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Preços dos alimentos e conta de energia puxam alta do custo de vida em maio na RMSP

Nos cinco primeiros meses do ano, índice acumula expansão de 3,12%, patamar superior ao do mesmo período de 2025, aponta FecomercioSP

13/07/2026

No grupo de despesas pessoais, a alta foi de 0,73%, impulsionada por serviços como hotel (3,9%), boate e danceteria (2,7%) e despachante (2,2%)

Preço dos alimentos e conta de luz impactam o custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). De acordo com o índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), mensurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a alta foi de 0,57% em maio, acelerando 0,44% em relação ao mês de abril. O acumulado dos últimos 12 meses foi de 5,26%, enquanto nos cincos primeiros meses do ano, houve uma expansão de 3,12% [gráfico 1].

[GRÁFICO 1]
Custo de Vida por Classe Social — série histórica
Fonte: IBGE/FecomercioSP.

Segundo a FecomercioSP, o resultado do mês revela uma inflação disseminada, deixando de ocorrer em grupos pontuais e sazonais. A pressão no segmento de habitação, combinada com a continuidade do encarecimento dos alimentos e os serviços de saúde em constante expansão, indica que o orçamento familiar na RMSP seguirá pressionado nos próximos meses, particularmente para os lares de menor renda.

Altas pressionam orçamento das famílias

O grupo de habitação avançou 1,27% e foi destaque em maio, com a maior contribuição para o resultado do indicador. A conta de energia elétrica residencial subiu 3,69%, pressionando especialmente os lares de menor renda, que destinam uma quantia mais significativa do orçamento para esse item. 

Também pressionaram os serviços de mão de obra (0,74%) e o aluguel residencial (0,26%). No varejo, os materiais de construção continuam registrando altas em torno de 2,5%. Nos últimos 12 meses, o grupo acumula variação de 7,84%, o maior entre todos os grupos do CVCS.

[TABELA 1]
Custo de vida por classe social — maio de 2026 
Fonte: IBGE/FecomercioSP

O grupo de alimentação e bebidas foi o segundo com maior contribuição, avançando 0,82% no mês. A alta se concentrou na alimentação no domicílio, com altas nos produtos in natura nos supermercados: tomate (25,3%), batata-inglesa (31,2%), cebola (11,3%) e cenoura (8,3%) foram os itens que mais encareceram. Contudo, essa expansão é sazonal e deve diminuir ao longo dos próximos meses. 

Alimentos também importantes nas casas continuam pressionando o orçamento, como o feijão-carioca (5%) e as carnes, como alcatra (2,5%) e músculo (3,2%5). Já a alimentação fora do domicílio avançou de forma mais moderada, com a refeição subindo 0,47%.

A saúde variou 0,94% em maio, revelando uma pressão mais ampla que abrange tanto produtos de higiene e beleza quanto serviços. No varejo, destacaram-se perfume (4,6%), produto para cabelo (2,6%), produto para pele (2,9%), higiene bucal (2,2%), sabonete (1,7%), antigripal (1,6%) e analgésicos (1,6%). Nos medicamentos, psicotrópicos e anorexígenos subiram 2,1% e hipotensores, 0,9%. 

Os serviços de saúde também apresentaram altas: dentista avançou 1,2%; médico, 1%; psicólogo, 0,7%; e plano de saúde, 0,5%. O grupo acumula alta de 3,87% nos cinco primeiros meses de 2026, demonstrando o caráter estrutural dessa inflação no orçamento das famílias. 

No grupo de despesas pessoais, a alta foi de 0,73%, impulsionada por serviços como hotel (3,9%), boate e danceteria (2,7%) e despachante (2,2%), refletindo a demanda aquecida no período. Os grupos de vestuário (0,44%), artigos do lar (0,42%) e comunicação (0,41%) também avançaram, contribuindo para a disseminação da alta entre os grupos de consumo. 

Já a atividade de transportes fechou o mês de maio em queda de 0,21%. Com a redução generalizada dos combustíveis, o etanol recuou 7,5%, o óleo diesel caiu 1,9% e a gasolina cedeu 0,6%. No entanto, os serviços de transportes e as passagens aéreas avançaram 7%, sinalizando que os custos operacionais das companhias aéreas, ainda afetadas pela alta do querosene, continuam sendo repassados ao consumidor.

Classes de menor renda têm reflexo mais intenso

[TABELA 2]
Custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo — acumulado dos últimos 12 meses
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Na análise por faixa de renda, o impacto foi mais intenso nas classes de menor renda. A classe D registrou a maior variação do mês, com alta de 0,73%, seguida pela classe E (0,64%) e pela classe C (0,58%). Nas classes de renda mais elevada, o avanço foi mais moderado: 0,49% para classe B e 0,44% para a classe A. A diferença é explicada pelo maior peso que habitação e alimentação no domicílio exerce nos orçamentos familiares de classe mais baixa. No acumulado de 12 meses, a disparidade se mantém:  5,85% para a classe D e 5,81% para a classe E, contra 4,76% para a classe B e 4,94% para a classe A.

Fonte: FecomercioSP

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