Ford Maverick, furtado antes de ser lançado, vai da delegacia ao pódio das 25 Horas de Interlagos de 1973


Ford Maverick, furtado antes de ser lançado, vai da delegacia ao pódio das 25 Horas de Interlagos de 1973

Outubro de 1973, no meu Ford Corcel persegui um Maverick de corridas furtado pelas ruas de São Paulo. Infelizmente, o Corcel não foi páreo para potente motor V8 de 250 cavalos e os bandidos fugiram, mas o carro foi encontrado logo em seguida, a tempo de correr a primeira edição das 25 Horas de Interlagos e terminar em quarto lugar, com os pilotos Marivaldo Fernandes, Affonso Giaffone e Totó Porto.

Tudo isso ocorreu antes mesmo do Ford Maverick ser lançado oficialmente no Brasil. Naquela época, para promover o novo modelo no mercado brasileiro, a Ford vendeu algumas unidades para vários pilotos, além do carro oficial da equipe Ford, pilotado pelos irmãos Bird e Nilson Clemente, e Clóvis de Morais, e chefiada por Luiz Antonio Greco.

Um desses carros exclusivos foi comprado pelo piloto Marivaldo Fernandes que, ao receber o veículo na concessionária Caltabiano, mandou entregá-lo na oficina de Greco, localizada na Rua Clodomiro Amazonas, bairro do Itaim, para a instalação de alguns componentes e a necessária preparação.

Na quarta-feira que antecedia a corrida, realizada no final de semana, a equipe de Greco terminou o trabalho e mandou o carro para lavagem num posto de gasolina das imediações. Mas, no fim da tarde, o gerente do posto informou que o carro havia sido furtado. O automóvel, modelo cupê 2 portas, equipado com motor V8 e pintado na cor amarela clara, era muito atraente, além de novidade do mercado. Ao receber a informação sobre o furto, Luiz Antonio Greco telefonou para Marivaldo, que não acreditou na história. “Obrigado pela gozação”, respondeu Marivaldo.

Ao me dirigir para o Jornal a Tarde, onde trabalhava, passei pela oficina do Greco e fui informado sobre o ocorrido e fiquei preocupado. Faltavam três dias para a corrida e não haveria tempo para a compra de outro carro e realização do trabalho de preparação. Embora não acreditasse, Marivaldo e seus parceiros Affonso Giaffone Júnior e Totó Porto não correriam e ficariam decepcionados.

Na noite daquela quarta-feira, fui à sede da Federação de Automobilismo para levantar informações, acompanhado da minha esposa, Stella, e, ao chegar à Avenida Domingos de Moraes, a dois quarteirões da federação, parei no semáforo e vi o Maverick de Marivaldo. Por sorte, o semáforo da rua seguinte fechou e o da rua em que eu estava abriu, me permitindo parar atrás do Maverick.

Naturalmente, imaginei que carro tivesse sido recuperado e que Marivaldo estava ao volante e também iria à sede da federação para alguma providência.

Segui o Maverick e ao me aproximar da sede da federação já procurava um espaço para estacionar, mas me surpreendi porque o carro não parou. Estranhei esse fato e continuei a acompanhá-lo o que me permitiu analisar se era mesmo o carro de Marivaldo.

A primeira identificação foi o adesivo com o nome da Caltabiano, onde Marivaldo o havia comprado, mais à frente, numa curva à esquerda identifiquei as rodas de alumínio utilizadas em competição e também notei a barra de proteção interior, o famoso “santo antônio” obrigatório para corridas. Mais à frente, percebi que dois jovens de aparência muito simples ocupavam o automóvel. Ou seja, era o carro que havia sido furtado.

Continuei a segui-lo discretamente na esperança de cruzar com uma viatura policial para pedir ajuda, mas quando chegamos à Avenida Cursino, no bairro de Monções, em direção a uma parte deserta e sem iluminação, resolvi surpreendê-los. Ultrapassei o Maverick e, ao ficar à sua frente, parei o Corcel que dirigia, na esperança de que eles abandonassem o Maverick. Mas o motorista era bom, engatou uma veloz marcha à ré, obrigando-me a fazer o mesmo, e entrou em uma rua estreita.

Procurei segui-lo mas ele, conhecedor do bairro, bom motorista e num Maverick com motor superior a 250 cv de potência, não consegui acompanhá-lo no meu Corcel.

Ao perdê-lo, procurei uma delegacia para informar que o Maverick amarelo estava nas redondezas. O delegado me atendeu, mandou registrar as informações, distribuir a notícia para a rede e, ao me despedir, me chamou de irresponsável, principalmente por ter posto em risco a minha integridade e a de minha mulher. O que ele mais enfatizou foi sobre o risco de os marginais estarem armados e poderem disparar nos atingido.

No dia seguinte soube que o Maverick foi localizado pela polícia e que Greco foi retirá-lo da delegacia. O Marivaldo correu com ele formando um trio com Affonso Giaffone Júnior e Totó Porto, obtendo o quarto jogar na competição. Ele nunca acreditou na história do furto e considerou uma brincadeira de Luiz Antonio Greco.

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Fonte: Muito Além de Máquinas e Motores – Secco Consultoria de Comunicação

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