Por que a VW desistiu da Amarok na América do Sul e apostará na Tarok


A nova picape vai herdar cabine e estrutura do SUV Taos (Artigo de Leonardo Felix)
Por que a VW desistiu da Amarok na América do Sul e apostará na Tarok

A Ford apresentou globalmente nesta semana a próxima geração da picape média Ranger. Ela começará a ser produzida na Tailândia e na África do Sul em 2022, países dos quais será exportada para uma série de outros mercados.

O Brasil, porém, só conhecerá o modelo totalmente renovado um ano mais tarde, quando a fábrica de General Pacheco (Argentina), a única da marca que restou na América do Sul, começará enfim a produzi-la. Para tanto, a fabricante já confirmou um investimento de US$ 580 milhões ou R$ 3,2 bilhões no local (por que choras, Brasil?).


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Bem, mas o título desta coluna está falando sobre Volkswagen, certo? O que a nova Ranger tem a ver com isso? Tudo! Porque o projeto original da picape, fruto de uma recente parceria formada entre as duas montadoras, prevê o surgimento de uma segunda geração da Amarok, utilizando justamente a plataforma da Ford.

Na África do Sul, por exemplo, a produção dessa nova Amarok convertida em uma espécie de gêmea bivitelina da Ranger já está confirmada. Só que a América do Sul, o que inclui o Brasil, ficará apenas na saudade, porque em nossa região a empresa alemã já cancelou os planos e desistiu de investir em uma picape média.

Por quê? Os motivos principais são dois. Primeiro, a Amarok jamais emplacou na região como a marca queria, principalmente no mercado brasileiro. Por aqui, ela jamais conseguiu ameaçar verdadeiramente o domínio de modelos como Toyota Hilux, Chevrolet S10 e a própria Ranger.

Segundo, a Volkswagen tomou tanto prejuízo com esse produto no continente (fontes falam em alguns milhares de dólares por unidade comercializada), o que talvez tenha traumatizado os executivos da matriz na Alemanha.

Em vez da nova Amarok derivada da nova Ranger, a VW preferirá apostar na Tarok, projeto com nome ainda provisório de uma picape compacta-média aos moldes da Fiat Toro. Um conceito dela foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018, mas ela só deve virar uma picape de produção sete anos depois, em 2025.

Construída sobre a plataforma MQB A, a Tarok herdará a cabine e boa parte da estrutura do Taos, SUV médio que começou a ser fabricado este ano também na Argentina, o que significa que terá carroceria monobloco. 

Será mais simples e bem mais barata que uma nova Amarok, e ingressará num segmento que vem demonstrando grande potencial de crescimento. É bem verdade que os alemães comeram bola com a Tarok, pois ela poderia facilmente ter sido a primeira rival direta da Toro em nosso mercado.

A matriz demorou demais para aprovar o modelo de produção e, assim, quando a picape de verdade enfim chegar às lojas, já terá na nova Chevrolet Montana, na Ford Maverick, na Hyundai Santa Cruz e, possivelmente, até em um modelo da Caoa Chery (projeto PUP) outras concorrentes com as quais se preocupar além da própria Toro.

Como armas, a Tarok – cujo nome ainda é provisório, assim como era o “Tarek” durante a fase de desenvolvimento do SUV que hoje se chama Taos – deverá marcar a estreia de um motor híbrido flex turbo da marca no país, além de herdar o propulsor 2.0 turbodiesel com câmbio automático de oito marchas e tração integral da Amarok nas versões de topo.

Leonardo Felix é jornalista especializado na área automobilística há 10 anos. Com passagens por UOL Carros, Quatro Rodas e, agora, como editor-chefe da Mobiauto, adora analisar e apurar os movimentos das fabricantes instaladas no país para antecipar tendências e futuros lançamentos.

*Este texto traz a opinião do autor e não reflete, necessariamente, o posicionamento editorial de Automotive Business

Fonte: Automotive Business

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