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Elétricos, híbridos, flex: como o Brasil encara a descarbonização?

A descarbonização dos veículos não é um tema atual. Mas é inegável que se torna cada vez mais eminente nos nossos dias à medida que os veículos ganham novas formas de se locomover. Se isso resultará na mudança total da frota para o tipo X ou Y de combustível, só o tempo dirá.

A discussão ganhou peso no #ABX23 – Automotive Business Experience, principal evento do ecossistema automotivo e da mobilidade, que aconteceu em setembro, em São Paulo.


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Com o avanço da eletrificação nos veículos, que há tempos deixou de ser promessa e verdadeiramente começou a circular pelas ruas, o processo de mudança acelerou ainda mais em mercados como China, Europa, Estados Unidos. Dados apresentados por Masao Ukon, managing director e senior patner do BGG, mostram que a China teve 25% das suas vendas de 2022 em veículos eletrificados (elétricos ou híbridos).

“Para nós é muito claro que esses mercados já passaram do ponto de inflexão das tecnologias eletrificadas, elétricos em particular plug-ins, portanto a tendência é esse crescimento se sustentar e se consolidar ao longo dessa década”, afirma o especialista.

Brasil tem cenário fora do comum

O cenário para o Brasil é um pouco mais gradual, já que o país tem outras fontes, como o etanol e o biocombustível, que também contribuem como fontes menor poluentes.

“O processo já começou; O ponto de inflexão no Brasil já está chegando. Na Toyota, começamos a produção de híbridos flex no 2019 e, de fato, dentro da linha Corolla, por exemplo, em que temos os híbridos flex, já chega a 40% de nossa produção e de nossas vendas. E se falarmos de nosso volume total, superamos os 10%. Então para nós esse processo já começou”, afirma Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil.

Independentemente da tecnologia que o carro apresente, o interesse das marcas é com a descarbonização.

“Acreditamos na diversidade de tecnologias. Temos motores de combustão interna, veículos híbridos, híbridos flex, que produzimos aqui no Brasil. Mas temos também o plug-in hybrid, veículos 100% elétricos, e temos veículos a hidrogênio”, destaca Rafael.

País pode liderar a descarbonização?

Para Gaston Diaz Perez, presidente e CEO da Robert Bosch América Latina, o Brasil se destaca frente à outros players mundiais, pois tem uma matriz energética diversificada e com vários tipos de combustíveis disponíveis ou em fase de implementação.

“O Brasil joga com o baralho completo e isso vale para a América Latina também. E nesse baralho as cartas, não são excluintes, ou seja, não vamos jogar com uma carta, ou vamos jogar outra carta. E aí está a inteligência de aproveitar quais são as vantagens da região, qual é a infraestrutura que nós temos, qual é a vocação da região, e sobre isso construir uma descarbonização do jeito socialmente mais conveniente”, garante.

E o executivo vai mais longe, afirmando que o carro híbrido flex pode ser exportado e tornar-se referência em outros mercados. “O Brasil pode aproveitar para virar um foco de produção e eu sei que vários clientes nossos também têm essa visão: por que não produzir esse carro, híbrido ou a combustão Flex Verde para o mundo a partir do Brasil?”

Segundo Rafael Chang, a Toyota já está desenvolvendo veículos plug-in hybrid flex com produção local e já de olho no hidrogênio, além de modelos 100% elétricos.

Segundo os executivos, a comparação de poluição de um veículo híbrido flex é semelhante a de um modelo 100% elétrico na Europa ou outros mercados. “A contribuição de um veículo flex é a mesma de um modelo elétrico, utilizando a matriz energética brasileira. Nós sempre falamos que a solução tem que ser prática, sustentável e, sobretudo, acessível para o consumidor”, garante Rafael.

“O sucesso do flex foi o empoderamento do usuário, pois ele podia decidir como abastecer. E por isso confiou na tecnologia e abraçou. O híbrido traz uma variável ainda mais de empoderamento do usuário, que é a de carregar eletricamente quando for conveniente, além de ter gasolina e etanol. Então creio que o híbrido irá ocupar um espaço grande nessa transição”, defende Gaston.

Realidades diferentes é o maior desafio

Olhando globalmente, as realidades dos mercados são muito diferentes entre si. Além das peculiaridades da diversidade de matriz energética.

Não só as montadoras estão direcionando suas produções, mas fornecedores de peças e tecnologias também estão se adaptando. “É necessário que haja uma certa padronização, até do tipo de tecnologia que a gente vai trabalhar”, destaca Wilson Lentini, diretor geral da BorgWarner Emissions Thermal and Turbo Systems.

Fonte: Automotive Business

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