“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Mercado de veículos mostra sinais de desaceleração, aponta ANEF

Relatório parcial da entidade refletem cenário de maior incerteza

14/09/2026

O mercado brasileiro de veículos apresentou sinais de acomodação e desaceleração na passagem de julho para agosto de 2026. De acordo com o novo boletim PARCIAL divulgado pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), os resultados consolidados refletem um cenário macroeconômico de maior incerteza e uma postura mais seletiva na concessão de crédito.

Entre os principais destaques do setor, a ANEF apontou o seguinte:

  1. Veículos Zero Quilômetro
  • Estabilidade no mês: O volume total de emplacamentos somou 504.232 unidades, o que representa uma oscilação praticamente estável (-0,1%) em relação a julho de 2026.
  • Crescimento expressivo no ano: Apesar do ritmo mensal mais lento, o setor acumula alta de 15,3% no acumulado de janeiro a agosto (YTD) frente ao mesmo período de 2025.
  • Liderança por segmento: O segmento de Automóveis liderou com 213.100 unidades (+0,1%), seguido de perto por Motos, com 203.458 emplacamentos (+3,0%).
  1. Veículos Seminovos e Usados
  • Retração mensal: O mercado de usados registrou queda de 3,1% na comparação com julho, totalizando 1.699.475 unidades comercializadas.
  • Tempo de uso: O recuo foi puxado principalmente pelas categorias de “Usados Maduros” (9 a 12 anos), que caíram 4,1%, e “Usados Jovens” (4 a 8 anos), com baixa de 3,8%. Os Seminovos (0 a 3 anos) ficaram estáveis (-0,1%).
  1. Financiamento, Crédito e Inadimplência
  • Aumento da inadimplência: O relatório aponta um crescimento nos índices de inadimplência tanto para Pessoa Física (PF) quanto para Pessoa Jurídica (PJ).
  • Crédito mais restritivo: Em resposta ao avanço do não pagamento, as instituições financeiras adotaram uma política de concessão de financiamentos mais rigorosa.
  • Descompasso na oferta: Embora existam incentivos governamentais para expandir a oferta de crédito, o apetite dos bancos segue contido devido aos riscos inerentes ao momento econômico atual.

Em uma análise conjuntural, Enilson Sales, Presidente da ANEF, avalia que “a forte competição gerada pela chegada de modelos elétricos aumentou o mercado total, mas reduziu a fatia individual dos players tradicionais. O executivo destaca que o cenário de instabilidade institucional doméstica, somado às tensões geopolíticas globais, gerou um clima de incerteza que posterga investimentos e desacelera o consumo.”

Reforçando essa visão, dados analisados pela Acrefi indicam que o aperto na política de crédito é um reflexo direto do comportamento cauteloso do mercado diante das flutuações de juros e da necessidade de mitigar riscos de crédito.

Nota: Reforçamos que os dados apresentados nesta divulgação são parciais e referentes ao mês de agosto de 2026Os dados consolidados do mês de agosto deverão ser divulgados nos próximos dias.

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