“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Indústria automotiva atravessa 2025 entre avanços, crises e disputas globais

Produção cresce, mas fica abaixo das metas, enquanto caminhões entram em colapso, política industrial ganha protagonismo e riscos geopolíticos pressionam o setor

23/12/2025

Por Bruno de Oliveira

O ano de 2025 foi marcado por contrastes na indústria automotiva brasileira. De um lado, crescimento da produção, retomada de eventos emblemáticos como o Salão do Automóvel e avanço de políticas públicas voltadas à descarbonização. De outro, metas frustradas, colapso no mercado de caminhões, dependência externa de chips, tensões comerciais internacionais e episódios extremos, como o vendaval que paralisou a Toyota. O balanço abaixo feito por Automotive Business revela um setor resiliente em 2025, mas pressionado por fatores internos e externos.

1. Produção cresce, mas fica fora da meta

A produção acumulada até novembro chegou a 2,459 milhões de veículos, alta de 4% frente a 2024, porém insuficiente para atingir a projeção de 2,7 milhões de unidades. Crédito caro, menos dias úteis, crise dos caminhões e queda das exportações para a Argentina levaram a Anfavea a admitir que a meta não será alcançada.

2. Caminhões em colapso e impacto no emprego

O segmento de caminhões viveu seu pior momento em anos, com queda de até 40% na produção mensal de pesados e retração nas vendas. O cenário já provocou cortes de vagas, férias coletivas e redução de turnos, levando a Anfavea a classificar a situação como de “iminente colapso”.

3. Exportações, Argentina e o freio externo

A retração da demanda argentina afetou diretamente o ritmo das fábricas brasileiras. Apesar disso, as exportações totais foram revisadas para cima, sustentadas por outros mercados, ainda que sem compensar integralmente as perdas regionais.

4. Tarifaço de Trump e tensão geopolítica

O anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos acendeu o alerta, sobretudo no setor de autopeças. A Toyota, exportadora de motores produzidos em Porto Feliz, admitiu que o tarifaço pode alterar sua configuração produtiva.

5. Crise dos chips volta ao radar

O Caso Nexperia expôs novamente a dependência do Brasil de semicondutores importados. Embora diferente da escassez pós-pandemia, a disputa geopolítica entre China e Europa reacendeu o temor de paralisações produtivas e reforçou o debate sobre produção local de chips.

6. IPI Verde, Mover e Carro Sustentável

O governo lançou o IPI Verde e o Programa Carro Sustentável, reduzindo impostos para veículos mais eficientes e recicláveis. As medidas ajudaram a estimular vendas, mas também reacenderam embates com montadoras sobre incentivos a modelos CKD e SKD, especialmente no caso da BYD

7. Salão do Automóvel testa novo formato

Após sete anos de ausência, o Salão de São Paulo retornou com foco em experiência e proximidade com o público. Marcas chinesas ganharam destaque, enquanto o evento buscou se reinventar em meio às transformações do mercado e do consumo.

8. Vendaval paralisa Toyota e expõe riscos climáticos

Um forte vendaval destruiu parte da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz, causando paralisações, layoff e impacto direto na produção nacional. O episódio reforçou a vulnerabilidade das cadeias produtivas a eventos climáticos extremos.

9. Economia circular e reciclagem ganham espaço

A reciclagem veicular deixou de ser apenas discurso ambiental e passou a ser vista como negócio. Montadoras como a Stellantis investiram pesado no segmento, mirando um mercado bilionário impulsionado pelas exigências do Mover.

Fonte: Automotive Business

Informes