Por Rebeca Ribeiro
No dia 20 de abril, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a casa do empresário, completará 21 anos, dois dias antes de o painel alcançar, em tempo real, o montante de R$ 1,3 trilhão. O valor equivale ao total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros à União e aos governos estaduais e municipais, incluindo multas, juros e correção monetária. Isso tudo, somente em 2026.
No ano passado, igual montante foi alcançado três dias depois, em 25 de abril, demonstrando que a arrecadação está acelerando. Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o valor reflete não apenas o crescimento nominal da economia, mas também a elevada carga tributária, que continua pesando sobre os contribuintes brasileiros.
“Embora parte desse aumento decorra da maior eficiência fiscal e da inflação, o resultado prático é claro: os brasileiros seguem destinando uma parcela significativa de sua renda ao pagamento de impostos em um ritmo cada vez mais intenso, reforçando a necessidade de uma discussão profunda sobre a eficiência e a destinação desses recursos públicos”, diz Olenike.
Essa aceleração da arrecadação também está relacionada ao crescimento da carga tributária no último ano, como o aumento do IOF e do ICMS, assim como à tributação de jogos de apostas e cassinos online.
Para Olenike, o Impostômetro, mesmo com mais de 20 anos, segue como uma ferramenta relevante para a sociedade ao permitir a conscientização da população sobre o valor real da contribuição aos órgãos públicos. “A ferramenta fornece informações que permitem à população exigir a contrapartida de serviços públicos de qualidade, o que não acontece no nosso país, infelizmente”, diz.
Além disso, com a reforma tributária iniciada este ano, Olenike diz que a plataforma será de grande importância para os contribuintes acompanharem se a alteração do sistema tributário não vai aumentar a carga. “Iremos analisar se efetivamente teremos o que foi prometido com a atual proposta de mudança: a neutralidade, a simplificação e a transparência.”
Gastos públicos já consumiram R$ 1,6 trilhão
Enquanto a arrecadação caminha para R$ 1,3 trilhão, os gastos públicos, medidos pelo Gasto Brasil, já registram R$ 1,6 trilhão, uma diferença de R$ 300 bilhões. Dos R$ 1,6 trilhão, cerca de R$ 677 bilhões saíram do caixa do Governo Federal, R$ 471 bilhões dos estados e R$ 519 bilhões dos municípios.
De acordo com o Gasto Brasil, entre as principais despesas do Governo Federal, destacam-se 11 categorias que representam 96% do total. A maior parte das despesas desse grupo corresponde à Previdência, às Despesas com Pessoal e aos Encargos Sociais, sendo que essas três categorias representam 60% do total. Os gastos federais com a Previdência somavam, até o dia 16 de abril, R$ 441 bilhões.
O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, explica que o aumento do gasto público, quando não acompanhado pelo aumento da receita, pode gerar aumento da inflação, assim como da dívida pública, por meio dos precatórios, garantia judicial de que um órgão público irá pagar a dívida, o que elevaria a taxa básica de juros.
Segundo Solimeo, há um grande volume de recursos públicos direcionado a programas voltados a uma pequena parcela da população. Para ele, esses programas devem ser transitórios, e não vitalícios. “Ao aprovar um gasto, seria necessário aprovar uma fonte de financiamento, mas não é o que ocorre”, diz.
“Hoje, o equilíbrio das contas públicas não seria suficiente, pois há muitos sacrifícios de investimentos. A redução dos outros gastos teria de ser maior para abrir espaço para investimentos sem aumentar a dívida pública”, explica Solimeo.
“O governo precisa arrecadar mais do que gasta para diminuir a taxa de juros, mas o gasto público está crescendo e, consequentemente, a dívida pública também”, afirma. Ainda segundo o economista, para que haja uma redução dos gastos públicos, é necessária uma reforma administrativa, de forma a alcançar mais equilíbrio entre receita e despesa.
Fonte: Diário do Comércio – Imagem: Milton Mansilha/DC (https://dcomercio.com.br/publicacao/s/impostometro-chega-aos-21-anos-e-continua-acelerando-brasileiro-pagou-r-1-3-trilhao-em-2026)
























