Foram sete anos de hiato de um Salão do Automóvel para o outro. Naquele novembro de 2018, os visitantes que foram ao evento nem imaginavam que o mundo seria abalado por uma pandemia cruel e que o auto show demoraria a acontecer de novo.
Tampouco tinham certeza quanto ao futuro das atrações daquele auto show. E o que não faltou foi novidade naquele Salão do Automóvel da década passada.
Diferentes destinos dos carros do Salão do Automóvel de 2018
Só que alguns carros-conceitos daquela mostra nem saíram do papel – ainda. Outros, pelo contrário, se tornaram carros de sucesso. Enquanto muitos outros modelos expostos tiveram passagem relâmpago por aqui.
Em meio ao Salão do Automóvel 2025, vamos relembrar agora as atrações do evento de sete anos atrás, com seus legados – ou não.
Picape da Volkswagen ainda no projeto

O Salão do Automóvel de 2018 teve dois carros-conceitos que deram o que falar. Porém, só um deles saiu do papel até agora, sete anos depois. O outro, já foi adiado, voltou à prancheta e agora está em testes para ser lançado em 2026.
Falamos das Tarok, a picape-conceito que provocou alarde no Salão do Automóvel de 2018 e que era a resposta da Volkswagen à Fiat Toro. Depois disso, o modelo ainda deu as caras nos autos shows de Nova York e Frankfurt (2019).
O tempo passou, o projeto da picape médio-compacta foi engavetado, mas voltou à ativa. Será lançada em 2026 e feita sobre a mesma plataforma modular MQB do conceito, porém, com algumas diferenças importantes.
A Tarok mostrada em 2018 tinha mais de 4,90 metros de comprimento, 3 m de entre-eixos e balanços curtos (91,4 cm na dianteira e 1 m, na traseira). A capacidade de carga era de 1 tonelada O desenho da frente remetia ao do SUV T-Cross, que ainda ia ser lançado.
“O carro de produção, que vai chegar em um futuro muito próximo, é bem parecido com esse aqui”, afirmou José Carlso Pavone durante a coletiva da marca no Salão de 2018 – hoje o executivo é o chefe de design da VW para as Américas.
Em nome dos custos, soluções do conceito, como a escotilha para acesso da cabine à caçamba, bancos traseiros dobráveis e suspensão traseira multibraço devem ficar de fora do modelo de produção.
A picape vai estrear um novo motor 1.5 TSI turbo flex com sistema híbrido-leve, no lugar do 1.4 de 150 cv que servia ao exemplar mostrado no Salão do Automóvel de 2018.
Já a picape da Renault nem veio…

O Salão do Automóvel de sete anos atrás também testemunhou um dos episódios mais intrigantes da sua história. No primeiro dia de imprensa do evento, que antecedeu a abertura ao público, a Renault colocou em seu estande a Alaskan.
A picape média tinha sido lançada globalmente em 2016 e fazia parte de uma base conjunta entre Renault, Nissan, Mitsubishi e Mercedes-Benz – de onde sairia, respectivamente, a Alaskan, as novas Frontier e L200 e a Classe X. A expectativa é que todas (exceção da L200) fossem feitas na Argentina.
Pois bem, no segundo dia de Salão para a imprensa a Alaskan simplesmente sumiu do estande. Depois apareceu em alguns dias de público. Mas a verdade é que nunca deu a honra de sua presença no mercado brasileiro.
Depois de muitas idas e vindas, a Alaskan começou a ser montada na Argentina em 2020, o que fomentou especulações de que ela finalmente seria vendida no Brasil. Mas isso nunca aconteceu.
Nos bastidores, dizem que a fabricante francesa estava reticente em disputar um segmento dominado pela Toyota Hilux e onde não tem qualquer experiência. Também pesou o fato da má performance comercial da Oroch, lançada em 2016 para disputar mercado com a Fiat Toro.
Fato é que a picape que despertou curiosidade no Salão do Automóvel de 2018 deixou de ser produzida em 2025 sem jamais ser vendida no nosso mercado.
Fastback virou realidade, mas com diferenças

Um carro conceito que se tornou realidade e com relativo sucesso foi o Fastback. Curiosamente, o carro exibido no estande da Fiat em 2018 era baseado na picape Toro.
Sim, o Fastback era para ser um SUV mais para o segmento de médios do que para o de compactos. Mas a marca italiana repensou sua estratégia e desenvolveu o crossover sobre a plataforma MLA do Cronos.
O SUV lançado em 2022 ficou um pouco menor que o do conceito, mas manteve basicamente o mesmo estilo cupê que atraiu olhares naquele distante auto show.
Outros carros que aconteceram
Justiça seja feira, outros modelos expostos no Salão de sete anos atrás também vingaram. Entre eles o VW T-Cross, que já estava pronto na mostra e foi lançado no primeiro trimestre de 2019.
Outro SUV compacto, o Caoa Chery Tiggo 5x, também fez sua primeira aparição no evento de 2018, e ganhou as ruas no mês seguinte. Ford Territory e Suzuki Jimny Sierra também debutaram no evento antes de serem lançados comercialmente.
Os carros relâmpagos da Kia

Se você acha que agora no Salão do Automóvel de 2025 a Kia exagerou no número de lançamentos, avisamos que em 2018 a marca sul-coreana fez quase o mesmo. Só que alguns desses carros tiveram uma passagem quase relâmpago pelo país.
Um deles foi o Stinger, o belo e instigante sedan-cupê da Kia que foi uma das atrações do Salão do Automóvel daquele ano. Com motor V6 turbo de 370 cv, o carro passou tão rápido quanto o 0 a 100 km/h em 4,9 segundos: deixou de ser importado em 2020.
Não tanto quanto o Rio, o compacto que a marca prometeu para cá durante toda a década passada. Ele apareceu no motor show de 2018, foi importado do México na configuração hatch em janeiro de 2020 e deixou de ser comercializado no ano seguinte. Foram pouco mais de 500 unidades vendidas.
Em 2018, a Kia também mosrou modelos como o novo Cadenza, o sedã de luxo K900, o Optima Hybrid, o Picanto GT e até uma versão elétrica do Soul.
Outros carros, porém, vingaram bem. Um exemplo é o Niro, um dos híbridos mais econômicos do país, e o Stonic. Os dois chegaram nos últimos três anos ao país e continuam firmes e fortes no catálogo da fabricante.
Elétricos tiveram pouco alcance

Se a eletrificação ditou o Salão do Automóvel de 2025, ela foi um ensaio em 2018. Causou impacto, é verdade, porém, não deu tantos frutos nos anos seguintes.
Naquele ano, três montadoras chamaram a atenção com carros elétricos mais “acessíveis”. A General Motors apresentou o primeiro Bolt, a Renault veio com o Zoe e a Nissan apresentou o Leaf – que já era usado em testes com táxis e viaturas da polícia no Rio e em São Paulo.
Bem, o Bolt teve apenas 200 unidades licenciadas entre 2020 e 2022. O Zoe teve melhor “sorte”, com o dobro de emplacamentos em quatro anos (2018-22). E o Leaf foi mais “popular”, com mais de 1.200 unidades de 2019 a 2023.
Porém, não foi o gatilho que se esperava para os veículos movidos a bateria. Isso só aconteceu mais recentemente, com a avalanche de carros elétricos chineses a partir de 2022.
Fonte: Automotive Business































