda que tenha data para terminar, é um bom teste antes de se tornar perene. É preciso que a iniciativa comprove sua eficácia para que então possamos pleitear que seja definitiva.”
O vice-presidente e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, já sinalizou a intenção de estendê-lo.
Fonte: AutoData


































