Faz menos de um mês que General Motors e Hyundai confirmaram o desenvolvimento conjunto de cinco produtos para a região das Américas.
O anúncio é um desdobramento do acordo assinado em setembro de 2024. As empresas vão atuar conjuntamente no desenvolvimento de produtos, processos de manufatura e futuras tecnologias de energia limpa.
Automotive Business esmiúça abaixo quais podem ser os benefícios desse acordo e os possíveis produtos. Além disso, relembramos antigas parcerias firmadas por GM e Hyundai no passado – e no presente também.
Quais carros podem nascer da parceria entre GM e Hyundai

Cinco projetos vão inaugurar a parceria entre GM e Hyundai. Quatro deles serão vendidos na América do Sul: um hatch compacto, um SUV compacto, uma picape intermediária e uma picape média.
Destes, a Hyundai vai liderar o desenvolvimento dos três primeiros, enquanto a GM tocará o projeto da picape média. As montadoras não revelaram nenhuma outra informação além do segmento no qual esses projetos vão competir. Entretanto, não é tão difícil fazer projeções.
O hatch compacto deve ser a próxima geração de Chevrolet Onix e Hyundai HB20. Hoje arquirrivais, os modelos podem compartilhar a mesma plataforma.
Assim como nos outros casos, a identidade visual de design de cada marca será respeitada em cada produto. Ou seja, não será um mero “rebadge” – termo que designa veículos idênticos com logotipos diferentes, tal qual Fiat Titano e Peugeot Landtrek, por exemplo.
Um SUV compacto também está nos planos. Sendo assim, imagina-se que os futuros Hyundai Creta e Chevrolet Tracker podem ser “irmãos” – ou seriam “primos”?
Quanto às picapes, a Hyundai já tem experiência no segmento de picapes intermediárias, uma vez que já vende a Santa Cruz em vários mercados. A sucessora da Montana pode vir daí.
No caso das picapes médias, a Chevrolet acumula décadas de experiência – e por isso vai comandar esse projeto. Será a primeira vez que a Hyundai vai competir nesta categoria tão rentável na América do Sul.
Projetos devem ter alguma forma de eletrificação
É natural pensar que a maioria dos projetos (se não todos) terão algum tipo de eletrificação. A Hyundai vende, atualmente, o Kona, seu primeiro veículo híbrido comercializado no Brasil. Lá fora, há opções em vários outros segmentos.
Já a GM ensaia a estreia de um carro híbrido desde o fim de 2024, quando confirmou que investiria na tecnologia. Havia a expectativa de que os novos Onix/Onix Plus e Tracker poderiam ter motorização híbrida leve, algo que não aconteceu. Porém, a entrada da GM na categoria deve ser questão de tempo.
Parceria com Hyundai ajudará GM a se reposicionar

Fábio Rua, vice-presidente de Relações Governamentais, Comunicação & ESG da General Motors América do Sul, enalteceu a versatilidade da parceria entre GM e Hyundai.
“Todos os projetos vão ter flexibilidade pelo ponto de vista de engenharia e produção. Podemos ter tanto veículos puramente movidos a combustão como híbridos. Conforme vamos estudando, nós vamos descobrindo sinergias. Isso acontece, por exemplo, na aquisição de matérias-primas, como o aço, e componentes”.
“Quando dois concorrentes de porte se juntam e identificam sinergias nas estruturas de várias áreas, como produção, compras e logística… Vai vir coisa boa por aí”, complementou.
O executivo afirmou que ainda não há definição sobre o uso compartilhado da estrutura das empresas. A GM, por exemplo, mantém o Campo de Provas da Cruz Alta, em Indaiatuba (SP), onde desenvolve projetos inteiros do zero.
“Não temos nenhuma informação em relação a isso, até porque ainda estamos construindo a relação (entre as montadoras). Por enquanto temos as linhas gerais da parceria e estamos identificando as oportunidades. Sobre o campo de provas, se nós temos e eles não, pode ser um local natural para que se realizem testes para aperfeiçoar essa parceria. Mas não temos nada para anunciar”.
Fábio admitiu que a parceria é uma forma de a GM se “reinventar” e buscar um novo posicionamento dentro de um setor tão dinâmico.
“Não existe uma fórmula pronta para garantir competitividade no negócio. É preciso cada vez mais se reinventar e buscar novas formas de amplificar nossa atuação. Essa sinergia é muito importante para garantir uma estrutura de competitividade principalmente nos custos. Eu diria que esse é um dos pontos altos da parceria”.
“Obviamente estamos nos reposicionando no mercado, como todas estão. Essa é a dinâmica do negócio e dos consumidores. Essa necessidade de ter carros cada vez mais bonitos, competitivos, tecnológicos, conectados e seguros faz com que a gente se abra para esse tipo de parceria”, concluiu Rua.
Quais parcerias as marcas mantêm no mundo?

Desde março de 2022, a Hyundai tem uma parceria bem-sucedida com a Iveco no segmento de veículos pesados.
Essa aproximação rendeu frutos como o eDaily com célula de combustível, apresentado no Salão de Hannover de 2022. Um ano depois, as empresas revelaram o Bus E-Way H2 movido a hidrogênio.
Em 2024, a Iveco apresentou o eMoovy. Trata-se do Hyundai Staria com os logotipos da marca italiana. O VUC elétrico tem autonomia de até 320 km no ciclo WLTP por carga.
A GM não mantém nenhuma parceria com uma concorrente do setor automotivo na atualidade. Entretanto, o cenário era bem diferente em um passado não muito distante.
A parceria mais recente foi firmada com a Honda em 2020. Esse acordo compartilhou a plataforma Ultium de carros elétricos da GM com a japonesa, que a aplicou no Prologue. A ideia era ampliá-la no desenvolvimento de uma linha de compactos elétricos, mas a parceria acabou em 2023.
Algumas décadas atrás, a GM fechou acordos com Toyota, Subaru e Suzuki. Esta última chegou à América do Sul, onde a marca vendeu modelos de uma com a logomarca da outra.
Na Argentina, a Suzuki lançou o Fun, nada mais do que um Celta com o “S” da marca japonesa. Em contrapartida, o mercado brasileiro teve, nos anos 2000, o Grand Vitara com a gravatinha da Chevrolet. O carro foi rebatizado como… Tracker, justamente o mesmo nome do SUV compacto produzido pela marca na atualidade.
Fonte: Automotive Business