Por Soraia Abreu Pedrozo e André Barros
A mistura do etanol na gasolina passará, temporariamente, de 30% para 32%. Após reunião do CPNE, Conselho Nacional de Política Energética, na manhã da terça-feira, 14, ficou estabelecida a liberação do aumento da porcentagem do combustível fóssil por 180 dias, prorrogáveis por mais 180. Em paralelo seguem os estudos para verificar os efeitos de uma mistura ainda maior, de 35%.
A indústria era contrária à medida. Anfavea, Abeifa e Sindipeças enviaram correspondência ao MME, Ministério de Minas e Energia, pedindo cautela pois, apesar de os testes colocarem 32% como teto, era dentro de uma margem de erro. O governo ignorou os pedidos e subiu 2 pontos porcentuais a mistura – e as entidades acreditam que a tolerância, agora, partirá de 34% — algo que não foi contemplado nos testes.
O objetivo da medida é reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados frente à forte instabilidade do mercado internacional de petróleo, o que tem tornado o abastecimento global bastante volátil. Nos últimos dias os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tornou a escalar, o que abriu mais espaço para este aumento. Segundo o ministro do MME, Alexandre Silveira, a nova mistura torna o Brasil autossufuciente no fornecimento de gasolina.
Risco de pane em carros mais antigos
Para a indústria, sem os testes, o aumento da mistura é arriscado e poderá prejudicar o funcionamento de parte da frota, especialmente os veículos mais antigos. O etanol tem características que favorecem a corrosão e desgaste de componentes que não foram desenvolvidos para o seu uso. Os testes visam à validação de segurança destes modelos e de outros a gasolina, mais recentes, a maior parte importados.
“Existe a possibilidade de alguns carros mais antigos sofrerem com panes no motor”, afirmou o presidente da Abeifa, Marcelo de Godoy. “O parque circulante é um grande problema, mas nós também temos as nossas dificuldades, pois a engenharia das matrizes das associadas precisarão mexer nos modelos que ainda serão importados.”
Para Godoy era preciso mais tempo para que a decisão fosse tomada, para que os testes fossem feitos e para que as matrizes pudessem se preparar: “Não somos contra, não é uma questão de aumentar ou não aumentar o porcentual de etanol na gasolina. Mas é um processo que demanda prazo maior”.
Fonte: AutoData

























