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Novas entrantes devem estruturar produtos para nichos bem-definidos

Mais do que criar uma montadora, o desafio real está em construir um produto desejado, tecnicamente viável e sustentável ao longo do tempo

07/07/2026

Por Karin Fuchs

Na avaliação de João Paulo Melo, head de Produto da SAV Motors, marca nacional de veículos de lazer premium sediada em Caxias do Sul (RS), o Brasil tem capacidade técnica para desenvolver veículos relevantes. No entanto, a indústria automotiva não perdoa o desalinhamento entre discurso e entrega.

“Projetos sólidos costumam nascer de forma mais enxuta, validando produto, mercado e operação antes de pensar em escala. Quando a promessa cresce mais rápido do que a capacidade real de execução, o risco de ruptura aumenta de forma muito significativa”, alertou.

O Brasil vive um momento de forte entrada de novas marcas, especialmente chinesas. Com isso, cresce o questionamento sobre quais empresas realmente vieram para ficar. Ao mesmo tempo, ganha força a discussão sobre o que, de fato, sustenta um projeto no setor automotivo.

“O tema ganhou relevância recentemente com a repercussão de iniciativas que receberam grande exposição antes mesmo de consolidarem produto, estrutura industrial e capacidade real de entrega, reacendendo dúvidas sobre a viabilidade de novos entrantes no mercado nacional”, comentou Melo.

Segundo ele, a trajetória da indústria automotiva brasileira mostra que projetos excessivamente expostos antes da consolidação do produto, da estrutura industrial e da estratégia comercial tendem a enfrentar maiores dificuldades para sustentar suas propostas no longo prazo.

“Em um setor de alta complexidade, no qual desenvolvimento, homologação, fornecedores, pós-venda e escala precisam caminhar de forma coordenada, a consistência da operação tende a valer mais do que o impacto inicial da narrativa”, explicou.

Estruturar produtos viáveis

João Paulo Melo, head de Produto da SAV Motors – Foto: Divulgação

Na visão de Melo, o caminho para novos entrantes passa pela criação de produtos viáveis para nichos bem definidos, como faz a SAV Motors ao atuar no segmento de veículos de lazer premium, em vez de tentar nascer em larga escala.

“Aproveitando a cadeia produtiva já existente e enfrentando com realismo os desafios regulatórios, industriais e comerciais do setor, é possível construir uma operação consistente. Mais do que criar uma montadora, o desafio real está em desenvolver um produto desejado, tecnicamente viável e sustentável ao longo do tempo. Quando há foco, clareza de mercado e capacidade de execução, é possível gerar valor real sem depender de promessas milagrosas ou de uma narrativa inflada”, afirmou.

Os impactos positivos também se refletem na cadeia produtiva. Segundo a Anfavea, para cada emprego gerado no setor automotivo, outros nove são criados em atividades relacionadas. Dessa forma, quanto maior o número de projetos estruturados com visão de longo prazo, maiores tendem a ser os benefícios para toda a indústria.

“Projetos menos midiáticos e mais disciplinados costumam construir reputação de forma mais sustentável, com base em posicionamento claro, domínio técnico e entrega contínua, como demonstra o caso da Chamonix, fabricante brasileira reconhecida por sua trajetória no segmento de réplicas automotivas”, concluiu.

Fonte: Balcão Automotivo

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