Por Bruno de Oliveira
O mercado doméstico de veículos híbridos do tipo HEV, que não precisam de recarga por meio externo, vem crescendo no Brasil na esteira dos lançamentos de modelos nacionais e importados por aqui. Para a Omoda Jaecoo, a tendência é a de que esses veículos configurem uma espécie de “novo normal” em futuro não tão distante, abrindo espaço para os PHEVs, que são justamente aqueles que demandam uma tomada para carregar a bateria.
Roger Corassa, vice-presidente executivo da operação brasileira da montadora, explica a premissa por meio de uma visão chinesa dos negócios. “Os planos da Chery [controladora da Omoda] mostram que o segmento de PHEVs vai canibalizar o de HEVs no futuro, uma vez que o preço do plug-in está ficando cada vez mais próximo dos híbridos com o avanço da escala da produção de baterias”, disse Corassa na segunda-feira, 16, no Rio de Janeiro (RJ).
Nesse contexto, seguiu o executivo, os PHEVs vão se mostrar mais viáveis do que os HEVs por oferecerem mais tecnologia e autonomia. Mas esse sucesso projetado pela montadora se mostra possível em cenário onde o híbrido a bateria se mostra como uma espécie de desbravador dos eletrificados no mercado global, popularizando a tecnologia e seu perfil de agente de descarbonização de baixo custo.
Até lá, a empresa pretende justamente aumentar a participação dos seus modelos híbridos no mercado brasileiro, onde já detém 8,6% de participação no segmento de eletrificados, segundo dados da ABVE, a associação que representa parte das marcas de veículos elétricos com operação no país.
Omoda quer vender 50 mil veículos/ano

O planejamento de Corassa envolve fazer essa fatia crescer aumentando obviamente o volume de vendas. A meta atual é de 40 mil unidades/ano. Mas pode ser que chegue a 50 mil/ano com a introdução de um modelo híbrido equipado com motor flex que deverá desembarcar no país em meados do ano que vem.
Produção local é algo que também está no horizonte da empresa. A respeito do tema, Corassa informou que já esteve em vários estados analisando propostas de governos locais para abrigar a primeira fábrica da companhia na região. O martelo ainda não foi batido, informou o executivo, mas as possibilidades de ocupar fábricas prontas foram esgotadas, restando outras como construir a própria estrutura ou se associar a parceiros locais.
Nada está descartado e vão definir o endereço da fábrica alguns fatores como rapidez de construção, proximidade de hubs logísticos e, claro, incentivos fiscais. Este último, disse Corassa, virá por último, após o local ser de fato escolhido pela montadora para instalar as suas linhas.
“Os estados estão mais abertos às marcas chinesas. Não apenas pela possibilidade de produção de veículos em seus domínios, mas pelo fato de o veículo elétrico atrair também novos fornecedores, empresas de tecnologia, dentre outras”, contou Corassa.
Quem é a Omoda Jaecoo?
A Omoda Jaecoo é uma marca automotiva chinesa pertencente ao grupo Chery Automobile, uma das maiores montadoras da China. Ela reúne duas submarcas: a Omoda, com foco em SUVs modernos, com design futurista e tecnologia avançada, e a Jaecoo, com linha mais voltada para SUVs robustos, com proposta premium e pegada off-road.
A empresa foi fundada há três anos e há dez meses opera no Brasil. Ela foi criada como estratégia global da Chery para expandir as vendas fora da China, incluindo mercados da Europa, América Latina e outros países emergentes.
























