Por Soraia Abreu Pedrozo
Na esteira da expectativa de que nas próximas semanas – ou dias – o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publique portaria com pormenores acerca das regras de reciclabilidade e reciclagem veicular e metas a serem cumpridas por empresas participantes do programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, o Grupo Sada inaugurou a Igarapé Reciclagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG.
A recicladora, que desde meados do ano passado já estava operando de forma experimental, recebeu investimento de R$ 200 milhões para firmar-se como o túmulo do carro, jogando a pá de cal em seu ciclo de vida. Estabelecida para tirar de circulação veículos mais antigos, esquecidos em pátios de seguradoras e nos Detran, e que tenham dado perda total, a Igar faz o processo de descontaminação, extrai partes e peças, tritura os metais e direciona os materiais, que se tornam insumos novamente, para outras indústrias.
Durante a cerimônia de inauguração na quarta-feira, 25, com a presença do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, do presidente e fundador do Grupo Sada, Vittorio Medioli, e do vice-presidente da Stellantis e da Anfavea, Márcio de Lima Leite, a vice-presidente executiva do Grupo Sada, Daniela Medioli, ressaltou que a Igar nasceu inspirada na Política Nacional de Resíduos Sólidos e no conceito de responsabilidade compartilhada.
Idealizado há quase uma década o equipamento tem capacidade para processar até 300 mil veículos por ano e potencial de reinserir até 80% de seus materiais em novos ciclos produtivos e de remanufatura. Neste primeiro ano de operação, enquanto as montadoras tomam ciência das regras de reciclabilidade que terão de cumprir para obter benefícios fiscais por meio do Mover, é esperada a reciclagem de 50 mil veículos, 17% da capacidade total.
Igar projeta receber veículos por meio de cegonhas que distribuem 0KM
“Igarapé não foi escolhida à toa. Está na principal rota de logística reversa de implementos cegonha no País”, observou Daniela Medioli. “O que permite operar com eficiência tanto na entrada de veículos como na destinação sustentável dos materiais processados.”

Medioli referiu-se ao fato de que o Grupo Sada tem hoje cerca de 3 mil cegonhas rodando pelo Brasil, entregando principalmente carros das marcas da Stellantis, que mantém centro de distribuição de 0 KM em Igarapé. Estas carretas, no entanto, voltam à cidade vazias. A ideia é que os veículos a serem reciclados cheguem à Igar a bordo delas.
“Existem alguns entraves com os Detran, mas o MDIC está tentando endereçar questões para destravar carros em fim de ciclo dos pátios públicos. Há vários aspectos regulatórios que ainda impedem isso hoje, mas carcaças abandonadas ficam empilhadas e entulhadas por anos, sem gerar valor, apenas ocupando espaço e oferecendo riscos ambientais e de segurança. Aqui eles geram valor voltando para a cadeia produtiva.”
Enquanto este capítulo não é sanado a vice-presidente exemplificou formas de se obter carros em fim de vida por meio de leilões, seguradoras e pelas próprias montadoras, o que é incentivado a partir de política pública: “Hoje este veículo é visto como matéria-prima. Com o Mover passa a se tornar incentivo fiscal pois, a cada carro reciclado, o programa prevê redução de IPI na produção de carros novos. É aí que traz mais sustentabilidade financeira e fomenta esta cadeia”.
Segundo Medioli diversos fabricantes de veículos já procuraram a empresa mas ainda estão aguardando a portaria que discorre sobre o tema. Ela citou que o Brasil tem cerca de 49 milhões de veículos em sua frota circulante, sendo aproximadamente 10 milhões de unidades com mais de quinze anos de uso, o que eleva a idade média. Ao passo que a taxa de reciclagem é baixa, de apenas 1,5%. Realidade que a Igar pretende mudar.
Fonte: AutoData

























