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Inflação mais disseminada exige prudência com a política econômica

Avanço dos núcleos e pressão no setor de Serviços indicam que o processo de desaceleração dos preços continua, mas ainda lida com desafios estruturais

13/03/2026

A FecomercioSP destaca que a política fiscal desempenha um papel fundamental no processo de controle inflacionário

A inflação no Brasil continua mostrando resistência, especialmente no setor de Serviços, o que limita o espaço para uma redução mais intensa e prolongada da taxa básica de juros e exige cautela no ambiente econômico.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,7%, acelerando em relação ao resultado anterior e superando as projeções do mercado, que esperava algo próximo de 0,63%. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 3,81%. Apesar de o movimento estar dentro de um processo gradual de desinflação, a composição dos dados mostra que as pressões inflacionárias seguem presentes.

Na análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), outro ponto de atenção é que o avanço dos preços foi relativamente espalhado pela economia, sinalizando que a inflação não está restrita a poucos itens, mas distribuída em diferentes grupos de consumo.

Educação no topo

O principal reflexo no índice veio do grupo Educação, que registrou aumento de 5,21%, decorrente dos reajustes típicos do início do ano letivo. Esse movimento respondeu por 0,31 ponto porcentual da inflação no período.

O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 0,26%. A alimentação no domicílio subiu 0,23%, enquanto a alimentação fora de casa avançou 0,34%. Mesmo com um ritmo mais moderado, os alimentos seguem contribuindo para manter a inflação em um nível que exige atenção.

Serviços são o foco de atenção

O comportamento de Serviços permanece como o ponto mais sensível da inflação. No período, o setor avançou 1,51%, de acordo com os cálculos da XP Investimentos, enquanto os serviços intensivos em mão de obra — aqueles mais ligados ao mercado de trabalho — subiram 0,68%.

Esse desempenho indica que a demanda doméstica segue aquecida, impulsionada pelo mercado de trabalho e pela renda real em recuperação. Quando esse segmento permanece pressionado, o processo de desaceleração da inflação tende a ocorrer de forma mais lenta.

Vale destacar que, sem a queda nos preços dos combustíveis, o resultado do índice poderia ter sido ainda mais elevado.

Outro indicador relevante é o comportamento dos núcleos de inflação — medidas que excluem itens mais voláteis e ajudam a identificar a tendência de longo prazo dos preços. Esses núcleos apresentaram aceleração, sugerindo que a pressão inflacionária permanece resistente.

Além disso, o índice de difusão — que mede a proporção de itens com aumento de preços —ficou em 0,61, indicando que a alta segue relativamente espalhada pela cesta de consumo.

Esse conjunto de indicadores reforça que a inflação atual não se limita a choques pontuais, mas reflete um processo mais amplo de reajustes econômicos.

Efeitos nos juros e no ambiente empresarial

Na análise da FecomercioSP, o cenário mostra que, apesar do processo gradual de desinflação, a dinâmica dos preços ainda exige cautela. A combinação entre inflação de serviços elevada, núcleos pressionados e difusão relativamente alta reduz o espaço para uma flexibilização mais agressiva da política monetária.

Na prática, significa que o ciclo de queda da taxa básica de juros deve ser mais lento, mantendo o crédito relativamente caro por mais tempo.

Para o setor empresarial, esse ambiente reforça a importância de planejamento financeiro, gestão eficiente de custos e avaliação cuidadosa de investimentos, principalmente em um cenário de financiamento ainda restritivo.

Política fiscal é peça-chave para o controle da inflação

Diante desse contexto, a Federação destaca que a política fiscal desempenha um papel fundamental no processo de controle inflacionário.

Evitar medidas que ampliem os gastos públicos ou que gerem pressões adicionais sobre a demanda é essencial para que o ambiente macroeconômico permita a redução sustentável da taxa de juros.

Além disso, o cenário global segue sujeito a possíveis choques de oferta, notadamente os relacionados aos preços de energia e petróleo, fatores que podem voltar a pressionar a inflação.

Embora parte da alta recente tenha componentes sazonais, como no caso da Educação, o conjunto dos dados indica que a inflação ainda apresenta resistência, sobretudo no setor de Serviços.

Enquanto esse setor permanecer pressionado, o processo de queda da inflação tende a ser gradual e o espaço para cortes mais expressivos da taxa de juros continuará limitado.

Para empresários e gestores, o momento exige atenção ao cenário macroeconômico e reforça a necessidade de planejamento estratégico em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas.

Fonte: FecomercioSP

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