Por Cláudio Milan
O Seminário da Reposição Automotiva 2026, realizado em 6 de outubro, deixou uma impressão forte: o setor não está apenas diante de mudanças. Ele está, mais uma vez, diante de um teste de reinvenção.
E talvez esta seja a principal característica do aftermarket brasileiro. A cada nova onda – injeção eletrônica, carro flex, eletrificação, novas marcas, novos canais e novas exigências de reparação – a reposição parece ser colocada contra a parede. Mas, historicamente, ela não recua. Ela aprende, ajusta, incorpora e cresce.
Por isso, falar em crise no Aftermarket Automotivo exige cuidado. Há pressão, margem apertada, escassez de mão de obra, excesso de SKUs, competição por preço, mudanças regulatórias e avanço das montadoras sobre espaços antes ocupados pelo mercado independente. Mas crise, no sentido de paralisia, não define este setor. Aquilo que o define é a capacidade de encontrar caminhos quando o cenário muda.
Os painéis mostraram que os próximos anos não serão simples. A frota será mais diversa, conectada e difícil de diagnosticar. O varejo físico seguirá relevante, mas não poderá viver sem velocidade digital. A oficina continuará sendo o ponto de confiança do consumidor, mas precisará ganhar produtividade, formação técnica e acesso real à informação. O distribuidor se adequará aos desafios da reforma tributária, a expansão das marcas próprias e novas soluções em logística. A indústria continuará sendo guardiã da qualidade, mas será cobrada a entregar não apenas produtos, e sim soluções para a jornada completa do reparador.
Também ficou evidente que a competitividade não será resolvida apenas com preço. Peça barata sem respaldo gera retrabalho. Marca sem reputação transfere risco para a oficina. Falta de informação compromete o cliente. E, num carro cada vez mais tecnológico, o erro deixa cada vez mais de ser apenas mecânico para ser eletrônico, digital, sistêmico e até jurídico. Qualidade, garantia, suporte técnico e confiança deixam de ser diferenciais comerciais e passam a ser condições de sobrevivência.
Outro ponto central é a formação. O setor fala há anos sobre falta de mão de obra, mas agora o desafio ganhou outra dimensão. Não basta atrair jovens: é preciso formar profissionais capazes de lidar com alta tensão, ADAS, software, diagnóstico avançado e novos materiais. E isso não será tarefa isolada de escolas, oficinas ou fabricantes. Será uma agenda de cadeia.
A diversidade também aparece como fator de inovação. Não como tema lateral, mas como parte da resposta à transformação. Um mercado plural, que atende distribuidores, varejistas, mecânicos, frotistas, aplicadores e consumidores, não pode decidir seu futuro ouvindo sempre as mesmas vozes.
Olhando para 2027 e para os próximos anos, há razões para otimismo. Mas não um otimismo passivo. O Aftermarket Automotivo seguirá crescendo se continuar fazendo o que sempre fez melhor: reinventar-se antes que alguém tente definir o seu lugar. A oportunidade está posta. O desafio é transformar mudança em estratégia, complexidade em conhecimento e confiança em vantagem competitiva.
Fonte: Aftermarket Automotivo




















