“Qualquer associação de classe será tão forte quanto os seus membros queiram fazê-la.”

Inclusão é ferramenta para fortalecer o setor automotivo

Lançada na Automec 2025 reunindo as mulheres do mercado, AMMA já se articula com entidades como a Aliança Aftermarket

19/08/2025

Por Lucas Torres

O setor automotivo ainda está longe de poder ser considerado um ambiente de igualdade de gênero. Exemplo disso é o fato de as mulheres representarem apenas 21% da força de trabalho no setor e 0,6% na liderança.

Apesar desse espaço limitado, fruto de uma herança histórica excludente, quem atua no ramo já pode sentir os ventos da mudança. Da indústria à reparação, há cada vez mais exemplos de mulheres que não apenas cumprem seus papeis com excelência, como também se engajam em discussões para abrir caminho para que outras possam ocupar esses mesmos espaços no futuro.

Um dos frutos mais recentes deste movimento é a AMMA (Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo), iniciativa que, lançada na Automec 2025, nasceu para somar forças, inspirar trajetórias e transformar o setor a partir de uma perspectiva mais inclusiva, colaborativa e plural.

“O setor começou a fazer perguntas. Começou a escutar. E nós já tínhamos as respostas e os projetos. A AMMA é a convergência de trajetórias maduras e de um contexto que, agora, está mais preparado para reconhecer que a presença feminina não é exceção”, afirma Carla Norcia, comunicadora e uma das idealizadoras da iniciativa.

Carla conta que, para atingir seus objetivos de, ao mesmo tempo, promover a inclusão e fortalecer ainda mais o setor, a organização aposta numa atuação descentralizada, com articulação com os mais diversos elos da cadeia, bem como no diálogo constante com outras entidades representativas – tal como a Aliança Aftermarket Automotivo.

“Enxergamos várias frentes possíveis de colaboração como capacitações conjuntas, eventos com recorte de diversidade, campanhas de comunicação com impacto social. Somos vozes interdependentes e complementares, e quando falamos juntas, vamos mais longe”, destacou.

Para saber detalhes sobre os ideais, os planos e as ações concretas da AMMA, confira a seguir a íntegra da entrevista.

Novo Varejo – Qual é o principal objetivo da criação da AMMA (Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo)?

Carla Norcia – A AMMA nasceu para somar forças e oferecer visibilidade a uma presença que já é real no setor automotivo: a das mulheres que atuam com competência em todas as pontas da cadeia. Nosso propósito é ampliar essa representatividade de forma construtiva, criando pontes entre talentos, experiências e oportunidades — da operação à liderança, da oficina à indústria, da comunicação à gestão. Mais do que promover inclusão, queremos colaborar com o fortalecimento do setor como um todo, contribuindo para um ambiente mais inovador. Sabemos que muitos avanços só foram possíveis graças ao diálogo aberto e ao apoio dos que também acreditam na força da diversidade.

A AMMA chega com respeito, atenção e compromisso, para valorizar quem já está, preparar quem está chegando e caminhar junto com todos os profissionais e empresas que querem construir um mercado automotivo cada vez mais forte, representativo e sustentável.

Novo Varejo – O que deu a vocês a ideia de que este era o momento certo para reafirmar oficialmente a presença das mulheres no setor?

Carla Norcia – Essa resposta nasce de muitos encontros e muitas escutas. Sempre estivemos inseridas em ambientes majoritariamente masculinos e sempre entregamos com excelência, mas com pouca visibilidade coletiva. O que mudou? O setor começou a fazer perguntas. Começou a escutar. E nós já tínhamos as respostas e os projetos. A AMMA é a convergência de trajetórias maduras e de um contexto que, agora, está mais preparado para reconhecer que a presença feminina não é exceção. O momento certo é agora porque não estamos mais pedindo espaço: estamos construindo espaços juntos.

Novo Varejo – Você sente que o mercado amadureceu nos últimos anos no âmbito da igualdade de gênero?

Carla Norcia – Sim. O amadurecimento se revela no discurso, na presença crescente de mulheres em cargos técnicos e estratégicos, e na abertura para o diálogo. Mas ainda enfrentamos desafios culturais, barreiras invisíveis e desigualdade de remuneração e de oportunidades. A boa notícia é que hoje temos mais dados e mais vontade coletiva de mudar. O amadurecimento está em curso — e a AMMA existe para acelerar esse processo.

Novo Varejo – Quais devem ser as ações do calendário da AMMA neste segundo semestre de 2025?

Carla Norcia – Vamos expandir. Já fizemos o lançamento oficial do modelo de associativismo, com benefícios concretos para as associadas, os mesmos crescem a cada mês.  Temos edições do AMMAcast, nosso podcast, já planejadas, o AMMATalks, que são aulas híbridas, já lançamos 4 e-books, o Clube do Livro, estamos com 9 grupos dentro da Comunidade AMMA, além disso assinamos artigos, palestras e eventos. Cada ação está desenhada para gerar rede, pertencimento e resultado.

Novo Varejo – Quais elos do mercado devem concentrar a maior parte das ações da AMMA? Há algum em que a igualdade de gênero já se destaca?

Carla Norcia – Na verdade, todos. De fato, não há um elo da cadeia que precise de mais atenção que o outro, todos têm demandas.  E, toda mulher do mercado automotivo, independentemente de sua atuação, será impactada pela AMMA em algum momento, afinal em todos os cantos há barreiras, muitas vezes nem percebidas e, portanto, oportunidades de harmonizar.

Novo Varejo – Como a AMMA pretende se articular com outros grupos de representatividade, como a Aliança do Aftermarket?

Carla Norcia – A Aliança é um movimento de alta relevância, importância e de articulação institucional, as pautas da Aliança serão pautas da AMMA. A AMMA está contida no mercado, a Aliança idem, os objetivos precisam ser convergentes, viemos somar. Além disso, já temos diálogo aberto com lideranças da Aliança, e enxergamos várias frentes possíveis de colaboração como capacitações conjuntas, eventos com recorte de diversidade, campanhas de comunicação com impacto social. Somos vozes interdependentes e complementares, e quando falamos juntas, vamos mais longe.

Novo Varejo – Quais fatores influenciaram na sua decisão de se colocar como uma liderança do setor, além da comunicação?

Carla Norcia – A AMMA não nasceu agora, ela já tem 25 anos, era projeto antigo dos meus tempos de corporação, não me sentia representada e fiquei praticamente sozinha no mercado por muito tempo. Mas, na época a empresa onde eu estava me promoveu, recebi um enorme desafio e na mesma época engravidei, para completar fiquei dois meses em uma experiência internacional, não dava para tocar mais um projeto com isso, a AMMA foi pra gaveta. Hoje, com o tempo passado, as vivências e aprendizados, a escuta aperfeiçoada, a interpretação idem, saber que o momento tinha chegado foi um processo muito natural. Ficar contando histórias parou de bastar, decidi passar da narração para a transformação. Compartilhei a ideia com a Talita Peres e foi “match” instantâneo. A Talita trouxe a Simone de Azevedo Franzo, e juntas estamos trazendo as mulheres do mercado automotivo. Entendemos que não precisamos estar nos bastidores e que podemos contribuir com a trajetória de outras profissionais. Não foi uma decisão de ego, foi uma decisão de compromisso e propósito. Estamos fazendo para aquelas que compreendemos perfeitamente bem, por similaridade. E, se queremos um setor mais plural, colaborativo e positivo, é preciso assumir. Nós apenas começamos e já não estamos mais sozinhas.

Fonte: Novo Varejo

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